NÃO BASTA SER…
Há rebuçados principescamente bem embrulhados, e outros que nem por isso. Os primeiros, esses, pelos menos num dos requisitos obedecem, sem mácula, às mais fundamentais regras sociais dos tempos que correm; os outros, nem por isso.
Até que nem me oponho ao adágio donde furtei o título, até que não!, todavia, devo aduzir que o ESTEIO reside, não somente mas hegemonicamente, na substância.
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Domingo, 5 de Julho de 2009
Os ós pelos ás
OS ÓS PELOS ÁS
Isto deve ter acontecido por aí. Se os meus radares o captaram!... Mas isto o quê?, já perguntam, com razão mas também com elevada dose de tensão, os impacientitos leitores. Isto daquele rapaz de dezassete anos, aluno do 12º numa escola de referência na grande Lisboa, daquelas sempre cá em cima, rankinguescamente falando, neto de um guarda florestal que fez carreira ao balcão dos Serviços Administrativos da área à sua guarda, um perfeito amante da natureza, como sem esforço de monta se depreende destas inflacionadas palavras. É que há aqueles que têm a mania – será mania? – de falar pouco, e aqueles que falam pelos cotovelos, chegando mesmo a utilizar todo o antebraço. A verdadeira majestade da comunicação, o estádio em que aquela atingirá a perfeição, acontecerá, tenho para mim, a partir do momento em que o homem passar a casar todas as palavras, toda a fonética, em melodia. Claro, implica notas e figuras musicais! Eh pá, pessoal, aí será o Supremo. Nos casos de entendimento, tolerância, não há lugar a desafinanços, pois os acordes serão os adequados e a harmonia perfeita. Os outros…casos, esses tenderão à atomização, depressa cairão no esquecimento, tal não será a azucrinação que sofrerão ouvidos e cérebros!... Sim, depressa todos recorrerão à melodia inefável, à harmonia perfeita. Haverá problemas, claro!, de vez em quando uma palheta parte, um si desafina, mas… Que me lembre, os pássaros já fazem isso… e até outros animais, mas se vamos por aí nunca mais daqui saio. Bem, vocês entendem… um apelo em música; uma ordem em soprano… okey, em barítono… concordo! Bem, voltando à narrativa, dizia eu que o sr. guarda de balcão e secretária, com a natureza florestal só contactara mesmo durante o período do curso, e ainda assim… O homem não conhece o cheiro do mato, o cheiro à terra quando, depois de muito votada ao abandono da chuva esta volta a cair altruisticamente. Coisas que já experienciara, sim, mas das quais agora aos sessenta e três anos de idade já não fazia a mínima… Uma coisa é certa, aquele guarda florestal sempre se apresentara ao serviço conforme impõem as rígidas regras militares ou mesmo militarizadas. Farda devidamente engomada, gravata no sítio, sapatos engraxados, a velha pistola à cintura… Tudo no sítio, sempre! O senhor Vitorino Rosmaninho Palonço é de facto homem de respeito. Pode não distinguir um pinheiro duma acácia, mas é um respeitável guarda de florestas, com folha de serviço sem mácula. No bairro da capital de distrito onde morava, para todos era o sr. guarda. Até o edil lá do sítio o tratava com desusada deferência… Afinal autarca é autarca… por mais grande ou maior que seja um guarda florestal, a hierarquia beneficia o outro. Nunca compreendi todos aqueles paparicos, mas… Bem, acontece que os seus grandes feitos à secretária e ao balcão – não falámos deles aqui, nem acolá o faremos, descansem! - chegaram ao conhecimento das majestades do sector. Daí que o sr. director regional tenha convocado, sem carácter de urgência mas com interesse afirmado, o seu chefe de serviço com o fim de com ele travar conversa sobre uma possível transferência do guarda Vitorino para os Serviços Centrais, em Lisboa. Só uma demorada análise à figura do chefe, que nos faz chegar à conclusão que o dito é mesmo chefe… pois, se o é manda, não faz!..., nos permite compreender a paradoxal relação sentimental que demonstrou em relação ao subalterno. Pois se por um lado afirma ao director ser realmente aquele um guarda de competência pouco vista, o melhor dos elementos, que até merecia uma promoção, por outro roncava – como o canto seria tão melhor! -, denotando míngua de respeito pelo sr. director – cá para mim é daqueles que vê muito o “ Canal Parlamento”-, que não, que o homem sempre ali vivera; que ali se encontravam os filhos, os netos, quase toda a sua família e amigos… E depois quem é que meteria ele a picar os bois?!... A ausência de aspas na expressão obriga-me, a mim, que comparando os acervos de escrúpulos, meu e do chefe, fico a ganhar, a um clamado pedido de desculpas aos animais da repartição… que de homens se trata, não de bois!... Aqui ficam, pois, aquelas!... Pois, mas continuando: sim, mas o homem vai ganhar mais, returque o director, sabedor das invulgares capacidades do sr. Vitorino como guardador de florestas, embora em gabinete; conhecedor do zelo indizível, mesmo desvelo, que põe no seu serviço, ainda que da floresta só trabalhe mesmo com o subproduto papel. Roupa à civil, ausência de pistola, altos conhecimentos, continuava… Pereira, chame ao seu gabinete o guarda Vitorino e exponha-lhe o cenário! Certo?; pronto, senhor director, assim farei… E fez, e o aprumado Vitorino, depois de prestada toda a atenção à debitação do superior, responde que não, que não vai para Lisboa coisa nenhuma, isso seria ficar longe da família e dos amigos… e ainda por cima sem usar farda e pistola?! Não! Pode transmitir ao senhor director que aprecio muito a sua consideração por mim mas que não posso aceitar; eu bem que já adivinhava a tua resposta, Vitorino… e muito me alegra ela!... E vai daí, o neto dele, dele do guarda, espero que não se tenham esquecido do rapaz!, o filho do filho do meio, que apesar de ter um papá dono da maior e mais conceituada carpintaria da região não distingue uma serra dum serrote… bem, só cá pr’a mim, nem eu! Qual é a diferença?... Mas o que é que eu queria mesmo com isto?; do que falava eu?... Ah, do bem-vestido-à-marca, aluno do 12º ano de escolaridade, que resolvera cravar no placard de mensagens da sua nobilíssima escola o anúncio de que pr’a ele só uma rapariga muito bonita, muito inteligente e muito culta… E então?! E então que logo no intervalo a seguir dele se aproximou uma jovem moçoila, assim logo à partida com um dos requisitos muito bem preenchido, e lhe pergunta Zé-Zé, gostaria muito de ver um acaso contigo assim juntinhos à beira-mar!; um acaso?!; sim, um acaso… é tão romântico!...; deves querer dizer ocaso, não?... Ela, vermelha: sabes, troco muito os ós pelos ás, não faz mal pois não?; não! Se queres ir à praia comigo ver o pôr-do-sol, por que não? Essas trocas não têm importância nenhuma. Mas olha, se por acaso algo mais se pôr… em cima de… Depois não te queixes!... Com voz de soprano, em melodia que exige acordes maiores, ela pergunta?: queixar-me, eu… achas?!... aaaaachas?!
Carlos Jesus Gil
Isto deve ter acontecido por aí. Se os meus radares o captaram!... Mas isto o quê?, já perguntam, com razão mas também com elevada dose de tensão, os impacientitos leitores. Isto daquele rapaz de dezassete anos, aluno do 12º numa escola de referência na grande Lisboa, daquelas sempre cá em cima, rankinguescamente falando, neto de um guarda florestal que fez carreira ao balcão dos Serviços Administrativos da área à sua guarda, um perfeito amante da natureza, como sem esforço de monta se depreende destas inflacionadas palavras. É que há aqueles que têm a mania – será mania? – de falar pouco, e aqueles que falam pelos cotovelos, chegando mesmo a utilizar todo o antebraço. A verdadeira majestade da comunicação, o estádio em que aquela atingirá a perfeição, acontecerá, tenho para mim, a partir do momento em que o homem passar a casar todas as palavras, toda a fonética, em melodia. Claro, implica notas e figuras musicais! Eh pá, pessoal, aí será o Supremo. Nos casos de entendimento, tolerância, não há lugar a desafinanços, pois os acordes serão os adequados e a harmonia perfeita. Os outros…casos, esses tenderão à atomização, depressa cairão no esquecimento, tal não será a azucrinação que sofrerão ouvidos e cérebros!... Sim, depressa todos recorrerão à melodia inefável, à harmonia perfeita. Haverá problemas, claro!, de vez em quando uma palheta parte, um si desafina, mas… Que me lembre, os pássaros já fazem isso… e até outros animais, mas se vamos por aí nunca mais daqui saio. Bem, vocês entendem… um apelo em música; uma ordem em soprano… okey, em barítono… concordo! Bem, voltando à narrativa, dizia eu que o sr. guarda de balcão e secretária, com a natureza florestal só contactara mesmo durante o período do curso, e ainda assim… O homem não conhece o cheiro do mato, o cheiro à terra quando, depois de muito votada ao abandono da chuva esta volta a cair altruisticamente. Coisas que já experienciara, sim, mas das quais agora aos sessenta e três anos de idade já não fazia a mínima… Uma coisa é certa, aquele guarda florestal sempre se apresentara ao serviço conforme impõem as rígidas regras militares ou mesmo militarizadas. Farda devidamente engomada, gravata no sítio, sapatos engraxados, a velha pistola à cintura… Tudo no sítio, sempre! O senhor Vitorino Rosmaninho Palonço é de facto homem de respeito. Pode não distinguir um pinheiro duma acácia, mas é um respeitável guarda de florestas, com folha de serviço sem mácula. No bairro da capital de distrito onde morava, para todos era o sr. guarda. Até o edil lá do sítio o tratava com desusada deferência… Afinal autarca é autarca… por mais grande ou maior que seja um guarda florestal, a hierarquia beneficia o outro. Nunca compreendi todos aqueles paparicos, mas… Bem, acontece que os seus grandes feitos à secretária e ao balcão – não falámos deles aqui, nem acolá o faremos, descansem! - chegaram ao conhecimento das majestades do sector. Daí que o sr. director regional tenha convocado, sem carácter de urgência mas com interesse afirmado, o seu chefe de serviço com o fim de com ele travar conversa sobre uma possível transferência do guarda Vitorino para os Serviços Centrais, em Lisboa. Só uma demorada análise à figura do chefe, que nos faz chegar à conclusão que o dito é mesmo chefe… pois, se o é manda, não faz!..., nos permite compreender a paradoxal relação sentimental que demonstrou em relação ao subalterno. Pois se por um lado afirma ao director ser realmente aquele um guarda de competência pouco vista, o melhor dos elementos, que até merecia uma promoção, por outro roncava – como o canto seria tão melhor! -, denotando míngua de respeito pelo sr. director – cá para mim é daqueles que vê muito o “ Canal Parlamento”-, que não, que o homem sempre ali vivera; que ali se encontravam os filhos, os netos, quase toda a sua família e amigos… E depois quem é que meteria ele a picar os bois?!... A ausência de aspas na expressão obriga-me, a mim, que comparando os acervos de escrúpulos, meu e do chefe, fico a ganhar, a um clamado pedido de desculpas aos animais da repartição… que de homens se trata, não de bois!... Aqui ficam, pois, aquelas!... Pois, mas continuando: sim, mas o homem vai ganhar mais, returque o director, sabedor das invulgares capacidades do sr. Vitorino como guardador de florestas, embora em gabinete; conhecedor do zelo indizível, mesmo desvelo, que põe no seu serviço, ainda que da floresta só trabalhe mesmo com o subproduto papel. Roupa à civil, ausência de pistola, altos conhecimentos, continuava… Pereira, chame ao seu gabinete o guarda Vitorino e exponha-lhe o cenário! Certo?; pronto, senhor director, assim farei… E fez, e o aprumado Vitorino, depois de prestada toda a atenção à debitação do superior, responde que não, que não vai para Lisboa coisa nenhuma, isso seria ficar longe da família e dos amigos… e ainda por cima sem usar farda e pistola?! Não! Pode transmitir ao senhor director que aprecio muito a sua consideração por mim mas que não posso aceitar; eu bem que já adivinhava a tua resposta, Vitorino… e muito me alegra ela!... E vai daí, o neto dele, dele do guarda, espero que não se tenham esquecido do rapaz!, o filho do filho do meio, que apesar de ter um papá dono da maior e mais conceituada carpintaria da região não distingue uma serra dum serrote… bem, só cá pr’a mim, nem eu! Qual é a diferença?... Mas o que é que eu queria mesmo com isto?; do que falava eu?... Ah, do bem-vestido-à-marca, aluno do 12º ano de escolaridade, que resolvera cravar no placard de mensagens da sua nobilíssima escola o anúncio de que pr’a ele só uma rapariga muito bonita, muito inteligente e muito culta… E então?! E então que logo no intervalo a seguir dele se aproximou uma jovem moçoila, assim logo à partida com um dos requisitos muito bem preenchido, e lhe pergunta Zé-Zé, gostaria muito de ver um acaso contigo assim juntinhos à beira-mar!; um acaso?!; sim, um acaso… é tão romântico!...; deves querer dizer ocaso, não?... Ela, vermelha: sabes, troco muito os ós pelos ás, não faz mal pois não?; não! Se queres ir à praia comigo ver o pôr-do-sol, por que não? Essas trocas não têm importância nenhuma. Mas olha, se por acaso algo mais se pôr… em cima de… Depois não te queixes!... Com voz de soprano, em melodia que exige acordes maiores, ela pergunta?: queixar-me, eu… achas?!... aaaaachas?!
Carlos Jesus Gil
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Como pode ela marrar, se ele é que possui os instrumentos?!
COMO PODE ELA MARRAR, SE ELE É QUE POSSUI OS INSTRUMENTOS?!
Trrim, trrim, trrim… As possibilidades do digital têm a capacidade de nos confundir com a maior das levezas: como poderia ele, num bolso que de tão exíguo ser até se mostra, convenhamos, desusado, transportar um daqueles vetustos calhamaços pretos, por cordão umbilical espiralado ligado a auscultador, também ele em absoluto nada fora da esfera do calhamaçado?! Como pode?!... O aparvalhamento logo terminou, como já adivinha o leitor. Heitor sacara do minúsculo multifunções que também dá para telefonar, e atendeu: sim, diz Heitor, amigo do amigo do primo de um amigo de um amigo meu, que foi quem mo contou, doutro modo não saberia eu que as coisas assim se passaram… ou quase, que também não me passa ao lado o conhecimento de que se ao conto cada um acrescentar o seu ponto… de vista… Mas, continuando, ouvira Heitor, de imediato, o seguinte: não tens o meu número gravado?!; ah, és tu, Luísa?; sim, quem querias tu que fosse?; ninguém, querida, desculpa…peço que me desculpes, tá? É que deve haver aqui alguma confusão nas entranhas deste télélé. Imagina tu que ainda ontem me telefonou o Cavaco e eu disse sim Dr. Mário, como vai a Dra. Maria? Imagina tu!... Tenho que trocar isto. Deve ser resultado do impacto da semana passada, lembras-te?, quando o mandei, com quanta força tinha, à parede do quarto da tua residência académica, depois de te ter apanhado a brincar toda nua com um colega teu que, como tu, também tem gostos duvidosos… Também brinca todo nu e na cama! Quantas vezes falámos, sim, nas outras situações quejandas, que não fica nada bem brincar nu?... Quantas vezes me disseste sim tens razão, não volto a tirar a roupa pr,a brincar… Mas voltaste, e eu, pimba… telemóvel contra a parede. Se calhar é mesmo disso. Tenho que trocá-lo!... Mas espera lá!, está aí alguém contigo… e está a rir… a rir muito. Tens isso em alta-voz, é? Quem é que está aí a rir?... E tu também, por que ris tu?; não te preocupes, sou eu que estou aqui a brincar com um colega… mas não é o outro, é outro… não te chateies! Ah, e estamos vestidos. Estamos a brincar vestidos, tá?; assim está bem! Mas afinal o que é que querias?; era só pedir-te que não viesses cá esta noite, é que vou aproveitar e vou marrar toda a noite pr’ó exame de Sexta-Feira; assim é que é. Dá-lhe com força! Pronto, estuda muito e um beijo grande… E ela, já numa embrulhada de genuínos gemidos: beeeijo grandão.
Carlos Jesus Gil
Trrim, trrim, trrim… As possibilidades do digital têm a capacidade de nos confundir com a maior das levezas: como poderia ele, num bolso que de tão exíguo ser até se mostra, convenhamos, desusado, transportar um daqueles vetustos calhamaços pretos, por cordão umbilical espiralado ligado a auscultador, também ele em absoluto nada fora da esfera do calhamaçado?! Como pode?!... O aparvalhamento logo terminou, como já adivinha o leitor. Heitor sacara do minúsculo multifunções que também dá para telefonar, e atendeu: sim, diz Heitor, amigo do amigo do primo de um amigo de um amigo meu, que foi quem mo contou, doutro modo não saberia eu que as coisas assim se passaram… ou quase, que também não me passa ao lado o conhecimento de que se ao conto cada um acrescentar o seu ponto… de vista… Mas, continuando, ouvira Heitor, de imediato, o seguinte: não tens o meu número gravado?!; ah, és tu, Luísa?; sim, quem querias tu que fosse?; ninguém, querida, desculpa…peço que me desculpes, tá? É que deve haver aqui alguma confusão nas entranhas deste télélé. Imagina tu que ainda ontem me telefonou o Cavaco e eu disse sim Dr. Mário, como vai a Dra. Maria? Imagina tu!... Tenho que trocar isto. Deve ser resultado do impacto da semana passada, lembras-te?, quando o mandei, com quanta força tinha, à parede do quarto da tua residência académica, depois de te ter apanhado a brincar toda nua com um colega teu que, como tu, também tem gostos duvidosos… Também brinca todo nu e na cama! Quantas vezes falámos, sim, nas outras situações quejandas, que não fica nada bem brincar nu?... Quantas vezes me disseste sim tens razão, não volto a tirar a roupa pr,a brincar… Mas voltaste, e eu, pimba… telemóvel contra a parede. Se calhar é mesmo disso. Tenho que trocá-lo!... Mas espera lá!, está aí alguém contigo… e está a rir… a rir muito. Tens isso em alta-voz, é? Quem é que está aí a rir?... E tu também, por que ris tu?; não te preocupes, sou eu que estou aqui a brincar com um colega… mas não é o outro, é outro… não te chateies! Ah, e estamos vestidos. Estamos a brincar vestidos, tá?; assim está bem! Mas afinal o que é que querias?; era só pedir-te que não viesses cá esta noite, é que vou aproveitar e vou marrar toda a noite pr’ó exame de Sexta-Feira; assim é que é. Dá-lhe com força! Pronto, estuda muito e um beijo grande… E ela, já numa embrulhada de genuínos gemidos: beeeijo grandão.
Carlos Jesus Gil
Domingo, 28 de Junho de 2009
Remédio p'rás moscas
REMÉDIO P’RÁS MOSCAS
Certa vez fui a um supermercado e pedi remédio p’rás moscas. Vai daí, a senhora perguntou-me:
- O sr. tem moscas?; estão doentes?; o que é que têm?
- … Fiquei sem palavras! Encontrava-me, já, quase na rua quando a refinada senhora ainda me atira com esta:
- Nas farmácias, nas farmácias é que há remédios!
E pronto!
Carlos Jesus Gil
Certa vez fui a um supermercado e pedi remédio p’rás moscas. Vai daí, a senhora perguntou-me:
- O sr. tem moscas?; estão doentes?; o que é que têm?
- … Fiquei sem palavras! Encontrava-me, já, quase na rua quando a refinada senhora ainda me atira com esta:
- Nas farmácias, nas farmácias é que há remédios!
E pronto!
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Michael Jackson
Não foi criança... teve uma CARREIRA!
No meu entender, o maior cantor pop de sempre. Ritmicamente imbatível, ouvido harmónico do melhor!---------» A melodia surgia etérea!
Foi a minha homenagem
Carlos Jesus Gil
No meu entender, o maior cantor pop de sempre. Ritmicamente imbatível, ouvido harmónico do melhor!---------» A melodia surgia etérea!
Foi a minha homenagem
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Cientista "incendiário"
James Watson, cientista, co-autor da descoberta da estrutura da molécula de ADN e Nobel da medicina, declarou, há uns tempos, ao Sunday Times, que a genética dos negros faz com que sejam menos inteligentes do que os brancos.A indignação, por parte da comunidade científica e não só, fez-se sentir de imediato. Tal evidência levou a direcção do laboratório onde tem laborado a suspendê-lo definitivamente das suas funções de administrador, mantendo-o, provisoriamente -até que decisão definitiva fosse tomada-, como investigador.Watson acabou por dizer que as suas palavras não foram bem interpretadas, acabando por emitir um pedido de desculpas, acrescentando que não existe base científica que sustente a inferioridade dos negros.Então?... Um Nobel, reputado cientista, certamente senhor de todos os cuidados e ponderações, lança, assim - sem pilar científico que a aguente-, tão polémica afirmação!
Tá mal!
Carlos Jesus Gil
Tá mal!
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Gerações - vontades mudadas
GERAÇÕES – VONTADES MUDADAS
Na geração dos meus pais e na dos meus avós e na dos pais deles e… tinha-se como certo que a melhor forma de proteger a família era trabalhando, trabalhando, trabalhando, negligenciando - por amor, sim, por amor - coisas tão ou mais importantes.
Nas gerações da abnegação trabalhava-se para o futuro, o dos filhos e o dos filhos dos filhos. Trabalhava-se para o sangue, corresse ele no seu tempo ou circulasse quando os genes causais já mais não fossem do que partes de plantas…e oxigénio.
Na geração dos meus pais adiava-se a vida.
Noto diferenças, hoje.
Quem vive pelos meus avós?
Não viveram eles, não vivemos nós!
Noto diferenças, hoje.
Bem, ainda bem,
se não descambar para a incúria!
Bem, ainda bem.
Se todas as gerações adiassem a vida, quem a viveria?
Usar o Mundo não é o mesmo que viver o Mundo!
Carlos Jesus Gil
Na geração dos meus pais e na dos meus avós e na dos pais deles e… tinha-se como certo que a melhor forma de proteger a família era trabalhando, trabalhando, trabalhando, negligenciando - por amor, sim, por amor - coisas tão ou mais importantes.
Nas gerações da abnegação trabalhava-se para o futuro, o dos filhos e o dos filhos dos filhos. Trabalhava-se para o sangue, corresse ele no seu tempo ou circulasse quando os genes causais já mais não fossem do que partes de plantas…e oxigénio.
Na geração dos meus pais adiava-se a vida.
Noto diferenças, hoje.
Quem vive pelos meus avós?
Não viveram eles, não vivemos nós!
Noto diferenças, hoje.
Bem, ainda bem,
se não descambar para a incúria!
Bem, ainda bem.
Se todas as gerações adiassem a vida, quem a viveria?
Usar o Mundo não é o mesmo que viver o Mundo!
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Perfeição na diversidade... Mas primeiro comem os leões, ohhh!
PERFEIÇÃO NA DIVERSIDADE… MAS PRIMEIRO COMEM OS LEÕES, OHHH!
Vi desertos
Ermos
Amplos
Vi prados
E florestas onde o verde impera
Vi-os, vi-as a perder de vista
Conheço uma paleta indizível
Vi areias
- Filhas beneficamente arrancadas a penhascos –
E as mães
Sim
Experienciei o apelativo sinuoso
E a doce monotonia indolente
Ouvi gritos
Nem todos de dor
E os de dor convém distingui-los
Não desconheço as convenções…
algumas delas
Vi gente “boa”
Da outra também
Ah, e gente “linda”
Pois, e da outra também
Vi o Sol
Vi a chuva
A calmaria
A tempestade
A maldade
A bonomia
A fartança
A saudade
Vi animais
Vi plantas
De outros reinos também
Estudei tudo a preceito
… É tanto, tanto, tanto e não demais!
Há isto
Há aquilo
E tudo… que profusão!
Tanto, tanto que é!
Hodiernamente.
No passado não assim
No porvir, mais e mais e mais
Que o muito do pouco vem.
Porém, agora como dantes
Nada igual
Tudo diverso.
Eis a riqueza
Do universo!
E eu pensei
É bom
É bom assim
É muito bom
Óptimo
Perfeito!
Perfeito?!!
Mas, se os leões são os primeiros a comer!
Carlos Jesus Gil
Vi desertos
Ermos
Amplos
Vi prados
E florestas onde o verde impera
Vi-os, vi-as a perder de vista
Conheço uma paleta indizível
Vi areias
- Filhas beneficamente arrancadas a penhascos –
E as mães
Sim
Experienciei o apelativo sinuoso
E a doce monotonia indolente
Ouvi gritos
Nem todos de dor
E os de dor convém distingui-los
Não desconheço as convenções…
algumas delas
Vi gente “boa”
Da outra também
Ah, e gente “linda”
Pois, e da outra também
Vi o Sol
Vi a chuva
A calmaria
A tempestade
A maldade
A bonomia
A fartança
A saudade
Vi animais
Vi plantas
De outros reinos também
Estudei tudo a preceito
… É tanto, tanto, tanto e não demais!
Há isto
Há aquilo
E tudo… que profusão!
Tanto, tanto que é!
Hodiernamente.
No passado não assim
No porvir, mais e mais e mais
Que o muito do pouco vem.
Porém, agora como dantes
Nada igual
Tudo diverso.
Eis a riqueza
Do universo!
E eu pensei
É bom
É bom assim
É muito bom
Óptimo
Perfeito!
Perfeito?!!
Mas, se os leões são os primeiros a comer!
Carlos Jesus Gil
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Livreiro, não alfarrabista!
LIVREIRO, NÃO ALFARRABISTA!
Um destes dias, por alturas do aniversário de uma boa amiga minha, fanática pela “Mafalda”, dirigi-me a uma livraria e disse, a quem de direito, que queria um livro da “Mafalda”… um ou até mais. E vai daí o senhor de direito disse que não vendiam livros em segunda mão, e eu retorqui, assim meio aparvalhado, que queria um ou mais livros da “Mafalda” mas novos… e, como começava a perceber o que se passava, até encetei uma curta explicação dizendo que era da “Mafalda”, aquela menina…, e ele, deferente mas obstinado, disse ah, aquela menina loirinha filha da dona Hermínia! Boa e linda menina, sim senhor! Pois, mas você não está a entender. É que nós não somos alfarrabistas… E mais me disse, agora nitidamente com uma cara assim pr’ó montes de admirado, que não compreendia como é que eu pedia com tão grande naturalidade, mesmo que de alfarrabista se tratasse, um livro ou livros de uma pessoa específica… Como é que ele iria saber que livro ou livros foram outrora pertença de Mafalda… Só se ela os tivesse assinado, que não iríamos com certeza recorrer às virtudes das impressões digitais, e, a tal ter acontecido, o esforço, do corpo e da mente, espiolhando aqui, vasculhando acolá – que ter a sorte de encontrar à primeira, ainda por cima mais do que um, não é coisa plausível -, seria imenso.
De maneira que acabei por me decidir pelo “ Guerra e Paz “, que se me insinuava desavergonhadamente, e não fugia muito ao género.
E de modos que foi assim!
Carlos Jesus Gil
Um destes dias, por alturas do aniversário de uma boa amiga minha, fanática pela “Mafalda”, dirigi-me a uma livraria e disse, a quem de direito, que queria um livro da “Mafalda”… um ou até mais. E vai daí o senhor de direito disse que não vendiam livros em segunda mão, e eu retorqui, assim meio aparvalhado, que queria um ou mais livros da “Mafalda” mas novos… e, como começava a perceber o que se passava, até encetei uma curta explicação dizendo que era da “Mafalda”, aquela menina…, e ele, deferente mas obstinado, disse ah, aquela menina loirinha filha da dona Hermínia! Boa e linda menina, sim senhor! Pois, mas você não está a entender. É que nós não somos alfarrabistas… E mais me disse, agora nitidamente com uma cara assim pr’ó montes de admirado, que não compreendia como é que eu pedia com tão grande naturalidade, mesmo que de alfarrabista se tratasse, um livro ou livros de uma pessoa específica… Como é que ele iria saber que livro ou livros foram outrora pertença de Mafalda… Só se ela os tivesse assinado, que não iríamos com certeza recorrer às virtudes das impressões digitais, e, a tal ter acontecido, o esforço, do corpo e da mente, espiolhando aqui, vasculhando acolá – que ter a sorte de encontrar à primeira, ainda por cima mais do que um, não é coisa plausível -, seria imenso.
De maneira que acabei por me decidir pelo “ Guerra e Paz “, que se me insinuava desavergonhadamente, e não fugia muito ao género.
E de modos que foi assim!
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
O empréstimo
O EMPRÉSTIMO
A conversa já durava há bué. No seu moderno gabinete, daqueles à vista de todos mas sem quase nada dar a ver a todos, que o segredo ainda continua a ser a alma do negócio, eles é que arquitectonicamente nos querem fazer ver que não… que já era!, a gerente de agência, depois de esgotada a real complacência recorrera a uma não menos tangível, se ao esforço de aceitarmos o termo nos quisermos dar, displicência, logo seguida do uso e abuso, que o foi, convenhamos!, de eufemismos como forma de caracterizar as posses e a idoneidade, e aquelas têm muito a ver com esta, sim…têm!, do jovem senhor Manuel Arraia Mexilhão.
“ Quando for grande quero ser banqueiro”, dizia ele, visivelmente consternado. “ O senhor quer dizer bancário, não é?”, indagava, presunçosa, a bem- vestida-bancária. “Não, banqueiro! Banqueiro, porra!”, reiterou com acrescento, Arraia Mexilhão, ao mesmo tempo que desferia forte golpe de punho cerrado no tampo da pomposa secretária, donde, num simultâneo arrepiante - terá uma coisa tido a ver com outra?!... hummm! -, caía um elegante, esbeltíssimo monitor de computador. Ainda mais arrepiante foi notar, e notou-o quem lá não estava mas germinou o relatado, que também no mesmo segundo toda a clientela e concolaboradores da dita senhora, em todas as secções, se deitava instintivamente - de barriga pr’a baixo, está claro!, - no chão… Andaram na tropa, tenho a certeza!... Só depois de, a medo, dirigirem uma espreitadela ao local do “crime”, é que paulatinamente lá se vão levantando e continuando as suas diligências. A senhora do gabinete, essa continuava como se nada fosse com ela. Serenamente - pareceu-me -, lá esperançou o senhor Mexilhão da possibilidade de daí a uns tempitos até ser possível o pretendido… E ele lá seguiu o seu caminho sem dar estranheza às algibeiras nem gasto a tinta de esferográfica.
Afinal, agora que a frio penso nisso, tão somente quisera a figurísima senhora-bem- vestida firmar a justiça da decisão e afirmar o formal poder que lhe fora conferido! Não?... Sabe-o tão bem, Arraia Mexilhão!
Carlos Jesus Gil
A conversa já durava há bué. No seu moderno gabinete, daqueles à vista de todos mas sem quase nada dar a ver a todos, que o segredo ainda continua a ser a alma do negócio, eles é que arquitectonicamente nos querem fazer ver que não… que já era!, a gerente de agência, depois de esgotada a real complacência recorrera a uma não menos tangível, se ao esforço de aceitarmos o termo nos quisermos dar, displicência, logo seguida do uso e abuso, que o foi, convenhamos!, de eufemismos como forma de caracterizar as posses e a idoneidade, e aquelas têm muito a ver com esta, sim…têm!, do jovem senhor Manuel Arraia Mexilhão.
“ Quando for grande quero ser banqueiro”, dizia ele, visivelmente consternado. “ O senhor quer dizer bancário, não é?”, indagava, presunçosa, a bem- vestida-bancária. “Não, banqueiro! Banqueiro, porra!”, reiterou com acrescento, Arraia Mexilhão, ao mesmo tempo que desferia forte golpe de punho cerrado no tampo da pomposa secretária, donde, num simultâneo arrepiante - terá uma coisa tido a ver com outra?!... hummm! -, caía um elegante, esbeltíssimo monitor de computador. Ainda mais arrepiante foi notar, e notou-o quem lá não estava mas germinou o relatado, que também no mesmo segundo toda a clientela e concolaboradores da dita senhora, em todas as secções, se deitava instintivamente - de barriga pr’a baixo, está claro!, - no chão… Andaram na tropa, tenho a certeza!... Só depois de, a medo, dirigirem uma espreitadela ao local do “crime”, é que paulatinamente lá se vão levantando e continuando as suas diligências. A senhora do gabinete, essa continuava como se nada fosse com ela. Serenamente - pareceu-me -, lá esperançou o senhor Mexilhão da possibilidade de daí a uns tempitos até ser possível o pretendido… E ele lá seguiu o seu caminho sem dar estranheza às algibeiras nem gasto a tinta de esferográfica.
Afinal, agora que a frio penso nisso, tão somente quisera a figurísima senhora-bem- vestida firmar a justiça da decisão e afirmar o formal poder que lhe fora conferido! Não?... Sabe-o tão bem, Arraia Mexilhão!
Carlos Jesus Gil
Terça-feira, 2 de Junho de 2009
A entrevista
A ENTREVISTA
…
- Então eu vou cantar-lhe. Já apanhei este tempo em que a mobilidade no emprego substituiu o aconchego do emprego para toda a vida. Daí que já tenha sido…, durante uns duros seis meses o fui; fiz uma campanha de nove meses na…; trabalhei como vendedor numa empresa de… Aqui, digo-o, não me dei absolutamente nada bem. Muito pelo contrário!... Estive lá ano e meio. Fui ainda, durante um ano, funcionário numa empresa de… Ah!, já me esquecia, servi durante dezoito meses nas… E, modéstia à parte, era bom naquilo.
- Então, com excepção daqueles tempos nas vendas, pode dizer-se que se deu sempre muito bem nos empregos por onde passou… Não é verdade?
- Sim, dos outros gostei imenso!
- Mas… tão curta estada em cada um!!
- É que, sabe?, eu dei-me bem, os patrões é que nem por isso, muito embora todos me tenham dito, na hora do pontapé-no-rabo, que eu até era um bom rapaz. E eu sou de facto um bom rapaz, pr’ás calendas as falsas modéstias! Por isso desde já o informo que, em boa verdade, sou bom, muito bom mesmo… um verdadeiro especialista, mas só numa coisa – passe a redundância, que especialistas a sério só os vemos numa coisa…
- Diga, diga!
- Refiro-me ao lançamento de redes. Aí é que eu sou mesmo bom, palavra!
- Oh homem, mas então por que veio até aqui?! Não seria melhor dedicar-se à pesca?!... O peixe está tão caro!
- Pois, o problema é que apesar de ser um ás a lançá-las, sempre fui uma nódoa a recolhe-las!
- Ah!!!... Oh raio!!!!!
Carlos Jesus Gil
…
- Então eu vou cantar-lhe. Já apanhei este tempo em que a mobilidade no emprego substituiu o aconchego do emprego para toda a vida. Daí que já tenha sido…, durante uns duros seis meses o fui; fiz uma campanha de nove meses na…; trabalhei como vendedor numa empresa de… Aqui, digo-o, não me dei absolutamente nada bem. Muito pelo contrário!... Estive lá ano e meio. Fui ainda, durante um ano, funcionário numa empresa de… Ah!, já me esquecia, servi durante dezoito meses nas… E, modéstia à parte, era bom naquilo.
- Então, com excepção daqueles tempos nas vendas, pode dizer-se que se deu sempre muito bem nos empregos por onde passou… Não é verdade?
- Sim, dos outros gostei imenso!
- Mas… tão curta estada em cada um!!
- É que, sabe?, eu dei-me bem, os patrões é que nem por isso, muito embora todos me tenham dito, na hora do pontapé-no-rabo, que eu até era um bom rapaz. E eu sou de facto um bom rapaz, pr’ás calendas as falsas modéstias! Por isso desde já o informo que, em boa verdade, sou bom, muito bom mesmo… um verdadeiro especialista, mas só numa coisa – passe a redundância, que especialistas a sério só os vemos numa coisa…
- Diga, diga!
- Refiro-me ao lançamento de redes. Aí é que eu sou mesmo bom, palavra!
- Oh homem, mas então por que veio até aqui?! Não seria melhor dedicar-se à pesca?!... O peixe está tão caro!
- Pois, o problema é que apesar de ser um ás a lançá-las, sempre fui uma nódoa a recolhe-las!
- Ah!!!... Oh raio!!!!!
Carlos Jesus Gil
Sábado, 30 de Maio de 2009
Sombra... na luz; no escuro
SOMBRA… NA LUZ; NO ESCURO
O que há mais é solidão!
Existem bué delas
De coisas
Mas o que há mais é solidão!
Atentem na peça x daquele motor!
… Junta com outras, não?
Pois é, não se livra ela da solidão.
Há diálogo
Tão só!
Arquitectura
Engenharia
De tudo
De todos
Eiva-as a solidão!
Vielas abundam:
negócio
Longas avenidas:
Amizade
Sim, e boulevards:
Amor
Mas o que há mais é solidão!
E também intermitência!
Em Tudo
Em Todos
solidão!
Carlos Jesus Gil
O que há mais é solidão!
Existem bué delas
De coisas
Mas o que há mais é solidão!
Atentem na peça x daquele motor!
… Junta com outras, não?
Pois é, não se livra ela da solidão.
Há diálogo
Tão só!
Arquitectura
Engenharia
De tudo
De todos
Eiva-as a solidão!
Vielas abundam:
negócio
Longas avenidas:
Amizade
Sim, e boulevards:
Amor
Mas o que há mais é solidão!
E também intermitência!
Em Tudo
Em Todos
solidão!
Carlos Jesus Gil
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Os Elementos
OS ELEMENTOS
Areia mais húmus ---------» solo
Junte-se lhe água
Receba-se o Sol
Ganhamos um colo
Ausência de mágoa
Mesmo com tormento
Temos alimento!
Carlos Jesus Gil
Areia mais húmus ---------» solo
Junte-se lhe água
Receba-se o Sol
Ganhamos um colo
Ausência de mágoa
Mesmo com tormento
Temos alimento!
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Negócio/Ócio
NEGÓCIO/ÓCIO
O senhor das obras pr’a mim:
- Saiba!, nunca fiz negócio como forma de negação do ócio… sério, rapaz! Oh oh! Negar o ócio, eu?! Eu, que quando era “zé ninguém” tanto invejava quem o cultivava?! Eu, que lhe reconheço a virtude do impulso…sim, este ímpeto que me trouxe até aqui e que ainda hoje me invade!... Não, eu idolatro o ócio. Por ele formiguei e amigalhei… Tanto que já não dou conta de quantos migalheiros. Aliás, já não tenho migalheiros… Pois é, meu caro, foi para ser também digno dele, seu cultor, que fiz e faço freneticamente negócio… Não para o negar!
- Então, mas…?
- Pois, não diga mais nada meu rapaz. Nunca o vira eu mais magro; sei que não passei das intenções. Tenho plena consciência disso… Reconheço-me um miserável escravo do negócio… Alforria?... Hummmm!
Carlos Jesus Gil
O senhor das obras pr’a mim:
- Saiba!, nunca fiz negócio como forma de negação do ócio… sério, rapaz! Oh oh! Negar o ócio, eu?! Eu, que quando era “zé ninguém” tanto invejava quem o cultivava?! Eu, que lhe reconheço a virtude do impulso…sim, este ímpeto que me trouxe até aqui e que ainda hoje me invade!... Não, eu idolatro o ócio. Por ele formiguei e amigalhei… Tanto que já não dou conta de quantos migalheiros. Aliás, já não tenho migalheiros… Pois é, meu caro, foi para ser também digno dele, seu cultor, que fiz e faço freneticamente negócio… Não para o negar!
- Então, mas…?
- Pois, não diga mais nada meu rapaz. Nunca o vira eu mais magro; sei que não passei das intenções. Tenho plena consciência disso… Reconheço-me um miserável escravo do negócio… Alforria?... Hummmm!
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Livros
LIVROS
Gosto de os ter; todos os bons livros quero adquirir. Sou um comprador compulsivo de livros. Hei-de ter biblioteca ou bibliotecas pejadas de livros do chão ao tecto; só dispensarei espaço para a luz, muita luz – terei, forçosamente, que recorrer a um Siza – e, obviamente, para um centro amplo com mesas q. b. e cadeiras em proporção. Isto porque os não quero só para mim…
Livros…, dão-me remorsos os que ainda não li embora os possua já!... Gosto de os tocar, de os ler, de os cheirar, de os reler.
Aprende-se tudo na relação de complementaridade existente entre os livros e a experiência. Num bom romance, por exemplo, podemos: aprender História, absorver Filosofia, compreender políticas e politiquices, entender de um modo simples um complicado fenómeno natural – que o cientista, porque o experiência e vive, percebe na plenitude mas não explica cristalinamente, por natural incapacidade -, entender o mundo económico e social, cheirar e ver em estranha realidade os cenários (ao ler um romance encontro-me num cinema…, sou director de fotografia, sou o homem do som, sou o realizador e, se for do meu agrado, até sou o protagonista…), enfim, um bom romance inocula doses cavalares de estoicismo, sopra auras antidesalento.
Livros, gosto dos velhos e dos novos, de todos os que entretêm ou acrescentam… Gosto de os ler, reler – a alguns de re-reler -, de os dar a ler, de os discutir; gosto de os usar, porém nunca mas nunca de os estragar (não é sujo o sujo do uso; é de exaltar a perda de elegância física de um livro quando a mesma se deve à sublime função para que foi concebido - que estar direitinho na estante é desdenhá-lo -, agora estropiá-los…, estropiar livros?! Fico furibundo quando me deparo com tal!).
Livros: unidades fabris onde operam palavras; cidades de palavras; espaços de lazer para palavras – que os compartilham simbioticamente com os humanos -; parques desportivos para palavras; por vezes, maternidades para palavras.
Livros: palavras, imagens – que todas as palavras projectam imagens -, emoções…Vida!
Carlos Jesus Gil
Gosto de os ter; todos os bons livros quero adquirir. Sou um comprador compulsivo de livros. Hei-de ter biblioteca ou bibliotecas pejadas de livros do chão ao tecto; só dispensarei espaço para a luz, muita luz – terei, forçosamente, que recorrer a um Siza – e, obviamente, para um centro amplo com mesas q. b. e cadeiras em proporção. Isto porque os não quero só para mim…
Livros…, dão-me remorsos os que ainda não li embora os possua já!... Gosto de os tocar, de os ler, de os cheirar, de os reler.
Aprende-se tudo na relação de complementaridade existente entre os livros e a experiência. Num bom romance, por exemplo, podemos: aprender História, absorver Filosofia, compreender políticas e politiquices, entender de um modo simples um complicado fenómeno natural – que o cientista, porque o experiência e vive, percebe na plenitude mas não explica cristalinamente, por natural incapacidade -, entender o mundo económico e social, cheirar e ver em estranha realidade os cenários (ao ler um romance encontro-me num cinema…, sou director de fotografia, sou o homem do som, sou o realizador e, se for do meu agrado, até sou o protagonista…), enfim, um bom romance inocula doses cavalares de estoicismo, sopra auras antidesalento.
Livros, gosto dos velhos e dos novos, de todos os que entretêm ou acrescentam… Gosto de os ler, reler – a alguns de re-reler -, de os dar a ler, de os discutir; gosto de os usar, porém nunca mas nunca de os estragar (não é sujo o sujo do uso; é de exaltar a perda de elegância física de um livro quando a mesma se deve à sublime função para que foi concebido - que estar direitinho na estante é desdenhá-lo -, agora estropiá-los…, estropiar livros?! Fico furibundo quando me deparo com tal!).
Livros: unidades fabris onde operam palavras; cidades de palavras; espaços de lazer para palavras – que os compartilham simbioticamente com os humanos -; parques desportivos para palavras; por vezes, maternidades para palavras.
Livros: palavras, imagens – que todas as palavras projectam imagens -, emoções…Vida!
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
A ditadura do futuro
DITADURA DO FUTURO
Mesmo quando tudo está bem – connosco, com os nossos -; mesmo quando o Sol brilha e o vento assume o heterónimo de brisa; mesmo quando a melodia que escutamos é deveras inefável e a harmonia que a envolve empatiza com a nossa; mesmo quando as camisas que admiramos e defendemos são as mais transpiradas e as que mais vezes são levantadas, à guisa de brinde; mesmo quando a química inexplicavelmente inexplicável nos torna parte dum óptimo produto de reacção; mesmo quando tudo isto acontece em simultâneo e até o metal aparece, mesmo assim, nunca realizamos o pleno…Há sempre algo que obsta: a consciência do efémero, a incerteza do Futuro!
Carlos Jesus Gil
Mesmo quando tudo está bem – connosco, com os nossos -; mesmo quando o Sol brilha e o vento assume o heterónimo de brisa; mesmo quando a melodia que escutamos é deveras inefável e a harmonia que a envolve empatiza com a nossa; mesmo quando as camisas que admiramos e defendemos são as mais transpiradas e as que mais vezes são levantadas, à guisa de brinde; mesmo quando a química inexplicavelmente inexplicável nos torna parte dum óptimo produto de reacção; mesmo quando tudo isto acontece em simultâneo e até o metal aparece, mesmo assim, nunca realizamos o pleno…Há sempre algo que obsta: a consciência do efémero, a incerteza do Futuro!
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Isso é lá com elas!
ISSO É LÁ COM ELAS!
…
- És zabaneira!
- Zabaneira, eu!?
- Sim, e mais!: és também zabumba, os olhos dos outros o podem provar, e és, não o negues!, zambaia… bem, zambaia não, que tens inteiros os dois olhos, mas és zambra, lá isso és… E como isso se nota!
- Eu!!!?
- Tu sim! E mais: és ainda assaz zamboa… Tanto que até zabumbas… Arre!
Fungando: - Mas o que é que eu te fiz?
Carlos Jesus Gil
…
- És zabaneira!
- Zabaneira, eu!?
- Sim, e mais!: és também zabumba, os olhos dos outros o podem provar, e és, não o negues!, zambaia… bem, zambaia não, que tens inteiros os dois olhos, mas és zambra, lá isso és… E como isso se nota!
- Eu!!!?
- Tu sim! E mais: és ainda assaz zamboa… Tanto que até zabumbas… Arre!
Fungando: - Mas o que é que eu te fiz?
Carlos Jesus Gil
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Tenho pena!
TENHO PENA!
Pessoal, o post que se segue foi descaradamente influenciado por aquela da vaca branca e da vaca preta. O quê!? Não conhecem esse mimo de anedota!?... Tenho pena, mas aqui só posto inéditos da minha lavra! Terão que pedir a um dos nossos digníssimos comentadores que a conheçam, o favor de a postar em jeito de coment. Vale a pena, vão ver!
A minha é assim:
…
- Eh Silva, pá, tenho uma pena do caraças, do Alberto Mateus!
- Então porquê, homem?
- Eh pá, o gajo nunca acertou no totobola. Nunca, nunca mesmo!
- Olha, eu também não. E tu, já acertaste alguma vez?
- Não, sabes muito bem. Eu também nunca.
- Então!!!?
- Silva, mas é que o Alberto também nunca acertou no totoloto!
- Durbalino Asdrúbal, ouve lá!, eu também não. Mas tu pelos vistos já!
- Não, pá! Eu também não.
- Ouve lá, meu, afinal qual é o teu problema!?
- Ó silva, pá, é que o amigo Mateus também nunca acertou no loto dois, nem no joker, nem no euromilhões.
- Eu também não, mas tu já, não é meu milionáriozito duma cana?
- Não, pá. Sabes bem como é que eu vivo.
- Escuta uma coisa, Durbalino!, de nós tu tens pena?
- Eh pá, não. De nós não. É que, sabes, há sempre aquela esperançazita…
- Durbalino Asdrúbal, Durbalino Asdrúbal… Se fosse a ti ia a um especialista… de nomes! Pode ser que a coisa venha daí.
Carlos Jesus Gil
Pessoal, o post que se segue foi descaradamente influenciado por aquela da vaca branca e da vaca preta. O quê!? Não conhecem esse mimo de anedota!?... Tenho pena, mas aqui só posto inéditos da minha lavra! Terão que pedir a um dos nossos digníssimos comentadores que a conheçam, o favor de a postar em jeito de coment. Vale a pena, vão ver!
A minha é assim:
…
- Eh Silva, pá, tenho uma pena do caraças, do Alberto Mateus!
- Então porquê, homem?
- Eh pá, o gajo nunca acertou no totobola. Nunca, nunca mesmo!
- Olha, eu também não. E tu, já acertaste alguma vez?
- Não, sabes muito bem. Eu também nunca.
- Então!!!?
- Silva, mas é que o Alberto também nunca acertou no totoloto!
- Durbalino Asdrúbal, ouve lá!, eu também não. Mas tu pelos vistos já!
- Não, pá! Eu também não.
- Ouve lá, meu, afinal qual é o teu problema!?
- Ó silva, pá, é que o amigo Mateus também nunca acertou no loto dois, nem no joker, nem no euromilhões.
- Eu também não, mas tu já, não é meu milionáriozito duma cana?
- Não, pá. Sabes bem como é que eu vivo.
- Escuta uma coisa, Durbalino!, de nós tu tens pena?
- Eh pá, não. De nós não. É que, sabes, há sempre aquela esperançazita…
- Durbalino Asdrúbal, Durbalino Asdrúbal… Se fosse a ti ia a um especialista… de nomes! Pode ser que a coisa venha daí.
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 1 de Maio de 2009
Feeria subsiste
FEERIA SUBSISTE
Avassalador! Arrebatador espectáculo, de uma feeria indizível… Que autor/prodígio fora capaz de tal? : um rol de mutações aleatórias?; a auto-organização?; os dois em parceria num caos harmónico?
Até quando o labor do Mestre?... ou dos Mestres?
Carlos Jesus Gil
Avassalador! Arrebatador espectáculo, de uma feeria indizível… Que autor/prodígio fora capaz de tal? : um rol de mutações aleatórias?; a auto-organização?; os dois em parceria num caos harmónico?
Até quando o labor do Mestre?... ou dos Mestres?
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
A Ricardina e o Monstro
A RICARDINA E O MONSTRO
Embora de um modo bastante subliminar, suponho ser esta a segunda vez que neste blog à minha terra faço referência. É que, para além de generalista, pretendo-o um albergue do ecletismo que é o todo. Não tenho absolutamente nada contra bairrismos, localismos, regionalismos, chauvinismos… palavra!, só que aqui não. Aqui cabe a ecúmena e tudo o que a ela e aos que a tornam o que é diz respeito; aqui cabe o ecumenismo, entendendo o termo no parto mais directo de “ecúmena”; aqui cabe o mundo, como o entendo, o Cosmos… assim me venha à real gana!
Mas o que me fez, afinal, pegar hoje na esferográfica?... Não, não foi apenas o inegável facto de me encontrar a entediar, sabe-se lá porquê!, e de detestar “ Palavras Cruzadas ”. A verdade é que pretendo partilhar convosco uma lenda da minha terra. Ora vamos lá então, sem mais delongas: desde a idade em que jogava ao pião e trocava cromos, que ouço - esporadicamente, diga-se, que não fazem disso obsessão! - gentes da minha vizinhança aludirem à Carpa Ricardina. Segundo a oralidade documental, a esplêndida, embora esquecida, lagoa de água doce – doce, só porque vedado lhe está o sal que mora a escassos metros, do outro lado da duna primária; doce, mas sem açúcar, portanto! -, a Barrinha, onde tantas vezes nadei e pesquei, é, há décadas, largas, habitada por animal tão grande e arisco que, não fora esta confortável singularidade de simultaneidade de qualidades, e já alguém o teria fotografado… ou filmado. Sim, que de há muito que existem meios, e gente de máquinas em riste é o que não falta todo o ano por cima da dita a deslizar em rústicos – ok, senhores conhecedores, a maior parte já são daqueles foleirotes à brava. Eu sei que a Barrinha agora mais se parece com um parque Disney! – barquinhos. Refiro-me, pois à Carpa Ricardina… Que fulano a viu, beltrano e sicrano a avistaram, disso não existam dúvidas! O problema é que, como sabemos, a bicha é arisca… e depois parece que conhece de ginjeira quem fotografa ou filma e se apresenta munido dos respectivos apetrechos. Mais, acho que tem radar que avisa destas coisas!... De maneira que a, dizem, monstruosa mas bela carpa, só aparece de vez em quando e a quem ela bem entende e que ache sozinho, outra das condições pelo animal impostas.
Ora bem, tirando o facto de ainda ninguém do desenho, da pintura, das revistas, dos livros e do cinema se ter ocupado, por uma vez que fosse, da Ricardina; posto fora também, e aqui em jeito de especulação, a questão do tamanho, temos que a Ricardina se encontra para a Barrinha como o mítico monstro nórdico se encontra para o Loch Ness.
… Agora que terminei o texto, é que me dou conta de que há buéréré que ninguém fala nem dum nem doutro. Será que já ninguém alucina!?... Esta saiu-me assim a modos que furtivamente… ou não!
Carlos Jesus Gil
Embora de um modo bastante subliminar, suponho ser esta a segunda vez que neste blog à minha terra faço referência. É que, para além de generalista, pretendo-o um albergue do ecletismo que é o todo. Não tenho absolutamente nada contra bairrismos, localismos, regionalismos, chauvinismos… palavra!, só que aqui não. Aqui cabe a ecúmena e tudo o que a ela e aos que a tornam o que é diz respeito; aqui cabe o ecumenismo, entendendo o termo no parto mais directo de “ecúmena”; aqui cabe o mundo, como o entendo, o Cosmos… assim me venha à real gana!
Mas o que me fez, afinal, pegar hoje na esferográfica?... Não, não foi apenas o inegável facto de me encontrar a entediar, sabe-se lá porquê!, e de detestar “ Palavras Cruzadas ”. A verdade é que pretendo partilhar convosco uma lenda da minha terra. Ora vamos lá então, sem mais delongas: desde a idade em que jogava ao pião e trocava cromos, que ouço - esporadicamente, diga-se, que não fazem disso obsessão! - gentes da minha vizinhança aludirem à Carpa Ricardina. Segundo a oralidade documental, a esplêndida, embora esquecida, lagoa de água doce – doce, só porque vedado lhe está o sal que mora a escassos metros, do outro lado da duna primária; doce, mas sem açúcar, portanto! -, a Barrinha, onde tantas vezes nadei e pesquei, é, há décadas, largas, habitada por animal tão grande e arisco que, não fora esta confortável singularidade de simultaneidade de qualidades, e já alguém o teria fotografado… ou filmado. Sim, que de há muito que existem meios, e gente de máquinas em riste é o que não falta todo o ano por cima da dita a deslizar em rústicos – ok, senhores conhecedores, a maior parte já são daqueles foleirotes à brava. Eu sei que a Barrinha agora mais se parece com um parque Disney! – barquinhos. Refiro-me, pois à Carpa Ricardina… Que fulano a viu, beltrano e sicrano a avistaram, disso não existam dúvidas! O problema é que, como sabemos, a bicha é arisca… e depois parece que conhece de ginjeira quem fotografa ou filma e se apresenta munido dos respectivos apetrechos. Mais, acho que tem radar que avisa destas coisas!... De maneira que a, dizem, monstruosa mas bela carpa, só aparece de vez em quando e a quem ela bem entende e que ache sozinho, outra das condições pelo animal impostas.
Ora bem, tirando o facto de ainda ninguém do desenho, da pintura, das revistas, dos livros e do cinema se ter ocupado, por uma vez que fosse, da Ricardina; posto fora também, e aqui em jeito de especulação, a questão do tamanho, temos que a Ricardina se encontra para a Barrinha como o mítico monstro nórdico se encontra para o Loch Ness.
… Agora que terminei o texto, é que me dou conta de que há buéréré que ninguém fala nem dum nem doutro. Será que já ninguém alucina!?... Esta saiu-me assim a modos que furtivamente… ou não!
Carlos Jesus Gil
Sábado, 25 de Abril de 2009
Ui, tanta coisa!
UI, TANTA COISA!
Passou-se numa Segunda-feira. Não sei de que semana, qual o mês, nem tão-pouco do ano faço a mínima ideia. Porém, que Segunda-feira era, disso não tenho dúvida alguma!... Já agora, que se interrogam, por certo, “ Mas como é que o gajo sabe que foi numa Segunda-feira? “, eu digo-me, “ Pois é, pá eu, como é que eu tenho assim tanta certeza do dia da semana!? “… Só que esta tempestade cerebral comigo próprio cedo conhece o fim, visto eu logo me dizer, “ E eu tenho lá que saber como é que tenho assim tanta certeza!?... Lérias, xô, xô daqui… já! Boa, esta agora!, agora que repenso requestiono-me envergonhado, “ Então podia lá ser noutro dia!?... A uma Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado… ou mesmo Domingo!? Não! Claro, cristal, mais que óbvio que não!... Até me dá vontade de rir, carago, mas c’a raio de néscia hesitação!, vou-me repetir: até me dá vontade de rir. Todavia, como de assunto mui delicado se trata, já todos vimos, não?, não me vou dar esse prazer… Não vou! Até porque, cá só para nós, não sou assim tão hedonista! Aconteceu numa Segunda-feira, e pronto! “… E isto é que é o importante, heim?, é ou não?... Ah..., vocês consideram ainda mais importante a questão do que verdadeiramente se passou!... E eu sei lá!? Por que carga d’água é que eu haveria de saber o que realmente se passou? Eh pá, só naquela aldeiazitazinha muita bonitérrima, ali no Parque Nacional da Peneda-Gerês, naquela, estão a ver?, passou-se tão grande magote de coisas, que nem até ao fim do ano…!
Carlos Jesus Gil
Passou-se numa Segunda-feira. Não sei de que semana, qual o mês, nem tão-pouco do ano faço a mínima ideia. Porém, que Segunda-feira era, disso não tenho dúvida alguma!... Já agora, que se interrogam, por certo, “ Mas como é que o gajo sabe que foi numa Segunda-feira? “, eu digo-me, “ Pois é, pá eu, como é que eu tenho assim tanta certeza do dia da semana!? “… Só que esta tempestade cerebral comigo próprio cedo conhece o fim, visto eu logo me dizer, “ E eu tenho lá que saber como é que tenho assim tanta certeza!?... Lérias, xô, xô daqui… já! Boa, esta agora!, agora que repenso requestiono-me envergonhado, “ Então podia lá ser noutro dia!?... A uma Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado… ou mesmo Domingo!? Não! Claro, cristal, mais que óbvio que não!... Até me dá vontade de rir, carago, mas c’a raio de néscia hesitação!, vou-me repetir: até me dá vontade de rir. Todavia, como de assunto mui delicado se trata, já todos vimos, não?, não me vou dar esse prazer… Não vou! Até porque, cá só para nós, não sou assim tão hedonista! Aconteceu numa Segunda-feira, e pronto! “… E isto é que é o importante, heim?, é ou não?... Ah..., vocês consideram ainda mais importante a questão do que verdadeiramente se passou!... E eu sei lá!? Por que carga d’água é que eu haveria de saber o que realmente se passou? Eh pá, só naquela aldeiazitazinha muita bonitérrima, ali no Parque Nacional da Peneda-Gerês, naquela, estão a ver?, passou-se tão grande magote de coisas, que nem até ao fim do ano…!
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
O Cágado velho
O CÁGADO VELHO
Tão avisado, o Cágado Velho; tão enorme a sua sabedoria!... O Cágado Velho é simples, quer dizer, parece, que as perguntas que faz assim no-lo permitem pensar… Sim, é maiêutico, o Cágado velho. Como o outro, tão Velho quanto ele, procura conhecer-se a si próprio e chegar, assim como quem quer mesmo a coisa, a conhecimentos complexos, mesmo à Verdade; como o outro, não regista nada do que diz… sabe que outros o farão. Ao contrário do outro, não é ameaçado pela apologética apologia do sopro do que sabe mas, mais uma vez como o outro, defende a propagação da necessidade do exponencial aumento do saber, pois, como ele, sabe que nada sabe… Como me apraz o desejo que sinto em ser discípulo do Cágado Velho!
Carlos Jesus Gil
Tão avisado, o Cágado Velho; tão enorme a sua sabedoria!... O Cágado Velho é simples, quer dizer, parece, que as perguntas que faz assim no-lo permitem pensar… Sim, é maiêutico, o Cágado velho. Como o outro, tão Velho quanto ele, procura conhecer-se a si próprio e chegar, assim como quem quer mesmo a coisa, a conhecimentos complexos, mesmo à Verdade; como o outro, não regista nada do que diz… sabe que outros o farão. Ao contrário do outro, não é ameaçado pela apologética apologia do sopro do que sabe mas, mais uma vez como o outro, defende a propagação da necessidade do exponencial aumento do saber, pois, como ele, sabe que nada sabe… Como me apraz o desejo que sinto em ser discípulo do Cágado Velho!
Carlos Jesus Gil
Terça-feira, 21 de Abril de 2009
A semente de mostarda é pequenina
A SEMENTE DE MOSTARDA É PEQUENINA
Não te incomodes, tijolo,
em ser tijolo!
Ai dos aclamados arquitectos,
sim, dos magazináveis,
ai deles
e das transgeracionáveis obras,
contempladas, ou não, agora;
certamente assombrosas amanhã.
Ai deles… e delas
sem ti!
Carlos Jesus Gil
Não te incomodes, tijolo,
em ser tijolo!
Ai dos aclamados arquitectos,
sim, dos magazináveis,
ai deles
e das transgeracionáveis obras,
contempladas, ou não, agora;
certamente assombrosas amanhã.
Ai deles… e delas
sem ti!
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 17 de Abril de 2009
TRABALHO É SEMPRE
Só existe trabalho. Ou melhor, o trabalho é omnipresente; sem trabalho seria o nada!
O Universo é trabalho incessante. Nas galáxias, nas estrelas, nos planetas… nada pára, tudo trabalha; andamentos e ritmos diferentes, admitamos, mas tudo toca.
Já pensaram na hipótese de, em qualquer que seja o ser vivo, um órgão resolver descansar um pouco, mandriar? O ente logo entraria em estado de maleita, não é? Então, e se o órgão resolvesse meter férias ou reformar-se?...
Não, não me venham com essas!... Os malandros, os desempregados, os reformados e outros parados também trabalham. Para além dos órgãos que neles laboram – e eles também são os órgãos – só trabalharem porque eles se alimentam, e isso é trabalho, eles exercem a função de dar trabalho a outros – aliás, função acumulável e comum a tudo e todos.
Também as rochas, pois claro; as casas, as casinhas pois!; tudo o que é imóvel e todas as coisas avariadas que, no mínimo, exercem a função de proporcionar trabalho a outros ou a outras…coisas.
Trabalho, eternamente. Daí a Orquestra não parar, nunca!
O Palco?, Esse vive constantemente e perenemente rearranjos.
Carlos Jesus Gil
Só existe trabalho. Ou melhor, o trabalho é omnipresente; sem trabalho seria o nada!
O Universo é trabalho incessante. Nas galáxias, nas estrelas, nos planetas… nada pára, tudo trabalha; andamentos e ritmos diferentes, admitamos, mas tudo toca.
Já pensaram na hipótese de, em qualquer que seja o ser vivo, um órgão resolver descansar um pouco, mandriar? O ente logo entraria em estado de maleita, não é? Então, e se o órgão resolvesse meter férias ou reformar-se?...
Não, não me venham com essas!... Os malandros, os desempregados, os reformados e outros parados também trabalham. Para além dos órgãos que neles laboram – e eles também são os órgãos – só trabalharem porque eles se alimentam, e isso é trabalho, eles exercem a função de dar trabalho a outros – aliás, função acumulável e comum a tudo e todos.
Também as rochas, pois claro; as casas, as casinhas pois!; tudo o que é imóvel e todas as coisas avariadas que, no mínimo, exercem a função de proporcionar trabalho a outros ou a outras…coisas.
Trabalho, eternamente. Daí a Orquestra não parar, nunca!
O Palco?, Esse vive constantemente e perenemente rearranjos.
Carlos Jesus Gil
Quarta-feira, 15 de Abril de 2009
As saudades são de quem?
AS SAUDADES SÃO DE QUEM?
Ao telefone, o namorado, ausente, para a namorada… e vice-versa:
- Olá morzinho!, tudo bem? Tenho muitas saudades tuas!
- Olá môr, também tenho! Mas, espera lá, tens muitas saudades minhas!?
- Sim, muitas mesmo.
- Não me parece.
- Desculpa, tenho montes de saudades tuas. Não duvides!
- Não, eu não duvido dos teus sentimentos. Duvido é da legalidade sintáctica da expressão. Quer dizer, não duvido nada, sintacticamente até nem vejo problema algum, o que eu noto é uma total desvalorização da lógica… pasmaste? Não dizes nada? Môr, há nessa frase uma absoluta desvalorização da lógica, e isso não é legal. Consideras despicienda a coerência?... Continuas pasmado, já vi. Olha lá, a gramática é importante, bué, não supera, contudo, em valor de mercado comunicacional, aquelas duas.
Môr, eu também tenho muitas saudades… de ti, não tuas. Entendes?
- Pronto, pasmei mas percebi. Morzinho, o essencial em comunicação é entendermo-nos, e tu entendeste-me. Quiseste escrever um pequeno ensaio sobre o assunto, né? Tá, só de ouvir a tua voz já se me alegra o coração! Podes avançar para o tratado.
- Desculpa, môr!
- Nada, nada, continua até findar o saldo.
- Olha, vê lá se te despachas, quero matar essas saudades o mais breve possível.
- Eh lá, eh lá, agora sou eu que ensaio: “matar essas saudades!?”.
- Sim, tu não queres!?
- As saudades não se matam, minha querida, quando muito adormecemo-las… ou elas não voltam quando nos separamos de novo? Se estivessem mortas…
- Tens razão, como tudo neste sistema, elas não ressuscitam. Beijinho!
- Beijo grande!
Carlos Jesus Gil
Ao telefone, o namorado, ausente, para a namorada… e vice-versa:
- Olá morzinho!, tudo bem? Tenho muitas saudades tuas!
- Olá môr, também tenho! Mas, espera lá, tens muitas saudades minhas!?
- Sim, muitas mesmo.
- Não me parece.
- Desculpa, tenho montes de saudades tuas. Não duvides!
- Não, eu não duvido dos teus sentimentos. Duvido é da legalidade sintáctica da expressão. Quer dizer, não duvido nada, sintacticamente até nem vejo problema algum, o que eu noto é uma total desvalorização da lógica… pasmaste? Não dizes nada? Môr, há nessa frase uma absoluta desvalorização da lógica, e isso não é legal. Consideras despicienda a coerência?... Continuas pasmado, já vi. Olha lá, a gramática é importante, bué, não supera, contudo, em valor de mercado comunicacional, aquelas duas.
Môr, eu também tenho muitas saudades… de ti, não tuas. Entendes?
- Pronto, pasmei mas percebi. Morzinho, o essencial em comunicação é entendermo-nos, e tu entendeste-me. Quiseste escrever um pequeno ensaio sobre o assunto, né? Tá, só de ouvir a tua voz já se me alegra o coração! Podes avançar para o tratado.
- Desculpa, môr!
- Nada, nada, continua até findar o saldo.
- Olha, vê lá se te despachas, quero matar essas saudades o mais breve possível.
- Eh lá, eh lá, agora sou eu que ensaio: “matar essas saudades!?”.
- Sim, tu não queres!?
- As saudades não se matam, minha querida, quando muito adormecemo-las… ou elas não voltam quando nos separamos de novo? Se estivessem mortas…
- Tens razão, como tudo neste sistema, elas não ressuscitam. Beijinho!
- Beijo grande!
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 13 de Abril de 2009
É o Tempo!
É O TEMPO
Este é o tempo do aviso…
Possuímos todos os dados
p’ra tomar siso!
O tempo
para dar a conhecer
que só temos a perder
em não abrandar:
no desperdício;
no vício
de só querermos o poleiro,
o muito dinheiro;
na irreflexão;
no querer já
- se for mais tarde não dá -;
na corrupção.
Este é o tempo cerebral…
O tempo das medições e das conclusões.
Foi escrito?... É bem provável!
Carlos Jesus Gil
Este é o tempo do aviso…
Possuímos todos os dados
p’ra tomar siso!
O tempo
para dar a conhecer
que só temos a perder
em não abrandar:
no desperdício;
no vício
de só querermos o poleiro,
o muito dinheiro;
na irreflexão;
no querer já
- se for mais tarde não dá -;
na corrupção.
Este é o tempo cerebral…
O tempo das medições e das conclusões.
Foi escrito?... É bem provável!
Carlos Jesus Gil
Quarta-feira, 8 de Abril de 2009
Absolutamente deslocado
ABSOLUTAMENTE DESLOCADO
Agarra coragem, agarra coragem, pá!
Fora necessário imenso tempo. Luas passaram. Apenas pausava o suficiente para se nutrir, lavrar necessidades e dormir. A grande, a enorme tranche fora dedicada ao treino… Lograra, enfim, alcançar. Não o abandonara a timidez, não!, que para além de inata, tivera aquela reforçado alimento décadas, três, a fio. Continuaria, sussurremos!, para que nos não ouça e, assim, nos não leve a mal, a ser timorato ad infinitum. Todavia, graças a trabalho árduo – já aqui levemente insinuado – de treinado e treinador, era agora um homem de coragem. Acanhado, mas corajoso! Pois, o que é que o cu tem a ver com as calças?!... Fica esta questão apenas para aqueles que virem na sociedade acanhado-corajoso paradoxo evidente.
Perneta ficaria a estória, com a qual se pretende relatar a História, se omitida fosse a informação de que o eterno-não-emancipado auto-submetido a ditadura patriarcal não cardinalícia, informação esta apenas para que se não cometa injustiça grossa contra a meritória e digníssima magistratura eclesiástica, era homem de enormes talentos literários e possuidor de cordilheiras de cultura. Não daquelas que albergam simples serranias, não! Daquelas outras do tipo alpino, que a himalaiano ainda não chegara, longe como está da sapiente velhice. Daí que, sabendo-se como era e consciente, que presunção não era, de que o que era e é, que para o Além ainda não viajara, constitui valia de monta grande a uma sociedade carente, não de “eras” e “ques”, que se o era, com o presente texto o deixou de ser, resolvera telefonar a pessoa gozante de grande prestígio no mundo da edição literária, com o fito de conseguir uns minutinhos de conversa – ele nem ousava designá-la, a reunião, de reunião!
Aquiescera, o senhor.
…
- Mande entrar, mande entrar!
- Com licença!
- Faça favor!... Então, o que pretende de facto, senhorrrr
- Abílio Pereira, Dr. Tomás.
- Sr. Abílio, ao certo o que deseja de mim?
- Gostaria, Dr. Tomás, de propor-lhe um ensaio, ou mesmo um tratado, sobre “ a idealização de Sócrates e o utopismo político de Platão”.
- Mas, caro Abílio, muita gente grande já escreveu sobre essa temática. Olhe, estou a lembrar-me, por exemplo, de uma excelente, mesmo exemplar, obra do Vasco de Magalhães Vilhena. Nem é da nossa editora, é da Gulbenkian, mas li e reconheço ali trabalho maior… Não vejo o que poderia vir a acrescentar ao tomo.
- Sabe, há sempre coisas…
- Não, meu caro, não vá por aí!
- Então e se me propusesse traduzir os inefáveis sonetos de Shakespeare?
- Meu amigo, isso é consigo. Aqui é que não. Não dá! Não sabe o douto senhor que um outro Vasco, o Graça Moura, já tal empresa criara?!... e com qualidade isenta, creia, de repreensão.
- …………… Podia ensaiar sobre a mente e o corpo, estou bem por dentro do assunto.
- Então já não o fez tão maravilhosamente bem António Damásio?... e Karl Popper?
Olhe, caro amigo, vejo que dotes e cultura pululam avonde por todo o seu universo atómico, palavra!, mas o que me propõe publicar, por maior qualidade que tenha ou viesse a ter, nada de substancial acrescentaria à firma proprietária destes cadeirões. E, como compreende, sou forçado a levar isso em conta. Gostaria, no entanto, de lhe oferecer uma oportunidade de trabalhar comigo. Se aceitar trabalhar sobre uma ideia que namoro há uns tempos, fazemos negócio.
- A necessidade é minha e o prazer será meu. Projecte a sua ideia, Dr.
- Ora então: trata-se de uma explorar literariamente a incontrolável contrafacção do loiro nos cabelos… de mulheres e homens.
- … Mas, se a genética nunca se queixou…!
Estas palavras já foram sussurradas no sentido da porta.
Carlos Jesus Gil
Agarra coragem, agarra coragem, pá!
Fora necessário imenso tempo. Luas passaram. Apenas pausava o suficiente para se nutrir, lavrar necessidades e dormir. A grande, a enorme tranche fora dedicada ao treino… Lograra, enfim, alcançar. Não o abandonara a timidez, não!, que para além de inata, tivera aquela reforçado alimento décadas, três, a fio. Continuaria, sussurremos!, para que nos não ouça e, assim, nos não leve a mal, a ser timorato ad infinitum. Todavia, graças a trabalho árduo – já aqui levemente insinuado – de treinado e treinador, era agora um homem de coragem. Acanhado, mas corajoso! Pois, o que é que o cu tem a ver com as calças?!... Fica esta questão apenas para aqueles que virem na sociedade acanhado-corajoso paradoxo evidente.
Perneta ficaria a estória, com a qual se pretende relatar a História, se omitida fosse a informação de que o eterno-não-emancipado auto-submetido a ditadura patriarcal não cardinalícia, informação esta apenas para que se não cometa injustiça grossa contra a meritória e digníssima magistratura eclesiástica, era homem de enormes talentos literários e possuidor de cordilheiras de cultura. Não daquelas que albergam simples serranias, não! Daquelas outras do tipo alpino, que a himalaiano ainda não chegara, longe como está da sapiente velhice. Daí que, sabendo-se como era e consciente, que presunção não era, de que o que era e é, que para o Além ainda não viajara, constitui valia de monta grande a uma sociedade carente, não de “eras” e “ques”, que se o era, com o presente texto o deixou de ser, resolvera telefonar a pessoa gozante de grande prestígio no mundo da edição literária, com o fito de conseguir uns minutinhos de conversa – ele nem ousava designá-la, a reunião, de reunião!
Aquiescera, o senhor.
…
- Mande entrar, mande entrar!
- Com licença!
- Faça favor!... Então, o que pretende de facto, senhorrrr
- Abílio Pereira, Dr. Tomás.
- Sr. Abílio, ao certo o que deseja de mim?
- Gostaria, Dr. Tomás, de propor-lhe um ensaio, ou mesmo um tratado, sobre “ a idealização de Sócrates e o utopismo político de Platão”.
- Mas, caro Abílio, muita gente grande já escreveu sobre essa temática. Olhe, estou a lembrar-me, por exemplo, de uma excelente, mesmo exemplar, obra do Vasco de Magalhães Vilhena. Nem é da nossa editora, é da Gulbenkian, mas li e reconheço ali trabalho maior… Não vejo o que poderia vir a acrescentar ao tomo.
- Sabe, há sempre coisas…
- Não, meu caro, não vá por aí!
- Então e se me propusesse traduzir os inefáveis sonetos de Shakespeare?
- Meu amigo, isso é consigo. Aqui é que não. Não dá! Não sabe o douto senhor que um outro Vasco, o Graça Moura, já tal empresa criara?!... e com qualidade isenta, creia, de repreensão.
- …………… Podia ensaiar sobre a mente e o corpo, estou bem por dentro do assunto.
- Então já não o fez tão maravilhosamente bem António Damásio?... e Karl Popper?
Olhe, caro amigo, vejo que dotes e cultura pululam avonde por todo o seu universo atómico, palavra!, mas o que me propõe publicar, por maior qualidade que tenha ou viesse a ter, nada de substancial acrescentaria à firma proprietária destes cadeirões. E, como compreende, sou forçado a levar isso em conta. Gostaria, no entanto, de lhe oferecer uma oportunidade de trabalhar comigo. Se aceitar trabalhar sobre uma ideia que namoro há uns tempos, fazemos negócio.
- A necessidade é minha e o prazer será meu. Projecte a sua ideia, Dr.
- Ora então: trata-se de uma explorar literariamente a incontrolável contrafacção do loiro nos cabelos… de mulheres e homens.
- … Mas, se a genética nunca se queixou…!
Estas palavras já foram sussurradas no sentido da porta.
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 6 de Abril de 2009
Epopeia sibilina
EPOPEIA SIBILINA
Nascera numa manhã de nevoeiro, que bem cedo levantou, num nauseabundo bairro de uma grande metrópole europeia, daquelas do primeiríssimo mundo que, por isso mesmo, alberga mais que as outras, as de mundos de prata ou de bronze, maior quantidade de caracteres do quarto, não de repouso, daquele posicionamento mundano que o coloca fora de prazo, ai, desculpem!, fora do pódio, intentava eu… Interessa saber qual?, achamos que não, como tal não destoldamos a placa.
Bem, serve o presente microconto para vos dar conta de como a …… …… ….. - pois, se das coordenadas geográficas vos não damos nota, do nome tão-pouco! -, parido às mãos de parteira experiente, enquanto na cozinha ao ladinho aguardava um mar de gente, isto no ano da Graça de 1912, tão depressa desaparecera a impossibilidade de o comparar economicamente a um porco quanto rápido se levantara o nevoeiro que o sentira nascer… Digo-o hoje porque à distância é mais fácil a compreensão: o mesmo se foi por medo do próprio, daquele que ora evocamos. Nunca mais o astro-rei deixara de o servir, excluídas, claro, as horas de não expediente… que o Sol também dorme! Diz-me ainda a distância e palavras, muitas, em papéis, que o ainda vivente …… …… ….. é homem de dívidas tantas e tão imensas, que quem não ouviu da distância nem aprendeu das letras em papéis terá dificuldades acrescidas, mesmo impossibilidade, em compreender o legado legal de milhares de milhões … muitos, que deixa a filhos, netos, bisnetos… Pena é que parte do trecho dedicado às dívidas se encontre envolto, ironia!, em denso nevoeiro. Apenas é cristal a referência à avultada dívida à inteligência, o resto… nada… e tem que haver mais, muito mais! À guisa de adenda, ainda se pode ler no temático documento que nem banca nem consciência são credoras.
Ele ainda anda por aí…rijo que nem um pêro.
Carlos Jesus Gil
Nascera numa manhã de nevoeiro, que bem cedo levantou, num nauseabundo bairro de uma grande metrópole europeia, daquelas do primeiríssimo mundo que, por isso mesmo, alberga mais que as outras, as de mundos de prata ou de bronze, maior quantidade de caracteres do quarto, não de repouso, daquele posicionamento mundano que o coloca fora de prazo, ai, desculpem!, fora do pódio, intentava eu… Interessa saber qual?, achamos que não, como tal não destoldamos a placa.
Bem, serve o presente microconto para vos dar conta de como a …… …… ….. - pois, se das coordenadas geográficas vos não damos nota, do nome tão-pouco! -, parido às mãos de parteira experiente, enquanto na cozinha ao ladinho aguardava um mar de gente, isto no ano da Graça de 1912, tão depressa desaparecera a impossibilidade de o comparar economicamente a um porco quanto rápido se levantara o nevoeiro que o sentira nascer… Digo-o hoje porque à distância é mais fácil a compreensão: o mesmo se foi por medo do próprio, daquele que ora evocamos. Nunca mais o astro-rei deixara de o servir, excluídas, claro, as horas de não expediente… que o Sol também dorme! Diz-me ainda a distância e palavras, muitas, em papéis, que o ainda vivente …… …… ….. é homem de dívidas tantas e tão imensas, que quem não ouviu da distância nem aprendeu das letras em papéis terá dificuldades acrescidas, mesmo impossibilidade, em compreender o legado legal de milhares de milhões … muitos, que deixa a filhos, netos, bisnetos… Pena é que parte do trecho dedicado às dívidas se encontre envolto, ironia!, em denso nevoeiro. Apenas é cristal a referência à avultada dívida à inteligência, o resto… nada… e tem que haver mais, muito mais! À guisa de adenda, ainda se pode ler no temático documento que nem banca nem consciência são credoras.
Ele ainda anda por aí…rijo que nem um pêro.
Carlos Jesus Gil
Sábado, 4 de Abril de 2009
O lugar d'alguns
O LUGAR D’ALGUNS
É fria a noite
lá fora.
Cá dentro, quentinho.
… Este é o meu lugar!
Carlos Jesus Gil
É fria a noite
lá fora.
Cá dentro, quentinho.
… Este é o meu lugar!
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 2 de Abril de 2009
Criançar/Adultar
CRIANÇAR/ADULTAR
Gosto tanto das pessoas que demoram em ser crianças...!; vejo nobreza ímpar naquelas que precocemente se tornam adultas. Gosto dessas ainda mais!
Carlos Jesus Gil
Gosto tanto das pessoas que demoram em ser crianças...!; vejo nobreza ímpar naquelas que precocemente se tornam adultas. Gosto dessas ainda mais!
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 30 de Março de 2009
O X, o Y, o Z e outra letra que se lê
O X, O Y, O Z E OUTRA LETRA QUE SE LÊ
Continuação do post anterior ( é conveniente – ou não – ler primeiro o post anterior )
Foi o Miguel, um amigo nosso de Santiago do Cacém, quem lhe dera a volta. Porém, de modo indeliberado. O Miguel, ainda que pareça inverosímil aquela jovem não atrair seja que homem for, só via nela uma amiga. Foi isto mesmo que lhe transmitiu na manhã desse revelador dia de Junho, numa conversa que, segundo Liliana, levara ano e meio para ter lugar.
Bem, o que é que eu podia fazer?... Apenas duas coisas: desejar que ela me desejasse - o que me parecia menos possível do que Pinochet, enquanto vivente presidencial, ter-se tornado um complacente democrata -; e filosofar-lhe um bocadito. Como a primeira já ocupava o meu íntimo, platonicamente, de há muito, resolvi então armar-me em filósofo barato:
- Liliana, para tristeza minha e de milhões de outros, as coisas são assim mesmo. O indivíduo X ama o Y, que por sua vez ama o Z, que não ama o Y, mas sim o X… Liliana, este é o circuito normalmente percorrido. Quando alguém, talvez por engano, sai do circuito, acontece o Supremo Bem-Estar da Felicidade… Só mais uma coisa, Liliana: nunca estudes o circuito!
A minha amiga secou as lágrimas, esboçou um sorriso e convidou-me para uns finitos entremeados com uns saborosos camarões eusébianos.
PS aos amigos não portugueses é curial esclarecer que marisco eusébiano é tremoço.
Carlos Jesus Gil
Continuação do post anterior ( é conveniente – ou não – ler primeiro o post anterior )
Foi o Miguel, um amigo nosso de Santiago do Cacém, quem lhe dera a volta. Porém, de modo indeliberado. O Miguel, ainda que pareça inverosímil aquela jovem não atrair seja que homem for, só via nela uma amiga. Foi isto mesmo que lhe transmitiu na manhã desse revelador dia de Junho, numa conversa que, segundo Liliana, levara ano e meio para ter lugar.
Bem, o que é que eu podia fazer?... Apenas duas coisas: desejar que ela me desejasse - o que me parecia menos possível do que Pinochet, enquanto vivente presidencial, ter-se tornado um complacente democrata -; e filosofar-lhe um bocadito. Como a primeira já ocupava o meu íntimo, platonicamente, de há muito, resolvi então armar-me em filósofo barato:
- Liliana, para tristeza minha e de milhões de outros, as coisas são assim mesmo. O indivíduo X ama o Y, que por sua vez ama o Z, que não ama o Y, mas sim o X… Liliana, este é o circuito normalmente percorrido. Quando alguém, talvez por engano, sai do circuito, acontece o Supremo Bem-Estar da Felicidade… Só mais uma coisa, Liliana: nunca estudes o circuito!
A minha amiga secou as lágrimas, esboçou um sorriso e convidou-me para uns finitos entremeados com uns saborosos camarões eusébianos.
PS aos amigos não portugueses é curial esclarecer que marisco eusébiano é tremoço.
Carlos Jesus Gil
Sábado, 28 de Março de 2009
O X, o Y, o Z e outra letra que se lê
O X, O Y, O Z E OUTRA LETRA QUE SE LÊ
Ela estava triste…, até chorava! Era um bonito princípio de tarde de finais de Junho. Muito sol, temperatura agradável, férias à vista, mas ela estava triste. Triste e sem fome, apesar de nada ter almoçado. Nem a fatia de vieneta, de que tanto gostava, se atrevera a comer. Tal era o fastio!Eu cirandava por ali, de esplanada em esplanada, junto à praia, quando a vi. Acenei-lhe vivamente, mas ela apenas ensaiou um tímido e preguiçoso gesto com o braço direito… Aquilo não era normal. A Liliana?!..., tão alegre, tão jovial, tão, não raro, prolixamente frenética, tão senhora de si… Coisa estranha e indesejada habitava, de há pouco, tinha a certeza, o espírito da minha bela amiga. Não, havia ali coisa sim senhor. E eu tinha que indagar sobre o que…, e sem delongas. De modo que, num ápice, safei-me do resto do fino que consumia, disse “ até já “ aos meus companheiros e dirigi-me à muralha, cujas esquinas Liliana ajudava, de momento, a polir.Enquanto atravessava a estrada pensava na noite anterior; em muitas noites e muitas tardes passadas. Aquela rapariga sempre transbordara de alegria, sempre fora a origem de autênticas cheias de boa disposição. Toda a gente adora estar junto dela, desde as amigas, que são muitas, aos amigos e admiradores que, de tantos serem, só mesmo com calculadora… Se, de facto, neste nosso mundo não é descabida a busca pela perfeição, por a ele, apesar de rara, não causar estranheza; se, efectivamente, aquela não se resumir a mais um utópico desígnio da humanidade, ela é a sua personificação. Do mais belo por fora; invejavelmente atraente por dentro; Q.I. à Sharon Stone!... Mas, então o que estará a passar-se? Serão problemas de saúde?... Não tive tempo para mais conjecturas, pois de repente encontrava-me frente-a-frente com a doce (na hora, como já vimos, nem por isso) Liliana.- O que é que se passa, queriducha?“ Olá! Nada, não se passa nada. “ – mentiu ela descaradamente.- Olha, acredito mais depressa na vitória do Sporting no campeonato do que na informação contida na tua resposta. Aliás, não é necessário analisá-la ao pormenor, parâmetro por parâmetro, em termos de som e de emoção – muito embora o esforço posto no disfarce -, para chegar à conclusão de que se passa mesmo algo…, e algo não despiciendo. Queres que acredite que não se passa nada de errado contigo, quando te vejo, pela primeira vez, triste e com urgente necessidade de uma remessa grande de lenços de papel?... Vá, presenteia-me com um sorriso! Vá, nem que seja ele enganador, que, desde que potenciado por esses teus lindos olhos, já os meus ficam lavados, libertos de qualquer impureza!“ Lindos olhos?!... Só tu é que vês isso. “ – retorqui ela com a mágoa estampada nos próprios.- Ah, então é isso! Quem é que conseguiu tal proeza?“ Que proeza, Rui? Deixa-te de coisas. – ela não desarma.- Então, aos dezanove anitos alguém, que eventualmente nem procurou muito, encontra a chave do teu coração. Estava magicamente escondida; com magia foi encontrada!“ Ó Rui, já te disse, pára com isso! – a renitência continua.- Vá lá, temos que ser uns para os outros. Não confias em mim, é isso?… Ela confiou. Aliás, já tinha essa certeza comigo antes de emitir a questão. Somos unha com carne; alho com bacalhau; sei lá!...
Continua (um destes dias)
Carlos Jesus Gil
Ela estava triste…, até chorava! Era um bonito princípio de tarde de finais de Junho. Muito sol, temperatura agradável, férias à vista, mas ela estava triste. Triste e sem fome, apesar de nada ter almoçado. Nem a fatia de vieneta, de que tanto gostava, se atrevera a comer. Tal era o fastio!Eu cirandava por ali, de esplanada em esplanada, junto à praia, quando a vi. Acenei-lhe vivamente, mas ela apenas ensaiou um tímido e preguiçoso gesto com o braço direito… Aquilo não era normal. A Liliana?!..., tão alegre, tão jovial, tão, não raro, prolixamente frenética, tão senhora de si… Coisa estranha e indesejada habitava, de há pouco, tinha a certeza, o espírito da minha bela amiga. Não, havia ali coisa sim senhor. E eu tinha que indagar sobre o que…, e sem delongas. De modo que, num ápice, safei-me do resto do fino que consumia, disse “ até já “ aos meus companheiros e dirigi-me à muralha, cujas esquinas Liliana ajudava, de momento, a polir.Enquanto atravessava a estrada pensava na noite anterior; em muitas noites e muitas tardes passadas. Aquela rapariga sempre transbordara de alegria, sempre fora a origem de autênticas cheias de boa disposição. Toda a gente adora estar junto dela, desde as amigas, que são muitas, aos amigos e admiradores que, de tantos serem, só mesmo com calculadora… Se, de facto, neste nosso mundo não é descabida a busca pela perfeição, por a ele, apesar de rara, não causar estranheza; se, efectivamente, aquela não se resumir a mais um utópico desígnio da humanidade, ela é a sua personificação. Do mais belo por fora; invejavelmente atraente por dentro; Q.I. à Sharon Stone!... Mas, então o que estará a passar-se? Serão problemas de saúde?... Não tive tempo para mais conjecturas, pois de repente encontrava-me frente-a-frente com a doce (na hora, como já vimos, nem por isso) Liliana.- O que é que se passa, queriducha?“ Olá! Nada, não se passa nada. “ – mentiu ela descaradamente.- Olha, acredito mais depressa na vitória do Sporting no campeonato do que na informação contida na tua resposta. Aliás, não é necessário analisá-la ao pormenor, parâmetro por parâmetro, em termos de som e de emoção – muito embora o esforço posto no disfarce -, para chegar à conclusão de que se passa mesmo algo…, e algo não despiciendo. Queres que acredite que não se passa nada de errado contigo, quando te vejo, pela primeira vez, triste e com urgente necessidade de uma remessa grande de lenços de papel?... Vá, presenteia-me com um sorriso! Vá, nem que seja ele enganador, que, desde que potenciado por esses teus lindos olhos, já os meus ficam lavados, libertos de qualquer impureza!“ Lindos olhos?!... Só tu é que vês isso. “ – retorqui ela com a mágoa estampada nos próprios.- Ah, então é isso! Quem é que conseguiu tal proeza?“ Que proeza, Rui? Deixa-te de coisas. – ela não desarma.- Então, aos dezanove anitos alguém, que eventualmente nem procurou muito, encontra a chave do teu coração. Estava magicamente escondida; com magia foi encontrada!“ Ó Rui, já te disse, pára com isso! – a renitência continua.- Vá lá, temos que ser uns para os outros. Não confias em mim, é isso?… Ela confiou. Aliás, já tinha essa certeza comigo antes de emitir a questão. Somos unha com carne; alho com bacalhau; sei lá!...
Continua (um destes dias)
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 27 de Março de 2009
O mapa
O MAPA
Comprei um mapa do mundo, escala 1/1750000. Depois, comprei um da Europa, tendo de enfiada adquirido um de cada um dos restantes cinco continentes…, sim, a Antártida não ficou de fora! Nestes, depois de cuidada triagem, optei pela escala de 1/500000.
Continuei a comprar, do mundo… dos continentes. Só a escala variava. Ia exigindo escalas cada vez maiores.
Passei a comprar de países, de todos; de cidades, todas; de localidades…, todas elas. Como sempre, começava por escalas pequeníssimas, acabando nas maiores disponíveis. Cheguei mesmo a adquirir material cartográfico à escala de planta de habitação… A praia era, nestas consultas, o meu escritório.
Continuei a comprar mapas de toda a ecúmena…, mesmo da não ecúmena, só as escalas variavam. Sim, sempre cada vez maiores.
Fui a todos os países; a todas as cidades; a todos os lugares… ao calhas, à sorte. Nem um mapa!!! Cheguei, até, a fazer uma segunda ronda, consultando, desta feita, os mais experimentados taxistas.
… E nada! Não encontrei!
Carlos Jesus Gil
Comprei um mapa do mundo, escala 1/1750000. Depois, comprei um da Europa, tendo de enfiada adquirido um de cada um dos restantes cinco continentes…, sim, a Antártida não ficou de fora! Nestes, depois de cuidada triagem, optei pela escala de 1/500000.
Continuei a comprar, do mundo… dos continentes. Só a escala variava. Ia exigindo escalas cada vez maiores.
Passei a comprar de países, de todos; de cidades, todas; de localidades…, todas elas. Como sempre, começava por escalas pequeníssimas, acabando nas maiores disponíveis. Cheguei mesmo a adquirir material cartográfico à escala de planta de habitação… A praia era, nestas consultas, o meu escritório.
Continuei a comprar mapas de toda a ecúmena…, mesmo da não ecúmena, só as escalas variavam. Sim, sempre cada vez maiores.
Fui a todos os países; a todas as cidades; a todos os lugares… ao calhas, à sorte. Nem um mapa!!! Cheguei, até, a fazer uma segunda ronda, consultando, desta feita, os mais experimentados taxistas.
… E nada! Não encontrei!
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 26 de Março de 2009
Nem tudo o que vem à rede é peixe!
NEM TUDO O QUE VEM À REDE É PEIXE
Também com o objectivo de divulgar o blog, comento notícias no Expresso online… semanário – aqui, obviamente diário – de referência.
Eu, pr’a mim: eh pá, vai lá e divulga! Não custa nada, inscreves-te; comentas as notícias e depois apelas a umas visitinhas ao blog. Hão-de aparecer verdadeiros leitores, daqueles com substrato intelectual tal que, ao comentarem, indo ao encontro ou contra o que escreves, te ensinam… Te ajudam a crescer. Bem sei que podemos crescer com todas as experiências e todos os interlocutores, mas foi assim que eu me disse. Pronto, obedeci-me! Por lá tenho andado a comentar e a divulgar… e os resultados até que têm sido bastante satisfatórios (digo eu!), tão razoavelmente bonzinhos que até tenho esquecido que - logo eu, que sou de terra de pescadores e que os tenho na família – nem tudo o que vem à rede é peixe. Vai daí, acontece que a rede Expresso que lancei a noite passada não trouxe pescado. No seu lugar veio lama, muita, e limo. Pessoal, mesmo rede de alta qualidade, em águas seguramente nutridas e habitadas, não assegura boa pescaria. Mas as coisas são assim. Moços, até que nem estou danado, mas se ao menos fossem uns jaquinzinhos, umas petinguitas ou mesmo umas lacraias!...
Carlos Jesus Gil
Também com o objectivo de divulgar o blog, comento notícias no Expresso online… semanário – aqui, obviamente diário – de referência.
Eu, pr’a mim: eh pá, vai lá e divulga! Não custa nada, inscreves-te; comentas as notícias e depois apelas a umas visitinhas ao blog. Hão-de aparecer verdadeiros leitores, daqueles com substrato intelectual tal que, ao comentarem, indo ao encontro ou contra o que escreves, te ensinam… Te ajudam a crescer. Bem sei que podemos crescer com todas as experiências e todos os interlocutores, mas foi assim que eu me disse. Pronto, obedeci-me! Por lá tenho andado a comentar e a divulgar… e os resultados até que têm sido bastante satisfatórios (digo eu!), tão razoavelmente bonzinhos que até tenho esquecido que - logo eu, que sou de terra de pescadores e que os tenho na família – nem tudo o que vem à rede é peixe. Vai daí, acontece que a rede Expresso que lancei a noite passada não trouxe pescado. No seu lugar veio lama, muita, e limo. Pessoal, mesmo rede de alta qualidade, em águas seguramente nutridas e habitadas, não assegura boa pescaria. Mas as coisas são assim. Moços, até que nem estou danado, mas se ao menos fossem uns jaquinzinhos, umas petinguitas ou mesmo umas lacraias!...
Carlos Jesus Gil
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Passou-se há já algum tempo
Terça-feira, 24 de Março de 2009
Dois amigos cruzam-se
DOIS AMIGOS CRUZAM-SE
Um deles vai cheio de pressa; o outro nem por isso:
- Eh pá, aonde vais com tanta pressa?
- Eh Manel, vou ali, pá. Aqui já não se está nada bem!
- Lá isso é verdade, se não fosse cá por coisas também eu dava o fora… Mas, já agora, porque é que não vais antes acolá? É que ali é quase aqui, não sei se estás a ver!
- Pois, o problema é que não estou habituado a saltos tão grandes!...
E lá seguiu o Joaquim, a sua curta mas inadiável viagem.
Carlos Jesus Gil
Um deles vai cheio de pressa; o outro nem por isso:
- Eh pá, aonde vais com tanta pressa?
- Eh Manel, vou ali, pá. Aqui já não se está nada bem!
- Lá isso é verdade, se não fosse cá por coisas também eu dava o fora… Mas, já agora, porque é que não vais antes acolá? É que ali é quase aqui, não sei se estás a ver!
- Pois, o problema é que não estou habituado a saltos tão grandes!...
E lá seguiu o Joaquim, a sua curta mas inadiável viagem.
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 23 de Março de 2009
O sentido da vida em Woody Allen
O SENTIDO DA VIDA EM WOODY ALLEN
Em Woody Allen, a vida só tem sentido, só é digna de ser sofrida se houver permanência; se tudo não estiver destinado ao desaparecimento absoluto…; se houver um final feliz; se… se existir Deus. É, o absoluto sentido da vida reside, afinal, no final feliz. Não importa tanto o caminho; este deverá não ser mais do que instrumental, um meio para chegar à meta. Meta, é disto que se trata. A existir esta, a vida tem sentido.
Carlos Jesus Gil
Em Woody Allen, a vida só tem sentido, só é digna de ser sofrida se houver permanência; se tudo não estiver destinado ao desaparecimento absoluto…; se houver um final feliz; se… se existir Deus. É, o absoluto sentido da vida reside, afinal, no final feliz. Não importa tanto o caminho; este deverá não ser mais do que instrumental, um meio para chegar à meta. Meta, é disto que se trata. A existir esta, a vida tem sentido.
Carlos Jesus Gil
Sábado, 21 de Março de 2009
O porquê dos prémios
O PORQUÊ DOS PRÉMIOS
Eh pessoal, sabem por que é que a malta da administração da AIG e de outras empresaszonas do desenvolvidíssimo orbe ganharam aqueles prémios chorudos mesmo depois do descalabro das mesmas?... Fácil: estavam a jogar ao “perde-ganhas”!
Carlos Jesus Gil
Eh pessoal, sabem por que é que a malta da administração da AIG e de outras empresaszonas do desenvolvidíssimo orbe ganharam aqueles prémios chorudos mesmo depois do descalabro das mesmas?... Fácil: estavam a jogar ao “perde-ganhas”!
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 20 de Março de 2009
Distribuição
DISTRIBUIÇÃO
De barriga cheia?... Fácil, muito fácil!... A fealdade sempre fora apanágio deste sistema porque muitos, ai tannnnntos!, nunca a conseguiram encher. Vá, salvemos as raras excepções!... A característica, porém, continua.
Então?!... Matemática. Recorramos à Matemática! Sejamos tenazes, pois tarefa fácil não se mostra… aprender a apreender a difícil operação da divisão… Logo após, não esqueçamos que a prática faz a perfeição!
Depois pensemos no que diz o outro: “ Tudo debaixo do Céu”!
Carlos Jesus Gil
De barriga cheia?... Fácil, muito fácil!... A fealdade sempre fora apanágio deste sistema porque muitos, ai tannnnntos!, nunca a conseguiram encher. Vá, salvemos as raras excepções!... A característica, porém, continua.
Então?!... Matemática. Recorramos à Matemática! Sejamos tenazes, pois tarefa fácil não se mostra… aprender a apreender a difícil operação da divisão… Logo após, não esqueçamos que a prática faz a perfeição!
Depois pensemos no que diz o outro: “ Tudo debaixo do Céu”!
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 19 de Março de 2009
Crise de Valores
CRISE DE VALORES
Sabem os Pensadores, que na origem da crise financeira que redundou nesta crise económica e até já social e até já política, se encontra uma crise de valores. Este tipo de crise, tão inata ao neo-liberalismo, teve o condão de nos mostrar como as coisas podem ser se não se investe – a montante, a jusante e no espaço intermédio – fortemente em Axiologia… Já em 29 do século XX as coisas assim se passaram, em termos de génese… A memória é curta, e o pessoal não tem grande afinidade com os livros de História… as histórias é que sim, essas podem ser bastante agradáveis! Vá lá, já não é nada mau! Letras são letras.
Sabem os Pensadores, sei-o eu agora… sabem-no muitos mais por esse mundo afora. Depois do conhecimento do que se está a passar em gigantescas empresas norte-americanas, a AIG, por exemplo, cujas administrações receberam milhares de milhões (eles dizem biliões!) de dólares do erário público a fim de não caírem no abismo, mas aplicaram a sua quase totalidade, não na salvação das empresas mas no pagamento de prémios aos seus quadros – porquê prémios?! -, quem é que não sabe?
Carlos Jesus Gil
Sabem os Pensadores, que na origem da crise financeira que redundou nesta crise económica e até já social e até já política, se encontra uma crise de valores. Este tipo de crise, tão inata ao neo-liberalismo, teve o condão de nos mostrar como as coisas podem ser se não se investe – a montante, a jusante e no espaço intermédio – fortemente em Axiologia… Já em 29 do século XX as coisas assim se passaram, em termos de génese… A memória é curta, e o pessoal não tem grande afinidade com os livros de História… as histórias é que sim, essas podem ser bastante agradáveis! Vá lá, já não é nada mau! Letras são letras.
Sabem os Pensadores, sei-o eu agora… sabem-no muitos mais por esse mundo afora. Depois do conhecimento do que se está a passar em gigantescas empresas norte-americanas, a AIG, por exemplo, cujas administrações receberam milhares de milhões (eles dizem biliões!) de dólares do erário público a fim de não caírem no abismo, mas aplicaram a sua quase totalidade, não na salvação das empresas mas no pagamento de prémios aos seus quadros – porquê prémios?! -, quem é que não sabe?
Carlos Jesus Gil
Quarta-feira, 18 de Março de 2009
Eh pá, tudo bem?
EH PÁ, TUDO BEM?
Acontece aos montes:
- Eh pá, tás bom?
- Eh Jorge, pá, tudo bem?
… E cada um seguiu o seu caminho.
Pergunto eu, que sou curioso: o que é que ficou cada um a saber da qualidade do “estar” do outro?
Pois!...
Carlos Jesus Gil
Acontece aos montes:
- Eh pá, tás bom?
- Eh Jorge, pá, tudo bem?
… E cada um seguiu o seu caminho.
Pergunto eu, que sou curioso: o que é que ficou cada um a saber da qualidade do “estar” do outro?
Pois!...
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 16 de Março de 2009
O menino do papá
E na sequência do post anterior:
O MENINO DO PAPÁ
Mais ou menos como o vou fazer, um senhor da minha terra conta há anos esta brilhante anedota, que classifico de parábola, sobre a ditadura a que se sujeitou um pai anos a fio. A mesma pode, obviamente, levar horas, dias, meses, anos – o record está nos nove meses – a contar. Vou tentar abreviar a coisa.
Então, habituado às vontadinhas todas, o Ricardito, hoje com doze anos, faz da vida dos pais – especialmente da do pai – pena pesada:
- Ó pai, leva-me ao café contigo!
- Não, que tens que fazer os deveres.
- Ó pai, leva, leva!
- Ricardo, já te disse: não!
- Pai, leva (a gritar), leva, leva-me ao café contigo! Leva (a gritar, calculista, porta aberta, virado ao condomínio), leva, leva!
- Pronto, está bem. Cala-te lá e vem daí. Mas é para te portares bem… não vais pedir nada!
- Sim, eu porto-me bem. Não peço nada e não saio de ao pé de ti.
- Ah, assim está bem!
Já no café:
- Pai?
- Sim!
- Compra-me um chocolate!
- O que é que combinámos, Ricardito?
- É só um.
- Não!
- Eu quero um chocolate, eu quero um chocolate (gritos volumosos), eu quero, eu quero um chocolate!
E os amigos do pai, enfadados com o já mais que conhecido panorama, a olhá-lo complacentes… Se fosse com eles!...
- Ok, qual é o chocolate?...Ficas a saber que amanhã não vens!
E os amigos do pai, sempre complacentes mas a rirem, ou não, por dentro.
- Tá bem, não me importo. Quero aquele chocolate grandão com amêndoas!
- D. Maria, dê-lhe aí o chocolate, por favor!
No dia seguinte, depois da janta:
- Ó pai, leva-me ao café contigo!
- Nem penses!
- Eu hoje porto-me bem.
- Menino, já disse: nem penses!
Directo ao condomínio, aos berros:
- Ó pai leva, leva, leva-me contigo ao café!... Leva!
Os vizinhos, ainda que afastados da leveza de espírito fossem, já nem faziam caso.
- Anda, desgraçado, vem daí!... Mas o que é que eu fiz para merecer isto?!
Enganou-se na questão, o bondoso pai. Era mais assim: mas o que é que eu não fiz para merecer isto?!... Penso eu, que estou de fora.
Bem, a caminho do café, depois da repetitiva cena - que mais parecia ensaio de péssimo actor, pois tantas eram as repetições! -, o pai fora “obrigado” a comprar-lhe um jogo novo para a Play Station e, já no café, um Magnum Double.
…
Os dias passavam, os meses passavam, as cenas repetiam-se.
Pouco antes de completar treze anos, o Ricardito, em pleno café da D. Maria, diz ao pai, alto e bom som, que quer merda… isso, leram bem, merda! Vejamos:
- Pai, paii?
- Sim!
- Quero merda.
O quê?!
- Quero merda, não ouviste?
Tchap… A primeira estalada, em quase treze anos, que aquele pai dera àquele filho.
- Mal-educado!... Rapazes, desculpem, por favor desculpem! Vocês sabem como ele é… Mal-educado! A partir d’hoje acabou-se. Não sais mais comigo!
A gritar, guturalmente, em pleno café:
- Eu quero merda, eu quero merda, eu quero merda!
- Tá, pá. Vem daí!... Queres merda, vais tê-la!
Agarrou nele pelo braço, com força, nunca a razão se lhe toldara tanto… ou talvez o contrário, agora que pensei melhor!, e arrastou-o para casa. Uma vez lá, faz-se à casa de banho. Esta encontrava-se ocupada com a necessária ocupação da esposa em realizar necessidades fisiológicas de carácter sólido. Veio a calhar!
Pede o senhor Francisco à D. Isabel:
- Isabel, quando acabares não limpes a sanita.
- O quê?
- Não limpes a sanita, por favor!... Depois explico.
Aliviada e já na sala de estar, a esposa questiona o inusitado pedido do marido. Este responde-lhe “ já vais ver”.
Foi à sanita; com uma concha da sopa, daquelas bem grandes, retirou uma bela porção da bem cheirosa.
- Pronto, aqui tens!
- Mas eu quero merda frita.
- O quê, malvado?!
Corre o miúdo, e já no condomínio e a gritar:
- Eu quero merda frita, eu quero merda frita, eu quero merda frita!
Desta feita os vizinhos acorreram à porta.
- Certo, meu bandido, certo. Vem cá!
Pega numa frigideira; mete-lhe um tudo-nada de óleo vegetal; acrescenta a dita; acende o fogão e zás. Em cinco minutos estava a merda frita e bem frita.
- Aqui tens. Merda frita!
- Eh pai, prova!
Segunda estalada.
Sempre a gritar:
- Eh pai, prova, prova, prova, prova, prova!
- Tá bem, desgraçado, vou provar…
E provou!
- Pai, é bom?
- Claro que não, sua besta!
De novo aos gritos:
- Então não quero, eu não quero, eu não quero merda, eu não quero merda frita!
Carlos Jesus Gil
O MENINO DO PAPÁ
Mais ou menos como o vou fazer, um senhor da minha terra conta há anos esta brilhante anedota, que classifico de parábola, sobre a ditadura a que se sujeitou um pai anos a fio. A mesma pode, obviamente, levar horas, dias, meses, anos – o record está nos nove meses – a contar. Vou tentar abreviar a coisa.
Então, habituado às vontadinhas todas, o Ricardito, hoje com doze anos, faz da vida dos pais – especialmente da do pai – pena pesada:
- Ó pai, leva-me ao café contigo!
- Não, que tens que fazer os deveres.
- Ó pai, leva, leva!
- Ricardo, já te disse: não!
- Pai, leva (a gritar), leva, leva-me ao café contigo! Leva (a gritar, calculista, porta aberta, virado ao condomínio), leva, leva!
- Pronto, está bem. Cala-te lá e vem daí. Mas é para te portares bem… não vais pedir nada!
- Sim, eu porto-me bem. Não peço nada e não saio de ao pé de ti.
- Ah, assim está bem!
Já no café:
- Pai?
- Sim!
- Compra-me um chocolate!
- O que é que combinámos, Ricardito?
- É só um.
- Não!
- Eu quero um chocolate, eu quero um chocolate (gritos volumosos), eu quero, eu quero um chocolate!
E os amigos do pai, enfadados com o já mais que conhecido panorama, a olhá-lo complacentes… Se fosse com eles!...
- Ok, qual é o chocolate?...Ficas a saber que amanhã não vens!
E os amigos do pai, sempre complacentes mas a rirem, ou não, por dentro.
- Tá bem, não me importo. Quero aquele chocolate grandão com amêndoas!
- D. Maria, dê-lhe aí o chocolate, por favor!
No dia seguinte, depois da janta:
- Ó pai, leva-me ao café contigo!
- Nem penses!
- Eu hoje porto-me bem.
- Menino, já disse: nem penses!
Directo ao condomínio, aos berros:
- Ó pai leva, leva, leva-me contigo ao café!... Leva!
Os vizinhos, ainda que afastados da leveza de espírito fossem, já nem faziam caso.
- Anda, desgraçado, vem daí!... Mas o que é que eu fiz para merecer isto?!
Enganou-se na questão, o bondoso pai. Era mais assim: mas o que é que eu não fiz para merecer isto?!... Penso eu, que estou de fora.
Bem, a caminho do café, depois da repetitiva cena - que mais parecia ensaio de péssimo actor, pois tantas eram as repetições! -, o pai fora “obrigado” a comprar-lhe um jogo novo para a Play Station e, já no café, um Magnum Double.
…
Os dias passavam, os meses passavam, as cenas repetiam-se.
Pouco antes de completar treze anos, o Ricardito, em pleno café da D. Maria, diz ao pai, alto e bom som, que quer merda… isso, leram bem, merda! Vejamos:
- Pai, paii?
- Sim!
- Quero merda.
O quê?!
- Quero merda, não ouviste?
Tchap… A primeira estalada, em quase treze anos, que aquele pai dera àquele filho.
- Mal-educado!... Rapazes, desculpem, por favor desculpem! Vocês sabem como ele é… Mal-educado! A partir d’hoje acabou-se. Não sais mais comigo!
A gritar, guturalmente, em pleno café:
- Eu quero merda, eu quero merda, eu quero merda!
- Tá, pá. Vem daí!... Queres merda, vais tê-la!
Agarrou nele pelo braço, com força, nunca a razão se lhe toldara tanto… ou talvez o contrário, agora que pensei melhor!, e arrastou-o para casa. Uma vez lá, faz-se à casa de banho. Esta encontrava-se ocupada com a necessária ocupação da esposa em realizar necessidades fisiológicas de carácter sólido. Veio a calhar!
Pede o senhor Francisco à D. Isabel:
- Isabel, quando acabares não limpes a sanita.
- O quê?
- Não limpes a sanita, por favor!... Depois explico.
Aliviada e já na sala de estar, a esposa questiona o inusitado pedido do marido. Este responde-lhe “ já vais ver”.
Foi à sanita; com uma concha da sopa, daquelas bem grandes, retirou uma bela porção da bem cheirosa.
- Pronto, aqui tens!
- Mas eu quero merda frita.
- O quê, malvado?!
Corre o miúdo, e já no condomínio e a gritar:
- Eu quero merda frita, eu quero merda frita, eu quero merda frita!
Desta feita os vizinhos acorreram à porta.
- Certo, meu bandido, certo. Vem cá!
Pega numa frigideira; mete-lhe um tudo-nada de óleo vegetal; acrescenta a dita; acende o fogão e zás. Em cinco minutos estava a merda frita e bem frita.
- Aqui tens. Merda frita!
- Eh pai, prova!
Segunda estalada.
Sempre a gritar:
- Eh pai, prova, prova, prova, prova, prova!
- Tá bem, desgraçado, vou provar…
E provou!
- Pai, é bom?
- Claro que não, sua besta!
De novo aos gritos:
- Então não quero, eu não quero, eu não quero merda, eu não quero merda frita!
Carlos Jesus Gil
Sábado, 14 de Março de 2009
Cinismo, até sim... hipocrisia não!
CINISMO, ATÉ SIM… HIPOCRISIA NÃO!
…
- Mas, chefe, será que não dá mesmo pr’a eu ficar… mesmo com menos horas? A empresa, sabemo-lo, até que tem tido imensos lucros. Só agora as encomendas amainaram.
- Senhor António, sei que o senhor tem aqui muitos anos de serviço e que ainda não criou os filhos todos, sei disso. Falei nisso ao patrão, mas ele diz que não pode fazer nada por si. Nem por si nem pelos colegas que já aqui estiveram. Alguém tem que sair, senhor António. Diz o patrão, que se não mantiver este nível de rendimento não pode alimentar os desejos a que habituou os filhos. Que os filhos não têm culpa que os tenha criado assim. O do meio, por exemplo, quer juntar à colecção o último modelo do Porsche Carrera.
E mais disse o patrão ao chefe, que o sei porque estava lá, calhou, e ouvi: diga-lhes, senhor Américo, que prefiro ser cínico a hipócrita. Diga-lhes a verdade!... Os meus filhos têm direito àquilo a que os habituei. Eles não têm culpa.
Carlos Jesus Gil
…
- Mas, chefe, será que não dá mesmo pr’a eu ficar… mesmo com menos horas? A empresa, sabemo-lo, até que tem tido imensos lucros. Só agora as encomendas amainaram.
- Senhor António, sei que o senhor tem aqui muitos anos de serviço e que ainda não criou os filhos todos, sei disso. Falei nisso ao patrão, mas ele diz que não pode fazer nada por si. Nem por si nem pelos colegas que já aqui estiveram. Alguém tem que sair, senhor António. Diz o patrão, que se não mantiver este nível de rendimento não pode alimentar os desejos a que habituou os filhos. Que os filhos não têm culpa que os tenha criado assim. O do meio, por exemplo, quer juntar à colecção o último modelo do Porsche Carrera.
E mais disse o patrão ao chefe, que o sei porque estava lá, calhou, e ouvi: diga-lhes, senhor Américo, que prefiro ser cínico a hipócrita. Diga-lhes a verdade!... Os meus filhos têm direito àquilo a que os habituei. Eles não têm culpa.
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 13 de Março de 2009
Blog subnutrido
BLOG SUBNUTRIDO
Sabem?...quando a gente está em casa, cheios de fome, mesmo cheiinhos, e não tem nada pr’a comer? Quer dizer, o ter até temos, estão lá, num saquito de plástico em cima duma prateleira onde param umas garrafitas de gasosas e afins, dois papo-secos…rijos, mesmo secos. Sabem?... Assim está o meu blog hoje, cheiinho dela, larica da bera, e eu sem nadinha, ou quase…Que se fique com este naquito de broa – quase estufa de bolor -, e já é um pau! Vá, mastiga devagar, “real” cabo das tormentas, deglute bem! Não estamos em tempo de estragação.
Carlos Jesus Gil
Sabem?...quando a gente está em casa, cheios de fome, mesmo cheiinhos, e não tem nada pr’a comer? Quer dizer, o ter até temos, estão lá, num saquito de plástico em cima duma prateleira onde param umas garrafitas de gasosas e afins, dois papo-secos…rijos, mesmo secos. Sabem?... Assim está o meu blog hoje, cheiinho dela, larica da bera, e eu sem nadinha, ou quase…Que se fique com este naquito de broa – quase estufa de bolor -, e já é um pau! Vá, mastiga devagar, “real” cabo das tormentas, deglute bem! Não estamos em tempo de estragação.
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 12 de Março de 2009
Era eu Garçon
ERA EU GARÇON
Naquela qualidade, ouvira eu:
Ela acicatou a minha leveza. Conhece-a bem, sabe quão frágeis são os aloquetes da jaula que é a minha consciência. Ela é sabedora disto, tanto ou mais do que eu. Ainda assim, não perde uma oportunidade, por pequena que seja e inusitado o momento, de exortar o meu já avonde exacerbado estímulo por semelhantes… a ela. Mais, não ignora o ignóbil ser que, tratando-se dela – qual original comparado com cópia! -, a coisa é elevada a potência n (não sendo, muito pelo contrário, despiciendo, o n, pois acarreta sempre multiplicação vultuosa). É conhecedora de todos os meus botões; tão bem como as suas mãos, conhece o meu painel de controle…
A desnaturada mui amada (mas que amor?!, paixão, só paixão turva tanto o entendimento) usou e abusou, usa e abusa (na verdade, que excelentes os seus usos e abusos!...) e, qual maré baixa a suceder à alta, vai-se… Vai-se, e eu, ao contrário do que adivinho no afastamento do mar, com ela nada; some-se não sei para onde… Sim, ela volta, mas quando quer (ou será quando pode?), e eu a querer que ela queira rápido… Também, doutro padrão ela não carece, pois aqui o labrego, volte ela num ápice ou luas leve a voltar, definha de braços abertos, pronto a sufocá-la.
Era assim, como supra mencionei. Regressou-me a lucidez: os braços vão estar fechados, para ela, na sua ausência. Quando tornar, na milenar qualidade de amante estará.
Desculpe, proferi eu enquanto lhe servia outro beirão com três pedrinhas de gelo, então ele há lá condição melhor?!
Olhou-me, demoradamente, sem me ver, e retorquiu : responder-lhe-ei daqui a umas luas.
Carlos Jesus Gil
Naquela qualidade, ouvira eu:
Ela acicatou a minha leveza. Conhece-a bem, sabe quão frágeis são os aloquetes da jaula que é a minha consciência. Ela é sabedora disto, tanto ou mais do que eu. Ainda assim, não perde uma oportunidade, por pequena que seja e inusitado o momento, de exortar o meu já avonde exacerbado estímulo por semelhantes… a ela. Mais, não ignora o ignóbil ser que, tratando-se dela – qual original comparado com cópia! -, a coisa é elevada a potência n (não sendo, muito pelo contrário, despiciendo, o n, pois acarreta sempre multiplicação vultuosa). É conhecedora de todos os meus botões; tão bem como as suas mãos, conhece o meu painel de controle…
A desnaturada mui amada (mas que amor?!, paixão, só paixão turva tanto o entendimento) usou e abusou, usa e abusa (na verdade, que excelentes os seus usos e abusos!...) e, qual maré baixa a suceder à alta, vai-se… Vai-se, e eu, ao contrário do que adivinho no afastamento do mar, com ela nada; some-se não sei para onde… Sim, ela volta, mas quando quer (ou será quando pode?), e eu a querer que ela queira rápido… Também, doutro padrão ela não carece, pois aqui o labrego, volte ela num ápice ou luas leve a voltar, definha de braços abertos, pronto a sufocá-la.
Era assim, como supra mencionei. Regressou-me a lucidez: os braços vão estar fechados, para ela, na sua ausência. Quando tornar, na milenar qualidade de amante estará.
Desculpe, proferi eu enquanto lhe servia outro beirão com três pedrinhas de gelo, então ele há lá condição melhor?!
Olhou-me, demoradamente, sem me ver, e retorquiu : responder-lhe-ei daqui a umas luas.
Carlos Jesus Gil
Quarta-feira, 11 de Março de 2009
Brutal Brutalidade
BRUTAL BRUTALIDADE
É brutal a brutalidade do ignóbil ser que dedica tudo a ver mas não enxerga nada; o tempo que gasta é perdido, pois só conhece um sentido: o seu, que é o meritório, tão… que não envolve contraditório. Encarregar-se-á o tempo e o homem, igualmente arrojado mas amplo na cogitação e regular na respiração, expirando só depois de ter inspirado, de propor novas veredas e modernos (futuros velhos) caminhos.
Carlos Jesus Gil
É brutal a brutalidade do ignóbil ser que dedica tudo a ver mas não enxerga nada; o tempo que gasta é perdido, pois só conhece um sentido: o seu, que é o meritório, tão… que não envolve contraditório. Encarregar-se-á o tempo e o homem, igualmente arrojado mas amplo na cogitação e regular na respiração, expirando só depois de ter inspirado, de propor novas veredas e modernos (futuros velhos) caminhos.
Carlos Jesus Gil
Terça-feira, 10 de Março de 2009
Foi apenas um sonho
FOI APENAS UM SONHO
Acabara de nascer
dotado de omnisciência…
Mal abrira os olhos, cá fora,
logo a instâncias
chorara copiosamente para regressar
ao ventre.
Chegara, até, a rogar
à minha mãe pr’ abortar.
Ah hum, foi apenas um sonho!
Carlos Jesus Gil
Acabara de nascer
dotado de omnisciência…
Mal abrira os olhos, cá fora,
logo a instâncias
chorara copiosamente para regressar
ao ventre.
Chegara, até, a rogar
à minha mãe pr’ abortar.
Ah hum, foi apenas um sonho!
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 9 de Março de 2009
Direito (torto) Internacional
Deu-se há uns tempos atrás, bem antes de Obama:
DIREITO (TORTO) INTERNACIONAL
Dia 23 de Março de 2007, as autoridades dos Estados Unidos da América emitem um visto de autorização para viajar até Nova Iorque ao presidente do Irão, para que, na sequência do problema suscitado pelo desenvolvimento da tecnologia nuclear que este país quer levar a cabo e que a Comunidade Internacional quer travar, vá prestar esclarecimentos na Organização das Nações Unidas (ONU).
Questão: Então não deveria ser a ONU território mundial?!... Se o é, e porque não dispõe em espaço contíguo à sede de um aeroporto, não deve qualquer cidadão que tenha que discursar, prestar esclarecimentos ou realizar qualquer outra função legal, ter “livre acesso”, ou seja, não necessitar do visto de um país, um só país?!
Direito ou torto?
Carlos Jesus Gil
DIREITO (TORTO) INTERNACIONAL
Dia 23 de Março de 2007, as autoridades dos Estados Unidos da América emitem um visto de autorização para viajar até Nova Iorque ao presidente do Irão, para que, na sequência do problema suscitado pelo desenvolvimento da tecnologia nuclear que este país quer levar a cabo e que a Comunidade Internacional quer travar, vá prestar esclarecimentos na Organização das Nações Unidas (ONU).
Questão: Então não deveria ser a ONU território mundial?!... Se o é, e porque não dispõe em espaço contíguo à sede de um aeroporto, não deve qualquer cidadão que tenha que discursar, prestar esclarecimentos ou realizar qualquer outra função legal, ter “livre acesso”, ou seja, não necessitar do visto de um país, um só país?!
Direito ou torto?
Carlos Jesus Gil
Domingo, 8 de Março de 2009
Eu e os meus botões
EU E OS MEUS BOTÕES
A aparência prostibular daquela coisa deixou-me intrigado, mesmo indignado… e de mal com os meus botões. Então, digo eu, a dignidade das funções estatais que ali são realizadas não implica uma maior sobriedade e adequabilidade das instalações, do próprio edifício? Por fora, ainda vá, agora por dentro!… Que não, dizem eles, os meus bem tratados botões – que os prefiro aos fechos éclairs -, sempre esmerados e bem cosidos – não por mim, que quando uma vez mo mandaram fazer corri de imediato para a prateleira dos tachos, e, já um ia meio de água a caminho do fogão quando, em justa zombaria, me fizeram ver que o perigo de coser um botão é a picadela e não a queimadela -, que não, que nada de mal viam naquela arquitectura, muito pelo contrário... eu, continuaram, estou é a ficar conservador… Conservador eu?!, eu, sim, e muito, eles. É uma pena, quem tu eras!..., eles.
Das milhentas vezes que com eles privara a muito sós, nunca como desta vez uma discussão chegara a tal ponto, nunca se atreveram eles - e unanimemente! – a classificarem-me de conservador. Eu, todo feito com os revolucionários, tão p’á frentex, tão amigo de que as coisas mudem… para melhor!
Fiquei triste com os meus botões. Já tinham ouvido e visto tanto de mim, e, ainda assim, consideravam a hipótese de algum dia eu vir a tornar-me conservador!... De maneira que me senti na obrigação de ripostar. Recorrendo a ensinamentos musicais que outrora me foram ministrados no Conservatório Gulbenkian em Aveiro, pausei (que pausa também é música)… depois melodiei, sem apoio harmónico, que sozinho era: nobre, o trabalho/ nobres as funções/ dignifiquem a pauta/ senhores musicosões/ o povo é quem paga, sempre/ o papel, a tinta, a obra, a orquestra inteira, as instalações/ criem com talento/ criem condições… melodiei, em duas notas e figuras várias melodiei para os meus botões.
Carlos Jesus Gil
A aparência prostibular daquela coisa deixou-me intrigado, mesmo indignado… e de mal com os meus botões. Então, digo eu, a dignidade das funções estatais que ali são realizadas não implica uma maior sobriedade e adequabilidade das instalações, do próprio edifício? Por fora, ainda vá, agora por dentro!… Que não, dizem eles, os meus bem tratados botões – que os prefiro aos fechos éclairs -, sempre esmerados e bem cosidos – não por mim, que quando uma vez mo mandaram fazer corri de imediato para a prateleira dos tachos, e, já um ia meio de água a caminho do fogão quando, em justa zombaria, me fizeram ver que o perigo de coser um botão é a picadela e não a queimadela -, que não, que nada de mal viam naquela arquitectura, muito pelo contrário... eu, continuaram, estou é a ficar conservador… Conservador eu?!, eu, sim, e muito, eles. É uma pena, quem tu eras!..., eles.
Das milhentas vezes que com eles privara a muito sós, nunca como desta vez uma discussão chegara a tal ponto, nunca se atreveram eles - e unanimemente! – a classificarem-me de conservador. Eu, todo feito com os revolucionários, tão p’á frentex, tão amigo de que as coisas mudem… para melhor!
Fiquei triste com os meus botões. Já tinham ouvido e visto tanto de mim, e, ainda assim, consideravam a hipótese de algum dia eu vir a tornar-me conservador!... De maneira que me senti na obrigação de ripostar. Recorrendo a ensinamentos musicais que outrora me foram ministrados no Conservatório Gulbenkian em Aveiro, pausei (que pausa também é música)… depois melodiei, sem apoio harmónico, que sozinho era: nobre, o trabalho/ nobres as funções/ dignifiquem a pauta/ senhores musicosões/ o povo é quem paga, sempre/ o papel, a tinta, a obra, a orquestra inteira, as instalações/ criem com talento/ criem condições… melodiei, em duas notas e figuras várias melodiei para os meus botões.
Carlos Jesus Gil
Sábado, 7 de Março de 2009
Merda que não cheira a ela
MERDA QUE NÃO CHEIRA A ELA
Merda por todo o lado, avonde. Sei, nem sempre damos conta, é que há dela que não cheira a ela.
Por um lado, isto é mau… arriscamo-nos a meter a mão em coisa que percebemos limpa, mas que… - depois são as inconveniências de mexer na merda! -; por outro, é bom… a consciência do facto obriga – a fim de idónea preparação – a um estudo aturado, ao apuramento da agudeza de espírito e a um culto da perspicácia.
Merda que não cheira a ela _____» motor de desenvolvimento.
Carlos Jesus Gil
Merda por todo o lado, avonde. Sei, nem sempre damos conta, é que há dela que não cheira a ela.
Por um lado, isto é mau… arriscamo-nos a meter a mão em coisa que percebemos limpa, mas que… - depois são as inconveniências de mexer na merda! -; por outro, é bom… a consciência do facto obriga – a fim de idónea preparação – a um estudo aturado, ao apuramento da agudeza de espírito e a um culto da perspicácia.
Merda que não cheira a ela _____» motor de desenvolvimento.
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 6 de Março de 2009
Acerca de Televisão
ACERCA DE TELEVISÃO
Um elevadíssimo responsável pela gigante privada francesa TF1, afirma: “ A principal função da minha Televisão consiste em ajudar a Coca-cola (apenas um exemplo) a vender o seu produto. Para que uma mensagem publicitária seja apanhada é preciso que o cérebro do telespectador esteja disponível. As nossas emissões têm por vocação torná-lo disponível, isto é, diverti-lo, distendê-lo, preparando-o entre duas mensagens. O que nós vendemos à Coca-cola é tempo de cérebro humano disponível. E não há nada mais difícil do que obter essa disponibilidade. “
Ora, fácil, demasiado fácil de encontrar a origem pimba das Televisões generalistas. Mesmo as que o não eram, passaram a sê-lo. Não existe outra forma de governo de uma empresa privada desta natureza – têm que criar “ disponibilidade “ no cérebro humano. E como é que esta se cria? Não é certamente com programas que suscitem elevada reflexão. Elas criam programação que não forma cultural e intelectualmente um indivíduo, porém, entretêm-no, divertem-no, criam-lhe disponibilidade no cérebro.
É essa programação (que não cultiva e não fornece conhecimento ao indivíduo) que os anunciantes pagam; é essa disponibilidade de cérebro humano que é paga.
Carlos Jesus Gil
Um elevadíssimo responsável pela gigante privada francesa TF1, afirma: “ A principal função da minha Televisão consiste em ajudar a Coca-cola (apenas um exemplo) a vender o seu produto. Para que uma mensagem publicitária seja apanhada é preciso que o cérebro do telespectador esteja disponível. As nossas emissões têm por vocação torná-lo disponível, isto é, diverti-lo, distendê-lo, preparando-o entre duas mensagens. O que nós vendemos à Coca-cola é tempo de cérebro humano disponível. E não há nada mais difícil do que obter essa disponibilidade. “
Ora, fácil, demasiado fácil de encontrar a origem pimba das Televisões generalistas. Mesmo as que o não eram, passaram a sê-lo. Não existe outra forma de governo de uma empresa privada desta natureza – têm que criar “ disponibilidade “ no cérebro humano. E como é que esta se cria? Não é certamente com programas que suscitem elevada reflexão. Elas criam programação que não forma cultural e intelectualmente um indivíduo, porém, entretêm-no, divertem-no, criam-lhe disponibilidade no cérebro.
É essa programação (que não cultiva e não fornece conhecimento ao indivíduo) que os anunciantes pagam; é essa disponibilidade de cérebro humano que é paga.
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 5 de Março de 2009
Provocação
PROVOCAÇÃO
Provoquei-a, por acinte.
Nem cavaco ela me deu;
tudo por igual correu,
sem nobreza, sem requinte!
Provoquei-a, reiterando!
Que a ventura que produz
e a beleza que induz
são miragem ribombando.
Provoquei-a sempre, sempre…
Cuspi-lhe toda a verdade:
perdi minha mocidade!...
Ela riu, riu de contente.
É mister não sermos crentes:
há gentes, gentes e gentes!
Carlos Jesus Gil
Provoquei-a, por acinte.
Nem cavaco ela me deu;
tudo por igual correu,
sem nobreza, sem requinte!
Provoquei-a, reiterando!
Que a ventura que produz
e a beleza que induz
são miragem ribombando.
Provoquei-a sempre, sempre…
Cuspi-lhe toda a verdade:
perdi minha mocidade!...
Ela riu, riu de contente.
É mister não sermos crentes:
há gentes, gentes e gentes!
Carlos Jesus Gil
Quarta-feira, 4 de Março de 2009
Non sense/Yes sense
NON SENSE/YES SENSE
Confesso ter uma predilecção especial pelo non sense. Não se trata apenas de, pelo menos no que a mim concerne, o non sense exigir somente uma colina enquanto o yes sense exige, no mínimo, o “Monte Branco”. Não, não é apenas esse o substrato desta minha vocação. Eh pá, pessoal, então não é tão atraente toda aquela mística inerente; toda a incongruência possível; a palermice fantástica, tolice mesmo!; o dar sempre a volta à situação; o dizer sim, se para aí se estiver virado, ou não, se não não nos apetecer; o perceptivelmente dar o dito por não dito, sendo, em termos tácitos, muito outra a situação… pois, fazer uso da ironia até mais não!; o ser-se franco sempre ou nem por isso, e poucos dando conta disso; o nunca ser directo; o ser (dis) ou (indis)… creto; o ser-se exorável ou ine… em tom profundo; o ser-se, enfim, como o Mundo?... Eh pá, pessoal, então não é?!
E depois – ainda mais esta! -, os cinco não dão conta de tudo!
Carlos Jesus Gil
Confesso ter uma predilecção especial pelo non sense. Não se trata apenas de, pelo menos no que a mim concerne, o non sense exigir somente uma colina enquanto o yes sense exige, no mínimo, o “Monte Branco”. Não, não é apenas esse o substrato desta minha vocação. Eh pá, pessoal, então não é tão atraente toda aquela mística inerente; toda a incongruência possível; a palermice fantástica, tolice mesmo!; o dar sempre a volta à situação; o dizer sim, se para aí se estiver virado, ou não, se não não nos apetecer; o perceptivelmente dar o dito por não dito, sendo, em termos tácitos, muito outra a situação… pois, fazer uso da ironia até mais não!; o ser-se franco sempre ou nem por isso, e poucos dando conta disso; o nunca ser directo; o ser (dis) ou (indis)… creto; o ser-se exorável ou ine… em tom profundo; o ser-se, enfim, como o Mundo?... Eh pá, pessoal, então não é?!
E depois – ainda mais esta! -, os cinco não dão conta de tudo!
Carlos Jesus Gil
Terça-feira, 3 de Março de 2009
Poesia/Filosofia
POESIA/FILOSOFIA
Um Poeta é um Filósofo Esteta.
Já repararam no quanto de Filosofia encerra a Poesia de Pessoa, Shakespear, Ruy Belo, Dante, Eugénio de Andrade, Camilo Pessanha, Sá Carneiro, António Aleixo – sim senhor! –,Yeats… e de tantos, tantos outros estetas do Pensamento comunicado?
Bem, convenhamos, todos os grandes escritores são prolíficos em Filosofia. Na Poesia, porém, subsiste uma Arquitectura de Pensamentos, uma Espiritualidade estética e peculiar criadora de tantas Religiões ( que, homem que a vive reza! ), tornando o Poeta ( via talento e tormento ) um emissário do Supremo.
Bela é a Filosofia proveniente das Ciências Físicas; bela, ou belíssima, é a Filosofia que nos chega do seio da própria Filosofia; nenhuma, porém, alcança a beleza estética da que brota da Poesia!
Carlos Jesus Gil
Um Poeta é um Filósofo Esteta.
Já repararam no quanto de Filosofia encerra a Poesia de Pessoa, Shakespear, Ruy Belo, Dante, Eugénio de Andrade, Camilo Pessanha, Sá Carneiro, António Aleixo – sim senhor! –,Yeats… e de tantos, tantos outros estetas do Pensamento comunicado?
Bem, convenhamos, todos os grandes escritores são prolíficos em Filosofia. Na Poesia, porém, subsiste uma Arquitectura de Pensamentos, uma Espiritualidade estética e peculiar criadora de tantas Religiões ( que, homem que a vive reza! ), tornando o Poeta ( via talento e tormento ) um emissário do Supremo.
Bela é a Filosofia proveniente das Ciências Físicas; bela, ou belíssima, é a Filosofia que nos chega do seio da própria Filosofia; nenhuma, porém, alcança a beleza estética da que brota da Poesia!
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 2 de Março de 2009
Detergente pr'a Registo Criminal
DETERGENTE PR’A REGISTO CRIMINAL
Certa vez vi um pêro a correr furiosamente na direcção de uma banana, a qual, esbaforidamente, o que podia fazia no sentido de aumentar a distância entre… Não conseguira, no entanto, a branda banana o enunciado intento, tendo então sucedido que, ao encontrar a dita, o pêro se deu, literal e violentamente, àquela… Foi aí que realmente percebi que banana é mesmo banana!
Depois perguntei-me: serão casal?... Não tardou que me respondesse algo que, sinceramente, já esqueci. Não, não significa esta ausência de memória que ausente fosse a importância da resposta que me dei. Mnemónica, não tenho ido aos treinos!
Bem, conto-vos isto hoje tão só porque verifico, sem recorrer a qualquer juízo de valor, que o detergente pr’a Registo Criminal usado na altura do facto – há uns meses, não muitos, atrás – está a ser retirado do mercado e a ser substituído por outro menos poderoso, mas também menos pernicioso para o ambiente… social. Significa isto que, uma vez banido do mercado tão atávico e poderoso produto, certas nódoas criminais, como por exemplo a que tão complicadamente vos descrevo, muito mais tempo levarão a ser retiradas do respectivo Registo.
E vai daí que, pois e tal e coiso e eu meto-me em cada uma! Pois, o melhor mesmo é ir consultando o Diário da República… ou as prateleiras dos supermercados!
Carlos Jesus Gil
Certa vez vi um pêro a correr furiosamente na direcção de uma banana, a qual, esbaforidamente, o que podia fazia no sentido de aumentar a distância entre… Não conseguira, no entanto, a branda banana o enunciado intento, tendo então sucedido que, ao encontrar a dita, o pêro se deu, literal e violentamente, àquela… Foi aí que realmente percebi que banana é mesmo banana!
Depois perguntei-me: serão casal?... Não tardou que me respondesse algo que, sinceramente, já esqueci. Não, não significa esta ausência de memória que ausente fosse a importância da resposta que me dei. Mnemónica, não tenho ido aos treinos!
Bem, conto-vos isto hoje tão só porque verifico, sem recorrer a qualquer juízo de valor, que o detergente pr’a Registo Criminal usado na altura do facto – há uns meses, não muitos, atrás – está a ser retirado do mercado e a ser substituído por outro menos poderoso, mas também menos pernicioso para o ambiente… social. Significa isto que, uma vez banido do mercado tão atávico e poderoso produto, certas nódoas criminais, como por exemplo a que tão complicadamente vos descrevo, muito mais tempo levarão a ser retiradas do respectivo Registo.
E vai daí que, pois e tal e coiso e eu meto-me em cada uma! Pois, o melhor mesmo é ir consultando o Diário da República… ou as prateleiras dos supermercados!
Carlos Jesus Gil
Domingo, 1 de Março de 2009
Noite; dia; princípio... de tudo
NOITE; DIA; PRINCÍPIO… DE TUDO
Noite,
és tão velha
que ninguém, jamais,
te viu nascer.
Dia,
como a noite,
só há testemunhos
do teu acordar.
Carlos Jesus Gil
Noite,
és tão velha
que ninguém, jamais,
te viu nascer.
Dia,
como a noite,
só há testemunhos
do teu acordar.
Carlos Jesus Gil
Sábado, 28 de Fevereiro de 2009
O Congresso do Partido Socialista
Depois de lerem, perguntarão – ou não – vocês: mas o que é que isto tem a ver com o Congresso do PS?!... Bem, resposta(s) prévia(s): tudo; nada; muito; pouco.
Outro PS o presente post é eclético, em termos político-ideológicos.
A Política é um jogo de contrapartidas e chantagens!
POLÍTICA
No sistema iníquo em que vivemos, os políticos não podem prescindir de dois instrumentos fundamentais: as contrapartidas e as chantagens.
Por mais idóneo, mais íntegro que seja um político, existirão sempre situações em que terá que recorrer a estes instrumentos - isoladamente ou em conjunto -, sob pena, caso o não faça, de não conseguir alcançar as grandes causas a que se vai propondo.
Na Política, como, de resto, nas demais actividades da sociedade, a concorrência é uma constante, e cada vez mais global. É imprescindível concorrer em paridade, usando instrumentos que, no mínimo, não sejam inferiores aos da concorrência.
Carlos Jesus Gil
Outro PS o presente post é eclético, em termos político-ideológicos.
A Política é um jogo de contrapartidas e chantagens!
POLÍTICA
No sistema iníquo em que vivemos, os políticos não podem prescindir de dois instrumentos fundamentais: as contrapartidas e as chantagens.
Por mais idóneo, mais íntegro que seja um político, existirão sempre situações em que terá que recorrer a estes instrumentos - isoladamente ou em conjunto -, sob pena, caso o não faça, de não conseguir alcançar as grandes causas a que se vai propondo.
Na Política, como, de resto, nas demais actividades da sociedade, a concorrência é uma constante, e cada vez mais global. É imprescindível concorrer em paridade, usando instrumentos que, no mínimo, não sejam inferiores aos da concorrência.
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
Um dia à tarde, já bem perto da manhã
UM DIA À TARDE, JÁ BEM PERTO DA MANHÃ
…
- Ai que laranjas tão docinhas ali vão naquele camião que tão suavemente desliza sobre o alto cabo de muito alta tensão!
… E a assembleia toda a olhar… para o ar!
Um, da assembleia:
- Mas, como é que tu sabes? Nunca as provaste!
- E tu, como sabes tu que eu nunca as provei?
Outro, da assembleia:
- Deixem-se mas é de lérias! Nós nem sequer existimos… Existo eu, e aquele, e o outro atrás dele, e aquele ali, e o que está ao lado dele, e o que está ao lado seja de quem for mais a sua referência de localização… e tu que atónito me fixas… Agora nós?... Nós não existimos!
E assim continuaram pela tarde fora, surrealistas e existencialistas, enquanto aguardavam o pequeno-almoço.
Carlos Jesus Gil
…
- Ai que laranjas tão docinhas ali vão naquele camião que tão suavemente desliza sobre o alto cabo de muito alta tensão!
… E a assembleia toda a olhar… para o ar!
Um, da assembleia:
- Mas, como é que tu sabes? Nunca as provaste!
- E tu, como sabes tu que eu nunca as provei?
Outro, da assembleia:
- Deixem-se mas é de lérias! Nós nem sequer existimos… Existo eu, e aquele, e o outro atrás dele, e aquele ali, e o que está ao lado dele, e o que está ao lado seja de quem for mais a sua referência de localização… e tu que atónito me fixas… Agora nós?... Nós não existimos!
E assim continuaram pela tarde fora, surrealistas e existencialistas, enquanto aguardavam o pequeno-almoço.
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
O inevitável não nega a oposição!
O INEVITÁVEL NÃO NEGA A OPOSIÇÃO!
Rodeiam-nos disparidades em todos os sectores… Por vezes, abomináveis disparidades! Não devemos habituar-nos a elas, temos, no mínimo, de nos esforçar por isso!
Tolice seria, também, iludirmo-nos (bem sabemos o que foi e o que será…), mas a mitigação é o almejo racional, como tal é mister opormo-nos ao teatro instalado. Por si só, tal acto provocaria, certamente, mudanças – pequenas (os átomos também são pequenos e resultam, quando percorridas as devidas veredas, em majestáticas enormidades) mas boas – nos actos do mesmo.
Desprezível displicência! Anacrónica abulia.
Carlos Jesus Gil
Rodeiam-nos disparidades em todos os sectores… Por vezes, abomináveis disparidades! Não devemos habituar-nos a elas, temos, no mínimo, de nos esforçar por isso!
Tolice seria, também, iludirmo-nos (bem sabemos o que foi e o que será…), mas a mitigação é o almejo racional, como tal é mister opormo-nos ao teatro instalado. Por si só, tal acto provocaria, certamente, mudanças – pequenas (os átomos também são pequenos e resultam, quando percorridas as devidas veredas, em majestáticas enormidades) mas boas – nos actos do mesmo.
Desprezível displicência! Anacrónica abulia.
Carlos Jesus Gil
Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
E esse Carnaval, como é que foi?
E ESSE CARNAVAL, COMO É QUE FOI?
Olá, como vão? Esse Carnaval, como foi?
Uns dias de ausência, e não é que a saudade assomou?!
Não, não fui ao sambódromo carioca, como aventou, em comentário ao post anterior, o grande amigo Dragão Vila Pouca; não fui foliar, quer dizer, até que foliei… e bastante, contudo encontrei-me, principalmente, veementemente embrenhado na função de ruídar música, muita música pr’a galera dançar!... Coisas do Carnaval… e de quem musica. Muita música dei eu!
Mas vamos ao que interessa: querem contar-nos como foi o vosso Carnaval?... Vá lá, não custa nada!
Cá vos espero!
Carlos Jesus Gil
Olá, como vão? Esse Carnaval, como foi?
Uns dias de ausência, e não é que a saudade assomou?!
Não, não fui ao sambódromo carioca, como aventou, em comentário ao post anterior, o grande amigo Dragão Vila Pouca; não fui foliar, quer dizer, até que foliei… e bastante, contudo encontrei-me, principalmente, veementemente embrenhado na função de ruídar música, muita música pr’a galera dançar!... Coisas do Carnaval… e de quem musica. Muita música dei eu!
Mas vamos ao que interessa: querem contar-nos como foi o vosso Carnaval?... Vá lá, não custa nada!
Cá vos espero!
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
O preço das viagens
Foi escrito há já uns tempos. O primeiro parágrafo encontra-se fora de validade... O resto é intemporal. Eis o tal:
O PREÇO DAS VIAGENS
Lembrei-me hoje de que já não viajo, em lazer, há muito tempo. Cinco anos e alguns meses passaram sobre a última de algumas viagens que empreendi por esse mundo afora.
Instantes volvidos, tive a consciência epifanica de que não é bem assim. É que, paradoxalmente ou não, nunca deixei de viajar em lazer!... Aos sítios onde fui e que vivi regresso constantemente, sempre que necessito de me ausentar. Passo quase todos os dias largos minutos de deleite, sempre intenso, nesses pontos do orbe. Viajo à velocidade da luz de um ponto para o outro.
São pílulas de prazer de efeito perene, essas que não se encontram nas farmácias, mas nas agências de viagens!
A consciência leva-me a admitir que me enganava quando julgava altamente dispendiosos os meus devaneios viageiros. Caros?!...Não, do mais barato que há…,pois se só paguei uma vez e viajo sempre! Então, quando, pejado de prazer, falo delas aos meus amigos, o que é isto?... Se isto não é viajar em lazer!…
Menos de um cêntimo foi quanto me custou cada viagem; e, se viver muito, muito, muito – digo viver -, não temos moeda que se adapte ao preço.
Carlos Jesus Gil
O PREÇO DAS VIAGENS
Lembrei-me hoje de que já não viajo, em lazer, há muito tempo. Cinco anos e alguns meses passaram sobre a última de algumas viagens que empreendi por esse mundo afora.
Instantes volvidos, tive a consciência epifanica de que não é bem assim. É que, paradoxalmente ou não, nunca deixei de viajar em lazer!... Aos sítios onde fui e que vivi regresso constantemente, sempre que necessito de me ausentar. Passo quase todos os dias largos minutos de deleite, sempre intenso, nesses pontos do orbe. Viajo à velocidade da luz de um ponto para o outro.
São pílulas de prazer de efeito perene, essas que não se encontram nas farmácias, mas nas agências de viagens!
A consciência leva-me a admitir que me enganava quando julgava altamente dispendiosos os meus devaneios viageiros. Caros?!...Não, do mais barato que há…,pois se só paguei uma vez e viajo sempre! Então, quando, pejado de prazer, falo delas aos meus amigos, o que é isto?... Se isto não é viajar em lazer!…
Menos de um cêntimo foi quanto me custou cada viagem; e, se viver muito, muito, muito – digo viver -, não temos moeda que se adapte ao preço.
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
O pasmo
O PASMO
…
- Isso é o que tu dizes.
- Pois é, mas eu também posso dizer que o que tu dizes é o que tu dizes.
- Então diz!... Vá, anda, diz!
- E digo, e digo!
- Então diz, pá!
- Pronto: isso que tu dizes é o que tu dizes!
Entretanto, olhando para a mesa repleta de garrafas e de copos, o dono do bar, um senhor conhecido e amigo, indaga:
- Pessoal, esta loiça é cá do bar ou é vossa? É que se for cá da casa vou arrumá-la.
O pessoal pasmou!
Carlos Jesus Gil
…
- Isso é o que tu dizes.
- Pois é, mas eu também posso dizer que o que tu dizes é o que tu dizes.
- Então diz!... Vá, anda, diz!
- E digo, e digo!
- Então diz, pá!
- Pronto: isso que tu dizes é o que tu dizes!
Entretanto, olhando para a mesa repleta de garrafas e de copos, o dono do bar, um senhor conhecido e amigo, indaga:
- Pessoal, esta loiça é cá do bar ou é vossa? É que se for cá da casa vou arrumá-la.
O pessoal pasmou!
Carlos Jesus Gil
Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
Ser e parecer
SER E PARECER
À nossa sociedade importa muito mais o parecer do que o ser. Daí que muitos, os mais espertos, se limitem a representar.
Os outros, os que são, são-no porque não estariam bem de outra forma, ou, então, porque lhes é mais fácil ser do que parecer. É que parecer, para além de exigir talento, encerrar a sua arte, também dá trabalho.
Carlos Jesus Gil
À nossa sociedade importa muito mais o parecer do que o ser. Daí que muitos, os mais espertos, se limitem a representar.
Os outros, os que são, são-no porque não estariam bem de outra forma, ou, então, porque lhes é mais fácil ser do que parecer. É que parecer, para além de exigir talento, encerrar a sua arte, também dá trabalho.
Carlos Jesus Gil
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
2+2=5 II
Na diversidade encontramos a riqueza. Já imaginaram uma hegemonia do igual?... Eh pá, pessoal, para além de utópico, de traduzir uma pobreza franciscana, seria cá um enfado!
Riqueza, desenvolvimento implicam diversidade, interacção, complementaridade!
Daí que fique todo contente quando recebo, acerca do texto postado, comentários o mais díspares possível. A riqueza de interpretações fascina-me, chega a inebriar-me!
Pois, em verdade, nem eu sei o que quis dizer com todo aquele arrazoado. Sim, o que significa aquela trapalhada toda?... Sei lá!... Não sei, palavra!... Ah, com futebol – apesar das referências – não tem a ver, juro-vos!
Então, e com o objectivo de reiterar o não significado, ou pelo menos a apologia da significação plural, aí vai uma reformulação da charada… desculpem!, trapalhada:
2+2=5 II
Era uma vez um casal. O homem era tão gordo tão gordo tão gordo, e a mulher tão magra tão magra que quando estava de frente parecia que estava de lado e quando estava de lado não se via, e sempre que se sentavam à mesa o avô dela jurava que nunca mais nadava no mar das caraíbas, enquanto o tio dele clamava bem alto que, assim sendo, filmes de cow-boys nunca mais!
De modo que o filho mais velho do pai dele, que tinha sido parido pela sua mãe mas não pela do irmão, era totalmente careca.
Quantos aos meninos, melhor, quanto à menina de onze e ao menino de nove, que não tinham nada a ver um com o outro e nem sequer o recém-eleito presidente americano sabe jogar às escondidas, nunca souberam como se calcula o preço do último cd dos Sistem, sabendo que três quartos de Quinta do Cabriz custam 3.5€ e um guiador de bicicleta verde 17€.
Muito importante, demasiado mesmo: a bicicleta tem que ser BMX… se não, é um problema!
Carlos Jesus Gil
Riqueza, desenvolvimento implicam diversidade, interacção, complementaridade!
Daí que fique todo contente quando recebo, acerca do texto postado, comentários o mais díspares possível. A riqueza de interpretações fascina-me, chega a inebriar-me!
Pois, em verdade, nem eu sei o que quis dizer com todo aquele arrazoado. Sim, o que significa aquela trapalhada toda?... Sei lá!... Não sei, palavra!... Ah, com futebol – apesar das referências – não tem a ver, juro-vos!
Então, e com o objectivo de reiterar o não significado, ou pelo menos a apologia da significação plural, aí vai uma reformulação da charada… desculpem!, trapalhada:
2+2=5 II
Era uma vez um casal. O homem era tão gordo tão gordo tão gordo, e a mulher tão magra tão magra que quando estava de frente parecia que estava de lado e quando estava de lado não se via, e sempre que se sentavam à mesa o avô dela jurava que nunca mais nadava no mar das caraíbas, enquanto o tio dele clamava bem alto que, assim sendo, filmes de cow-boys nunca mais!
De modo que o filho mais velho do pai dele, que tinha sido parido pela sua mãe mas não pela do irmão, era totalmente careca.
Quantos aos meninos, melhor, quanto à menina de onze e ao menino de nove, que não tinham nada a ver um com o outro e nem sequer o recém-eleito presidente americano sabe jogar às escondidas, nunca souberam como se calcula o preço do último cd dos Sistem, sabendo que três quartos de Quinta do Cabriz custam 3.5€ e um guiador de bicicleta verde 17€.
Muito importante, demasiado mesmo: a bicicleta tem que ser BMX… se não, é um problema!
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
2+2=5
2+2=5
Era uma vez um casal. A mulher era tão gorada tão gorda tão gorda, e o homem tão magro tão magro que sempre que se sentavam à mesa o avô dela nunca comia salsichas ao pequeno almoço que, lá pelas bandas onde morava, era sempre composto de grande naco de toucinho salgado e duas taçonas de vinho tinto… Do alentejano? Não! O automóvel que usavam pertencia a um senhor do Norte, um minhoto, dono de uma quinta na Bairrada. Os aviões não paravam por lá, mas não havia Segunda-Feira em que não se sentissem as repercussões das más arbitragens, apanágio do nosso futebol. E vai daí…
Carlos Jesus Gil
Era uma vez um casal. A mulher era tão gorada tão gorda tão gorda, e o homem tão magro tão magro que sempre que se sentavam à mesa o avô dela nunca comia salsichas ao pequeno almoço que, lá pelas bandas onde morava, era sempre composto de grande naco de toucinho salgado e duas taçonas de vinho tinto… Do alentejano? Não! O automóvel que usavam pertencia a um senhor do Norte, um minhoto, dono de uma quinta na Bairrada. Os aviões não paravam por lá, mas não havia Segunda-Feira em que não se sentissem as repercussões das más arbitragens, apanágio do nosso futebol. E vai daí…
Carlos Jesus Gil
Domingo, 15 de Fevereiro de 2009
Fonte de soberania
FONTE DE SOBERANIA
Um olhar aturado sobre as acções e as reacções dos políticos mostra-nos o quão condicionadas estão as suas decisões, pelo comprometimento da sua condição futura.
Passa-se isto a nível do pequeno burgo, do burgo maior e do agregado destes. Aqui, por exemplo, um sem número de reuniões – formais e informais -, conversas de corredor, de restaurante, de café e, até, de hall de entrada…precedem a aprovação de uma simples –ou complicada…- directiva. É que, quem negoceia não objectiva o bem global, ou, ainda que este o mobilize, pensa sempre, primeiramente, no do seu país, isto é, no seu, no seu particularíssimo bem, pois se a nação que lhe delegou poderes sair a perder, ele, negociador (qual mercador/feirante regateando o melhor preço!, gorando, todavia, as expectativas que viajaram consigo…), vai, sabemo-lo, sofrer tácito castigo – que os outros, os que delegam, também o hão-de sofrer, a seu tempo, claro. A não ser que… É que isto dos que delegam tem muito que se lhe diga; ele há aqui outros recursos, variadas ferramentas, de modo que não é limpinho recorrer em casos tais a pura extrapolação. Quem desconhece que, pelo menos a partir de determinado timing, não há decisão governamental que não careça de prévia inquirição (vulgo sondagem)? Atentos, sempre atentos aos números que o quarto (quarto!?, vejamos se não é o primeiro, vejamos!) poder se encarrega de, regularmente, lançar à liça. No pequeno burgo só a escala muda, o resto… tem o mesmo cheiro.
Todos temem o futuro (claro, quem é que não!... a ditadura do futuro tem governado o mundo do homem em todas as suas dimensões. À guisa de um “ estás perdoada”, clamemos: não és a única, política, a submeteres-te à ignóbil ditadura, bem te compreendemos!) da sua figura e da dos seus.
Ora, mas quem atemoriza assim tanto os nobres políticos? O povo, com certeza! Esse colectivo tirânico, despótica horda de… pagadores: de estradas, luz das ruas, de escolas, dos hospitais, dos tribunais, dos edifícios ministeriais, dos automóveis dos tais, do seu belo (isso é relativo, e subjectivo e… é é, vem cá com essa que vais de …, vais a pé, a pé é que tu vais, se me vens com ingenuidades.) modo de vida, e de outras, muitas outras coisas que tais.
Só o Soberano (o Verdadeiro) parece desconhecer a sua condição. É pena!
Eiii!, anarquista não sou; niilista também não. Reconheço a necessidade de delegados, nossos. “Não pode ser tudo ao monte e fé em Deus”, eu sei!... Porém…
Carlos Jesus Gil
Um olhar aturado sobre as acções e as reacções dos políticos mostra-nos o quão condicionadas estão as suas decisões, pelo comprometimento da sua condição futura.
Passa-se isto a nível do pequeno burgo, do burgo maior e do agregado destes. Aqui, por exemplo, um sem número de reuniões – formais e informais -, conversas de corredor, de restaurante, de café e, até, de hall de entrada…precedem a aprovação de uma simples –ou complicada…- directiva. É que, quem negoceia não objectiva o bem global, ou, ainda que este o mobilize, pensa sempre, primeiramente, no do seu país, isto é, no seu, no seu particularíssimo bem, pois se a nação que lhe delegou poderes sair a perder, ele, negociador (qual mercador/feirante regateando o melhor preço!, gorando, todavia, as expectativas que viajaram consigo…), vai, sabemo-lo, sofrer tácito castigo – que os outros, os que delegam, também o hão-de sofrer, a seu tempo, claro. A não ser que… É que isto dos que delegam tem muito que se lhe diga; ele há aqui outros recursos, variadas ferramentas, de modo que não é limpinho recorrer em casos tais a pura extrapolação. Quem desconhece que, pelo menos a partir de determinado timing, não há decisão governamental que não careça de prévia inquirição (vulgo sondagem)? Atentos, sempre atentos aos números que o quarto (quarto!?, vejamos se não é o primeiro, vejamos!) poder se encarrega de, regularmente, lançar à liça. No pequeno burgo só a escala muda, o resto… tem o mesmo cheiro.
Todos temem o futuro (claro, quem é que não!... a ditadura do futuro tem governado o mundo do homem em todas as suas dimensões. À guisa de um “ estás perdoada”, clamemos: não és a única, política, a submeteres-te à ignóbil ditadura, bem te compreendemos!) da sua figura e da dos seus.
Ora, mas quem atemoriza assim tanto os nobres políticos? O povo, com certeza! Esse colectivo tirânico, despótica horda de… pagadores: de estradas, luz das ruas, de escolas, dos hospitais, dos tribunais, dos edifícios ministeriais, dos automóveis dos tais, do seu belo (isso é relativo, e subjectivo e… é é, vem cá com essa que vais de …, vais a pé, a pé é que tu vais, se me vens com ingenuidades.) modo de vida, e de outras, muitas outras coisas que tais.
Só o Soberano (o Verdadeiro) parece desconhecer a sua condição. É pena!
Eiii!, anarquista não sou; niilista também não. Reconheço a necessidade de delegados, nossos. “Não pode ser tudo ao monte e fé em Deus”, eu sei!... Porém…
Carlos Jesus Gil
Sábado, 14 de Fevereiro de 2009
Cantar meu Pai
Hoje é dia dos namorados, bem o sei... De há três anos a esta parte, porém, este não é senão o dia da morte de meu pai. Novo morreu meu pai... novo, mas com obra vetusta por legado.
Este é um dos raríssimos textos partilhados convosco, que saem totalmente das esferas da ficção e da análise.
A quem couber, faça-o também seu!
CANTAR MEU PAI
O meu Pai morreu!...
Não, não foi “apenas” mais um pai que morreu.
A coisa não funciona assim…,
Este era o meu!
Por isso é que para mim
são os dias breves
e as noites sem fim;
a alegria omissa
dá lugar à tristeza, que preguiça;
o canto mais belo já não é assim;
a tela que pinto só tem uma cor,
a da dor!
Não, não foi “apenas” mais um pai que morreu.
Este era o meu,
O do meu irmão e da minha irmã;
O Homem de minha mãe;
O avô dos meus sobrinhos!
Tento cantá-Lo…
Tão fácil fosse
como me é lembrá-Lo!...
Tudo o que me sai, porém,
soa pequeno, muito aquém
do Ser Enorme que foi,
do Poema que escreveu
com a vida que viveu…
E isso também me dói!
Carlos Jesus Gil
Este é um dos raríssimos textos partilhados convosco, que saem totalmente das esferas da ficção e da análise.
A quem couber, faça-o também seu!
CANTAR MEU PAI
O meu Pai morreu!...
Não, não foi “apenas” mais um pai que morreu.
A coisa não funciona assim…,
Este era o meu!
Por isso é que para mim
são os dias breves
e as noites sem fim;
a alegria omissa
dá lugar à tristeza, que preguiça;
o canto mais belo já não é assim;
a tela que pinto só tem uma cor,
a da dor!
Não, não foi “apenas” mais um pai que morreu.
Este era o meu,
O do meu irmão e da minha irmã;
O Homem de minha mãe;
O avô dos meus sobrinhos!
Tento cantá-Lo…
Tão fácil fosse
como me é lembrá-Lo!...
Tudo o que me sai, porém,
soa pequeno, muito aquém
do Ser Enorme que foi,
do Poema que escreveu
com a vida que viveu…
E isso também me dói!
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Folha caduca/folha persistente
FOLHA CADUCA/FOLHA PERSISTENTE
Existem árvores de folha caduca, mas não as há de folha persistente. Há-as, isso sim, de folhedo permanente.
Observei avenidas, boulevards, parques verdes, bosques, florestas; examinei, até, em assembleias e consultórios. Acreditem!: existem árvores de folha caduca e outras… de folhagem persistente.
De vez em quando dá-se um caso… e o mundo muda!
Carlos Jesus Gil
Existem árvores de folha caduca, mas não as há de folha persistente. Há-as, isso sim, de folhedo permanente.
Observei avenidas, boulevards, parques verdes, bosques, florestas; examinei, até, em assembleias e consultórios. Acreditem!: existem árvores de folha caduca e outras… de folhagem persistente.
De vez em quando dá-se um caso… e o mundo muda!
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
Suspicaz
SUSPICAZ
Ninguém, sempre,
é capaz
de não ser suspicaz!
O Político,
por força do que é
- e só o é porque a tem,
a força de mais ninguém -,
é quem mais não é capaz.
O Padre;
o Papa;
o Asceta;
o Médico Obstetra;
o Lenhador;
o Artista;
o Industrial;
o Contrabandista;
o Paladino;
o Abnegado.
O Rio Cristalino,
em quelha,
em avenida…
Tanto faz!
Ubíquo és,
suspicaz.
Carlos Jesus Gil
Ninguém, sempre,
é capaz
de não ser suspicaz!
O Político,
por força do que é
- e só o é porque a tem,
a força de mais ninguém -,
é quem mais não é capaz.
O Padre;
o Papa;
o Asceta;
o Médico Obstetra;
o Lenhador;
o Artista;
o Industrial;
o Contrabandista;
o Paladino;
o Abnegado.
O Rio Cristalino,
em quelha,
em avenida…
Tanto faz!
Ubíquo és,
suspicaz.
Carlos Jesus Gil
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
Desafio
DESAFIO
Consta o post d’hoje da resposta a um desafio de uma amiga webística. O mesmo insta-me a revelar oito desejos para este ano; a dar conta deles a oito desafiados de uma lista; a convidar oito bloggers para fazerem o mesmo…
Como adoro quebrar regras, vejo aqui oportunidade de me consolar sem prejudicar quem quer k seja…vou quebrar uma… ou duas: não vou desafiar ninguém… não vou dar conta a todos. O resto faço… de bom grado! (Embora isto me soe a mais uma patranha de operadora comunicacional!):
Então, nada mais simples: mês de Março namorar contigo (a amiga desafiadora, do blog “ E se eu fosse puta… tu lias?); Abril com a tua amiga mais bonita e boa; Maio, com vocês as duas (Eh pá, não te chateies!); primeiros quinze de Junho, com a Nereida ( aquela do Ronaldo); segundos quinze com a Rita Andrade, a entrar branquinha e a sair tostadinha; primeiros quinze de Julho com a Ritinha Pereira; o sétimo é k de mordomias seja farto e k sejam sempre vocês a pagar eheheh! (não te chateies!); oitavo, que o Brad Pitt e a Angelina se separem por eu andar com ela desde Março... e ele ter dado por ela!
Pronto!
Consta o post d’hoje da resposta a um desafio de uma amiga webística. O mesmo insta-me a revelar oito desejos para este ano; a dar conta deles a oito desafiados de uma lista; a convidar oito bloggers para fazerem o mesmo…
Como adoro quebrar regras, vejo aqui oportunidade de me consolar sem prejudicar quem quer k seja…vou quebrar uma… ou duas: não vou desafiar ninguém… não vou dar conta a todos. O resto faço… de bom grado! (Embora isto me soe a mais uma patranha de operadora comunicacional!):
Então, nada mais simples: mês de Março namorar contigo (a amiga desafiadora, do blog “ E se eu fosse puta… tu lias?); Abril com a tua amiga mais bonita e boa; Maio, com vocês as duas (Eh pá, não te chateies!); primeiros quinze de Junho, com a Nereida ( aquela do Ronaldo); segundos quinze com a Rita Andrade, a entrar branquinha e a sair tostadinha; primeiros quinze de Julho com a Ritinha Pereira; o sétimo é k de mordomias seja farto e k sejam sempre vocês a pagar eheheh! (não te chateies!); oitavo, que o Brad Pitt e a Angelina se separem por eu andar com ela desde Março... e ele ter dado por ela!
Pronto!
Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
Então?...
ENTÃO?...
…
- Por que é que vives com ela?
- Ora, porque ela é muito bonita; e bem feita!… Não, não é por isso. Ela tem carisma, e eu aprecio imenso essa qualidade; além do mais é uma mulher interessante…
Não, também não é por isso. Ela até é absolutamente vulgar, só se distingue entre as eleitas… Deixemo-nos de coisas, de facto ela é é de uma deferência fora do comum, é uma amiga do peito. Reside aí a razão!... Ó pá não, também não é esse o motivo. É a cama pá, a cama é que é a causa: a mulher é recurso qualificado, de enorme produtividade… Porra, não é nada pá, a gaja é de um marasmo atroz; é um texto prolixo!...
Bem…, a gaja nem sequer é, e, vistas bem as coisas, eu nem ando com ela… E, vistas as coisas ainda melhor, ela nem sequer existe!
- Então?...
PS ora, esta semana faz 200 anos k Darwin nasceu (não me perguntem o dia... não o sei. Sei k na net seria fácil, mas como não tenho net... Vejam vocês!). Então, serve este PS para parabenizar o Mundo por ter dado à luz o nobel senhor mas mais, para muito agradecer o empenho indefectível do comentador Darwin.
Carlos Jesus Gil
…
- Por que é que vives com ela?
- Ora, porque ela é muito bonita; e bem feita!… Não, não é por isso. Ela tem carisma, e eu aprecio imenso essa qualidade; além do mais é uma mulher interessante…
Não, também não é por isso. Ela até é absolutamente vulgar, só se distingue entre as eleitas… Deixemo-nos de coisas, de facto ela é é de uma deferência fora do comum, é uma amiga do peito. Reside aí a razão!... Ó pá não, também não é esse o motivo. É a cama pá, a cama é que é a causa: a mulher é recurso qualificado, de enorme produtividade… Porra, não é nada pá, a gaja é de um marasmo atroz; é um texto prolixo!...
Bem…, a gaja nem sequer é, e, vistas bem as coisas, eu nem ando com ela… E, vistas as coisas ainda melhor, ela nem sequer existe!
- Então?...
PS ora, esta semana faz 200 anos k Darwin nasceu (não me perguntem o dia... não o sei. Sei k na net seria fácil, mas como não tenho net... Vejam vocês!). Então, serve este PS para parabenizar o Mundo por ter dado à luz o nobel senhor mas mais, para muito agradecer o empenho indefectível do comentador Darwin.
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Neófilo
NEÓFILO
Sou um neófilo, agrada-me a novidade, a inovação, o progresso… Em simultâneo assombro-me com o passado!
Alternadamente, extasio-me com uma ruína, um texto da Antiguidade ou um potente mp4; com um “Mosteiro da Batalha” ou um moderno centro comercial; com um precioso pergaminho ou um artigo de uma qualquer “Visão”; com um concerto hip-hop ou uma abençoada Sinfonia. Igual contemplação me merecem uma pitoresca paisagem natural, um povoado rural ou uma avenida ornada de edifícios de moderna arquitectura. O silêncio e o bulício também encontram em mim um freguês indefectível.
Não vivo sem o Sul e o Norte; não dispenso nenhum dos quadrantes!
Carlos Jesus Gil
Sou um neófilo, agrada-me a novidade, a inovação, o progresso… Em simultâneo assombro-me com o passado!
Alternadamente, extasio-me com uma ruína, um texto da Antiguidade ou um potente mp4; com um “Mosteiro da Batalha” ou um moderno centro comercial; com um precioso pergaminho ou um artigo de uma qualquer “Visão”; com um concerto hip-hop ou uma abençoada Sinfonia. Igual contemplação me merecem uma pitoresca paisagem natural, um povoado rural ou uma avenida ornada de edifícios de moderna arquitectura. O silêncio e o bulício também encontram em mim um freguês indefectível.
Não vivo sem o Sul e o Norte; não dispenso nenhum dos quadrantes!
Carlos Jesus Gil
Domingo, 8 de Fevereiro de 2009
O jogo
O JOGO
- Olá minha menina, como estás?
- Estou óptima, e tu?
- Tá-se bem também , obrigado.
- Devias era espetar esse cabelo com gel, ficarias com um visual bem mais jovem.
- O meu cabelo é fraquito, mesmo com muito gel, do ultra forte, só muito curtinho é que dá para espetar. E eu não gosto de me ver com o cabelo muito curto.
- Se fosses meu namorado cortava-lo, ai isso é que cortavas!
- Se fosse teu namorado, e se tu gostasses de me ver com pente zero, já eu não não gostava de me ver com o cabelo curto. Mas … mas tu, sempre que toco no assunto – e não são raras, as vezes – desvias para canto …
- O desviar para canto não é terminar o jogo. Pelo contrário, é dar-lhe seguimento com uma acção de ofensiva superior.
- Não tinha pensado nisso! Tenho que aproveitar melhor os cantos, pode ser que meta golo.
O JOGO, COMO ELE É
... Ó lindinha, lindinha!
Se fosses minha namorada, querias lá tu saber se meto gel ou bosta no cabelo; se é comprido ou curto; se é liso ou encaracolado!
Se fosses minha namorada … era porque sim, o sim que anula – ou tolda – os “defeitos” e amplia as “virtudes”.
Quando é porque sim o pouco ou o muito basta; o ao pouco se juntar ou ao muito se tirar, em nada altera o stock.
Nem de penalty sem guarda-redes na baliza!… Contigo.
Carlos Jesus Gil
- Olá minha menina, como estás?
- Estou óptima, e tu?
- Tá-se bem também , obrigado.
- Devias era espetar esse cabelo com gel, ficarias com um visual bem mais jovem.
- O meu cabelo é fraquito, mesmo com muito gel, do ultra forte, só muito curtinho é que dá para espetar. E eu não gosto de me ver com o cabelo muito curto.
- Se fosses meu namorado cortava-lo, ai isso é que cortavas!
- Se fosse teu namorado, e se tu gostasses de me ver com pente zero, já eu não não gostava de me ver com o cabelo curto. Mas … mas tu, sempre que toco no assunto – e não são raras, as vezes – desvias para canto …
- O desviar para canto não é terminar o jogo. Pelo contrário, é dar-lhe seguimento com uma acção de ofensiva superior.
- Não tinha pensado nisso! Tenho que aproveitar melhor os cantos, pode ser que meta golo.
O JOGO, COMO ELE É
... Ó lindinha, lindinha!
Se fosses minha namorada, querias lá tu saber se meto gel ou bosta no cabelo; se é comprido ou curto; se é liso ou encaracolado!
Se fosses minha namorada … era porque sim, o sim que anula – ou tolda – os “defeitos” e amplia as “virtudes”.
Quando é porque sim o pouco ou o muito basta; o ao pouco se juntar ou ao muito se tirar, em nada altera o stock.
Nem de penalty sem guarda-redes na baliza!… Contigo.
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
Lâminas de barbear
LÂMINAS DE BARBEAR
Há dias, precisado de fazer a barba e não tendo lâminas em casa, dirijo-me a uma mercearia de bairro, e peço:
- Minha senhora, boa tarde! Queria lâminas pr’á barba, por favor.
- Não temos lâminas pr’á barba, temos é chocolates Milka.
- Pensando que de inusitado mas admissível gracejo se tratava, sorri e repeti: tá boa, minha senhora! Agora a sério, precisava de lâminas pr’á barba.
- Ó rapaz, você não ouviu? Já lhe disse que não temos lâminas pr’á barba, temos é chocolates Milka.
Na idosa senhora, que longe não andaria dos sem lâminas pr’á barba, notava-se já valente irritação… Seria o meu pedido algo inopinado, mesmo zombador e ofensivo da boa conduta comercial daquele estabelecimento mercantil?... Pelo sim pelo não, e antes que lhe desse alguma:
- Está bem, minha senhora, dê-me então um chocolate Milka! Pode ser daqueles com amêndoas.
- Aqui está. São dois euros.
Pronto!... No caminho para casa, não parava de matutar na estranha cena… na coerência… na sua ausência… na Razão da vetusta senhora… no Seu abandono…
Mal cheguei, casa de banho comigo! Começo a desembrulhar o chocolate; saco da respectiva espuma e… fiz-me ao mar.
Nunca um escanhoar me soube tão bem!
Carlos Jesus Gil
Há dias, precisado de fazer a barba e não tendo lâminas em casa, dirijo-me a uma mercearia de bairro, e peço:
- Minha senhora, boa tarde! Queria lâminas pr’á barba, por favor.
- Não temos lâminas pr’á barba, temos é chocolates Milka.
- Pensando que de inusitado mas admissível gracejo se tratava, sorri e repeti: tá boa, minha senhora! Agora a sério, precisava de lâminas pr’á barba.
- Ó rapaz, você não ouviu? Já lhe disse que não temos lâminas pr’á barba, temos é chocolates Milka.
Na idosa senhora, que longe não andaria dos sem lâminas pr’á barba, notava-se já valente irritação… Seria o meu pedido algo inopinado, mesmo zombador e ofensivo da boa conduta comercial daquele estabelecimento mercantil?... Pelo sim pelo não, e antes que lhe desse alguma:
- Está bem, minha senhora, dê-me então um chocolate Milka! Pode ser daqueles com amêndoas.
- Aqui está. São dois euros.
Pronto!... No caminho para casa, não parava de matutar na estranha cena… na coerência… na sua ausência… na Razão da vetusta senhora… no Seu abandono…
Mal cheguei, casa de banho comigo! Começo a desembrulhar o chocolate; saco da respectiva espuma e… fiz-me ao mar.
Nunca um escanhoar me soube tão bem!
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009
Apetece-me...
Apetece-me…
Dizer:
que jamais voltarei a escrever um poema de amor;
que não passam, aqueles, de pieguice expurgadora de dor;
que esta deve ser vivida, não expelida,
que, contida e debelada por luta con ou descon…trolada,
faz mais crescer do que “ deitar cedo e cedo erguer “
(que os Grandes – digo Grandes, não famosos – o souberam fazer).
Contudo, como não sou Grande e, mais que tudo, transbordo de dúvidas sobre se alguma vez escrevi um poema de amor – quando muito, poesias de paixão, também alimento, sim, mas menos imensidão -; como sou humano, habitáculo da imperfeição endógena, vou, naturalmente, contrariar – pelo menos tentar - aquele apetecer.
Carlos Jesus Gil
Dizer:
que jamais voltarei a escrever um poema de amor;
que não passam, aqueles, de pieguice expurgadora de dor;
que esta deve ser vivida, não expelida,
que, contida e debelada por luta con ou descon…trolada,
faz mais crescer do que “ deitar cedo e cedo erguer “
(que os Grandes – digo Grandes, não famosos – o souberam fazer).
Contudo, como não sou Grande e, mais que tudo, transbordo de dúvidas sobre se alguma vez escrevi um poema de amor – quando muito, poesias de paixão, também alimento, sim, mas menos imensidão -; como sou humano, habitáculo da imperfeição endógena, vou, naturalmente, contrariar – pelo menos tentar - aquele apetecer.
Carlos Jesus Gil
Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009
Sobre o nada
E hoje foi isto, apenas isto, que me veio à real gana:
Jamais o nada poderá vir a ser coisa alguma!
Carlos Jesus Gil
Jamais o nada poderá vir a ser coisa alguma!
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
A Insonsa
A INSONSA
Era uma vez uma rapariga tão linda tão linda, mesmo tão linda que, só não fazia parar o trânsito porque se deslocava sempre de metro e as portas de entrada e saída de sua casa bem como do seu local de trabalho davam directamente para o buraco (uns metritos, apenas). Bem - ou mal, consoante o juízo -, a bela diva padecia, contudo, de um grave problema congénito: era insonsa… sim, insulsa, insípida… não sabia a nada – qual génio perfumista de Suskind que, não obstante o seu potenciado e extraordinário olfacto, não possui cheiro próprio. Logo ele, ironia das ironias, que parido fora entre os mais nauseabundos fedores da Paris do século XVIII! -, a nada mesmo!
Os homens aproximavam-se, faziam trinta por uma linha para meterem conversa com ela e tornarem-se íntimos mas, quando tal sorte chegava em jeito de jack pot, logo verificavam que a massa ia quase toda para o fisco. Uma raspadinha, e fraquita! Serve esta modesta imagem para reportar o facto de que, mal bem conseguidos os intentos másculos, assim que dado o primeiro beijinho, feito o primeiro linguado e – e aqui é que está!- dada a primeira dentadinha, logo os ditos zé-zés camarinhas fugiam a 7777 pés…
Fora sempre assim. Desde que se lembra de ser gente e de andar à porrada nas ruas e na escola, sempre que algum ou alguma colega lhe punha os dentes, mal a primeira e única trincadela se dava, era um vê-se-te-avias, uma correria freneticamente louca, do dentuço ou da dentuça, para junto dos outros. “A cachopa não sabe a nada”, diz quem a provou, e assim também não!... Tem que haver algum tempero, digo eu, que até nem gosto muito de fazer juízos de valor… quer dizer, muito não, mas a um niquito não me coíbo.
Há, porém, males que vêm por bem – todos o sabem, que o povo o diz de há tanto que se perdeu registo. Desesperada e a necessitar de merecidas férias, compra, com uma amiga, passagem para destino exótico. Dez diazitos fora de tudo!
Bem – mal, digo eu, que os factos assim m’o exigem -, a outra, papada… literalmente. Ela, logo à primeira dentada, é projectada por valente cuspidela… Até os canibais gostam das coisas bem temperadas!… E ela corria, corria, corria a bom correr a caminho do trilho que leva à cidade e ao hotel; e olhava para trás; e corria ainda mais; e… não era necessário nada disso, pois ninguém fora no seu encalço.
Carlos Jesus Gil
Era uma vez uma rapariga tão linda tão linda, mesmo tão linda que, só não fazia parar o trânsito porque se deslocava sempre de metro e as portas de entrada e saída de sua casa bem como do seu local de trabalho davam directamente para o buraco (uns metritos, apenas). Bem - ou mal, consoante o juízo -, a bela diva padecia, contudo, de um grave problema congénito: era insonsa… sim, insulsa, insípida… não sabia a nada – qual génio perfumista de Suskind que, não obstante o seu potenciado e extraordinário olfacto, não possui cheiro próprio. Logo ele, ironia das ironias, que parido fora entre os mais nauseabundos fedores da Paris do século XVIII! -, a nada mesmo!
Os homens aproximavam-se, faziam trinta por uma linha para meterem conversa com ela e tornarem-se íntimos mas, quando tal sorte chegava em jeito de jack pot, logo verificavam que a massa ia quase toda para o fisco. Uma raspadinha, e fraquita! Serve esta modesta imagem para reportar o facto de que, mal bem conseguidos os intentos másculos, assim que dado o primeiro beijinho, feito o primeiro linguado e – e aqui é que está!- dada a primeira dentadinha, logo os ditos zé-zés camarinhas fugiam a 7777 pés…
Fora sempre assim. Desde que se lembra de ser gente e de andar à porrada nas ruas e na escola, sempre que algum ou alguma colega lhe punha os dentes, mal a primeira e única trincadela se dava, era um vê-se-te-avias, uma correria freneticamente louca, do dentuço ou da dentuça, para junto dos outros. “A cachopa não sabe a nada”, diz quem a provou, e assim também não!... Tem que haver algum tempero, digo eu, que até nem gosto muito de fazer juízos de valor… quer dizer, muito não, mas a um niquito não me coíbo.
Há, porém, males que vêm por bem – todos o sabem, que o povo o diz de há tanto que se perdeu registo. Desesperada e a necessitar de merecidas férias, compra, com uma amiga, passagem para destino exótico. Dez diazitos fora de tudo!
Bem – mal, digo eu, que os factos assim m’o exigem -, a outra, papada… literalmente. Ela, logo à primeira dentada, é projectada por valente cuspidela… Até os canibais gostam das coisas bem temperadas!… E ela corria, corria, corria a bom correr a caminho do trilho que leva à cidade e ao hotel; e olhava para trás; e corria ainda mais; e… não era necessário nada disso, pois ninguém fora no seu encalço.
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
Título?!... Para quê?!
TÍTULO?!... PARA QUÊ?!
Fazem-se ouvir os balidos das ovelhas… Não é só um, são muitos. São muitos, os lobos... Na aldeia as pessoas tremem de frio… Parece que ninguém os ouve!
Carlos Jesus Gil
Fazem-se ouvir os balidos das ovelhas… Não é só um, são muitos. São muitos, os lobos... Na aldeia as pessoas tremem de frio… Parece que ninguém os ouve!
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
3 B's
3 B,s
Ensaio um texto que exprima o que sinto por ela, mas … não encontro palavras! Surgiu-me apenas inefável – que não chega, é anã.
Procurei então formar uma palavra mais condicente com a riqueza da substância… Conformei-me, empresa impossível!... Tentei uma sigla – mais adequado à obra -, surgiu-me esta: BBB.
Fiz justiça!
Carlos Jesus Gil
Ensaio um texto que exprima o que sinto por ela, mas … não encontro palavras! Surgiu-me apenas inefável – que não chega, é anã.
Procurei então formar uma palavra mais condicente com a riqueza da substância… Conformei-me, empresa impossível!... Tentei uma sigla – mais adequado à obra -, surgiu-me esta: BBB.
Fiz justiça!
Carlos Jesus Gil
Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
Eh pá, tu também não estás bem em lado nenhum!
À Mariazita
A brincadeira que dá substância ao post d’hoje, não é fruto da minha imaginação. Palavra! O caso passou-se mesmo. Viveu-o um amigo de um amigo meu, que, prazenteiramente, m’o contou.
EH PÁ, TU TAMBÉM NÃO ESTÁS BEM EM LADO NENHUM!
Certa noite de determinado Verão, tendo o meu amigo em segundo grau ido com outro amigo - meu também, mas já num afastado terceiro grau – a um arraial, daquelas peculiares festas de Verão tão enraizadas aqui na nossa “jangada de pedra”, a dada altura, e já com o grão na asa – mas não um grão qualquer, que daqueles com um diâmetro já bem jeitosinho se tratava! -, pede o meu amigo em terceiro grau ao seu amigo mais directo, que era o dono do transporte, uma velha motorizada de duas mudanças no punho: “ Eh zé, vamos à festa do Seixo?”; “ Ó homem, não estás já numa festa? ”; “ Eh pá, pois, mas isto aqui não está a dar! ”; “ Ó meu, ainda agora aqui chegámos e já tens ideia formada acerca do rendimento?! ”; “ Eh pá, já aqui estamos há mais de duas horas… E depois, sabes, está lá a Tininha,? Por favor, pá! “; “ Tu estás que nem um cacho. Deixa-te mas é estar quietinho, que ainda evitas más figuras! “; “ Que é que queres dizer com isso? “; “ Nada, nada. Estás um chato do caraças! “; “ Zé, por favor, pá! Ao menos leva-me lá! “; “ Pronto, chaga, anda daí!”.
E assim foi. Daí a minutos já se encontravam em cima da bicha que era suposto transportá-los até ao outro centro de engate, em simultâneo funcionamento não longe dali. Mas eis que, já perto do destino, o grão faz das suas: numa curva, até nada apertada, diga-se, protagonizam tão grande espalhanço que o meu amigo em terceiro grau vai parar dentro dum poço… fundo… bem fundo… “ Eh zé, zé, tira-me daqui, tira-me daqui! “… O outro, completamente esfarrapado e com sentido gemido na voz: “ Ó pá, tu também não estás bem em lado nenhum! “.
De maneira que foi assim.
Carlos Jesus Gil
A brincadeira que dá substância ao post d’hoje, não é fruto da minha imaginação. Palavra! O caso passou-se mesmo. Viveu-o um amigo de um amigo meu, que, prazenteiramente, m’o contou.
EH PÁ, TU TAMBÉM NÃO ESTÁS BEM EM LADO NENHUM!
Certa noite de determinado Verão, tendo o meu amigo em segundo grau ido com outro amigo - meu também, mas já num afastado terceiro grau – a um arraial, daquelas peculiares festas de Verão tão enraizadas aqui na nossa “jangada de pedra”, a dada altura, e já com o grão na asa – mas não um grão qualquer, que daqueles com um diâmetro já bem jeitosinho se tratava! -, pede o meu amigo em terceiro grau ao seu amigo mais directo, que era o dono do transporte, uma velha motorizada de duas mudanças no punho: “ Eh zé, vamos à festa do Seixo?”; “ Ó homem, não estás já numa festa? ”; “ Eh pá, pois, mas isto aqui não está a dar! ”; “ Ó meu, ainda agora aqui chegámos e já tens ideia formada acerca do rendimento?! ”; “ Eh pá, já aqui estamos há mais de duas horas… E depois, sabes, está lá a Tininha,? Por favor, pá! “; “ Tu estás que nem um cacho. Deixa-te mas é estar quietinho, que ainda evitas más figuras! “; “ Que é que queres dizer com isso? “; “ Nada, nada. Estás um chato do caraças! “; “ Zé, por favor, pá! Ao menos leva-me lá! “; “ Pronto, chaga, anda daí!”.
E assim foi. Daí a minutos já se encontravam em cima da bicha que era suposto transportá-los até ao outro centro de engate, em simultâneo funcionamento não longe dali. Mas eis que, já perto do destino, o grão faz das suas: numa curva, até nada apertada, diga-se, protagonizam tão grande espalhanço que o meu amigo em terceiro grau vai parar dentro dum poço… fundo… bem fundo… “ Eh zé, zé, tira-me daqui, tira-me daqui! “… O outro, completamente esfarrapado e com sentido gemido na voz: “ Ó pá, tu também não estás bem em lado nenhum! “.
De maneira que foi assim.
Carlos Jesus Gil
Domingo, 25 de Janeiro de 2009
A razão dos temporais
A RAZÃO DOS TEMPORAIS
Os temporais existem porque sim
Porque não haveria mundo
Se não irrompessem temporais.
Abracemos então os temporais
Resguardados
Mas recebamos regozijados os temporais!
A bonança!
Ai a bonança!...
Dispamo-nos à bonança
Que só existe porque existe mundo
Que só existe porque existem temporais!
Carlos Jesus Gil
Os temporais existem porque sim
Porque não haveria mundo
Se não irrompessem temporais.
Abracemos então os temporais
Resguardados
Mas recebamos regozijados os temporais!
A bonança!
Ai a bonança!...
Dispamo-nos à bonança
Que só existe porque existe mundo
Que só existe porque existem temporais!
Carlos Jesus Gil
Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
O caso fio-dental
O CASO FIO-DENTAL
Ele andava triste, sorumbático, irritadiço…, sim, de mal com o mundo!
Ao balcão, um companheiro indaga?: - é pá, o que é que se passa contigo?... Num repente não és o mesmo!
- Nada. Não é nada.
- Não, algo se passa. Não te conhecesse eu como te conheço. Parece que esqueces que te conheço há milhares de imperiais!
- É pá, Ricardo, não é nada, já te disse!
- Vá lá, meu, abre-te. Seja o que for, desabafa!
- Ok, pronto, queres ouvir o que me chateia?...Vamos a isso!: então não é que a semana passada o cargueiro que fretei para transportar a encomenda das cem milhões de caixas de palitos dos dentes apanhou, logo à saída do porto da Figueira da Foz, um marzão, daqueles mesmo à maneira, o que fez com que um contentor se abrisse e deixasse cair uma caixa?!!!… Sim, cinquenta palitos foram ao banho!... Sim, grande banhada, pois o seguro, presumo, não vai cobrir os prejuízos. E se cobrir, estás a ver o tempo que isso vai demorar!
- Pois, pá, agora compreendo-te. Não é caso para menos, não!
- Uma chatice, pá!... De maneira que estou decidido, vou mudar de galho. Quero que se lixem os palitos dos dentes. Vou passar a fabricar fio-dental. É que pretendo mudar de galho, mas não de ramo.
- Olha, boa ideia!
- Pois, mas até nisto já estou a começar a sentir problemas.
- Como assim?!
- É pá, Ricardo, há dois dias consultei uma empresa de consultadoria especializada nestes assuntos, contei-lhes o sucedido, e pedi-lhes que fizessem, com urgência, um estudo de viabilidade económica. Sabes o que me responderam?
- Não. Como é que tu queres que eu saiba?!
- Pá, perguntaram-me se pretendia as peças já para a colecção do próximo Verão, se só para o de 2010?!... Não há pachorra, pá!!!
- Pois… Ó Fonseca, tira aí mais dois fresquinhos!
Carlos Jesus Gil
Ele andava triste, sorumbático, irritadiço…, sim, de mal com o mundo!
Ao balcão, um companheiro indaga?: - é pá, o que é que se passa contigo?... Num repente não és o mesmo!
- Nada. Não é nada.
- Não, algo se passa. Não te conhecesse eu como te conheço. Parece que esqueces que te conheço há milhares de imperiais!
- É pá, Ricardo, não é nada, já te disse!
- Vá lá, meu, abre-te. Seja o que for, desabafa!
- Ok, pronto, queres ouvir o que me chateia?...Vamos a isso!: então não é que a semana passada o cargueiro que fretei para transportar a encomenda das cem milhões de caixas de palitos dos dentes apanhou, logo à saída do porto da Figueira da Foz, um marzão, daqueles mesmo à maneira, o que fez com que um contentor se abrisse e deixasse cair uma caixa?!!!… Sim, cinquenta palitos foram ao banho!... Sim, grande banhada, pois o seguro, presumo, não vai cobrir os prejuízos. E se cobrir, estás a ver o tempo que isso vai demorar!
- Pois, pá, agora compreendo-te. Não é caso para menos, não!
- Uma chatice, pá!... De maneira que estou decidido, vou mudar de galho. Quero que se lixem os palitos dos dentes. Vou passar a fabricar fio-dental. É que pretendo mudar de galho, mas não de ramo.
- Olha, boa ideia!
- Pois, mas até nisto já estou a começar a sentir problemas.
- Como assim?!
- É pá, Ricardo, há dois dias consultei uma empresa de consultadoria especializada nestes assuntos, contei-lhes o sucedido, e pedi-lhes que fizessem, com urgência, um estudo de viabilidade económica. Sabes o que me responderam?
- Não. Como é que tu queres que eu saiba?!
- Pá, perguntaram-me se pretendia as peças já para a colecção do próximo Verão, se só para o de 2010?!... Não há pachorra, pá!!!
- Pois… Ó Fonseca, tira aí mais dois fresquinhos!
Carlos Jesus Gil
Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
A Razão de...
A RAZÃO DE
É a razão de todas as coisas
do Homem.
Todos me falam dela,
mesmo quando não –
não há fingimento possível,
subentendimento, ainda vá …
Todos me falam dela,
o masoquista fala dela,
eu falo dela.
Os Santos também falam dela.
Os outros
Seres
já a entendem,
de há muito, de sempre.
Percebem que ela não está, é.
É, no caminho
( paralelo, ou não,
a outros onde não é ).
Os outros
Seres
sabem que ela é a razão de
todas as coisas,
que é um eclodir que se renova,
se soubermos,
se pudermos.
Os outros
Seres
sabem,
podem,
passeiam onde ela é.
Carlos Jesus Gil
É a razão de todas as coisas
do Homem.
Todos me falam dela,
mesmo quando não –
não há fingimento possível,
subentendimento, ainda vá …
Todos me falam dela,
o masoquista fala dela,
eu falo dela.
Os Santos também falam dela.
Os outros
Seres
já a entendem,
de há muito, de sempre.
Percebem que ela não está, é.
É, no caminho
( paralelo, ou não,
a outros onde não é ).
Os outros
Seres
sabem que ela é a razão de
todas as coisas,
que é um eclodir que se renova,
se soubermos,
se pudermos.
Os outros
Seres
sabem,
podem,
passeiam onde ela é.
Carlos Jesus Gil
Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
A tomatada
Pronto, vamos lá a mais uma brincadeirazita:
A TOMATADA
Certa vez, encontrando-me eu a actuar (também sou músico… de baile) num belo recanto deste nosso país tão fisicamente pequeno mas tão diverso e rico em costumes, eis que, por dizer algo que não devia – não recordo, creiam, a asneira -, eu que tenho a missão de comunicar e gerar empatia com o público, sou literalmente acertado por algumas dezenas de tomates bem madurinhos. Ora, eu, um sportinguista de alma e coração, ver-me ali da cabeça aos pés (cabeça e cara, soube-o através de um espelho zombador) um homem de vermelho!... foi humilhante, confesso.
Bem, tentei dar a volta à situação (imaginei-me, mesmo, benfiquista ferrenho, de modo a tornar menos penosa a pena), socorrendo-me do traquejo adquirido, perguntando se já lá estava o arroz. “… é pazes, arroz de tomate… com peixe frito… é um mimo!”. E vai daí, espanto completo: da multidão surge uma bela moçoila, com quem em tempos dera umas voltas, sobe intempestivamente ao palco, pega num microfone e proclama que “se fosse para fazer o dito cujo arroz não seria necessário gastar um cabaz de tomates, bastariam os dele!... e, saibam, dariam para um regimento…”.
Fiquei sem palavras.
Carlos Jesus Gil
A TOMATADA
Certa vez, encontrando-me eu a actuar (também sou músico… de baile) num belo recanto deste nosso país tão fisicamente pequeno mas tão diverso e rico em costumes, eis que, por dizer algo que não devia – não recordo, creiam, a asneira -, eu que tenho a missão de comunicar e gerar empatia com o público, sou literalmente acertado por algumas dezenas de tomates bem madurinhos. Ora, eu, um sportinguista de alma e coração, ver-me ali da cabeça aos pés (cabeça e cara, soube-o através de um espelho zombador) um homem de vermelho!... foi humilhante, confesso.
Bem, tentei dar a volta à situação (imaginei-me, mesmo, benfiquista ferrenho, de modo a tornar menos penosa a pena), socorrendo-me do traquejo adquirido, perguntando se já lá estava o arroz. “… é pazes, arroz de tomate… com peixe frito… é um mimo!”. E vai daí, espanto completo: da multidão surge uma bela moçoila, com quem em tempos dera umas voltas, sobe intempestivamente ao palco, pega num microfone e proclama que “se fosse para fazer o dito cujo arroz não seria necessário gastar um cabaz de tomates, bastariam os dele!... e, saibam, dariam para um regimento…”.
Fiquei sem palavras.
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Gráfico
GRÁFICO
É de tremenda complexidade!... Todavia, na sua genérica continuidade podemos representá-la com uma simples semi-recta; nos seus múltiplos e mutáveis universos individuais, representá-la-emos, fidedignamente, com um confrangedor segmento de recta… Tão simples!
Carlos Jesus Gil
É de tremenda complexidade!... Todavia, na sua genérica continuidade podemos representá-la com uma simples semi-recta; nos seus múltiplos e mutáveis universos individuais, representá-la-emos, fidedignamente, com um confrangedor segmento de recta… Tão simples!
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Olá malta!
Mais um post para descongestionar. Fala de zés portugueses, mas bem poderão, os meus amigos de outras geografias, adaptá-los aos seus zés. Para estes também, a informação de que o Emplastro é alguém que sempre que sonha a existência de uma reportagem televisiva, corre a cem-à-hora (o homem nem tem carro, mas...) para o local, pondo-se de imediato a jeito da câmara... Tanto assim é, que já é figura nacional. Enfim!
OLÁ MALTA!
Gostaria, hoje, de falar-vos de algo muito especial; do que vos quero falar, tem implicação constante no nosso quotidiano, bem, é assunto absolutamente não despiciendo… Esperem lá!, não, mudei de ideias – é que eu estou sempre a mudar de ideias, é-me inata, esta inconstância. Até já tive, vejam lá!, uma empresa de mudar ideias, a “Mudança de Ideias, lda”, mas como algumas ideias são muito pesadas e eu levava muito barato, cheguei à conclusão de que não dava o trigo pr’á renda, e, despedindo-me a mim próprio, sem direito a qualquer indemnização, fechei a dita cuja. Sabendo do sucedido, um amigo meu até me diz: “Eh pá, tu podes é ir pr’á política. Lá é preciso ser-se bom a mudar de ideias, e tu és um especialista no ramo!”; “Não, Xavier, não meu velho. Então tu não vês que essa rapaziada ainda ganha pior do que eu ganhava com a empresa!? Xavier, esse pessoal é mal pago, pá. E ainda por cima é mal visto! Não, obrigado pela ideia, tu, que as tens bem fixas, mas não!”; “Pois tenho e insisto, chega-te a um Partido, rapazito!”… Não me cheguei… por enquanto, pois comigo nunca se sabe… -, vou antes propor-vos um desafio. O primeiro a acertar no enigma que se segue - isto se eu entretanto não mudar de ideias -, ganha uma viagem a… (depois digo. Antes tenho que falar com a “Agência Abreu”. Aí vai ele: De três Zés de fama abastada - uns mais que outro, mas ainda assim, não tenham desse outro dó, que não precisa da prática do Emplastro fazer mimetismo, para ser rosto afamado -, terão que responder-me qual o que, em momentos de labor profissional solitário, só faz cocó. Tá ? Aceitam?... Ainda bem que consegui levar o texto até ao fim, é que já estava novamente a sobrepor-se-me outra ideia. Xô!
OLÁ MALTA!
Gostaria, hoje, de falar-vos de algo muito especial; do que vos quero falar, tem implicação constante no nosso quotidiano, bem, é assunto absolutamente não despiciendo… Esperem lá!, não, mudei de ideias – é que eu estou sempre a mudar de ideias, é-me inata, esta inconstância. Até já tive, vejam lá!, uma empresa de mudar ideias, a “Mudança de Ideias, lda”, mas como algumas ideias são muito pesadas e eu levava muito barato, cheguei à conclusão de que não dava o trigo pr’á renda, e, despedindo-me a mim próprio, sem direito a qualquer indemnização, fechei a dita cuja. Sabendo do sucedido, um amigo meu até me diz: “Eh pá, tu podes é ir pr’á política. Lá é preciso ser-se bom a mudar de ideias, e tu és um especialista no ramo!”; “Não, Xavier, não meu velho. Então tu não vês que essa rapaziada ainda ganha pior do que eu ganhava com a empresa!? Xavier, esse pessoal é mal pago, pá. E ainda por cima é mal visto! Não, obrigado pela ideia, tu, que as tens bem fixas, mas não!”; “Pois tenho e insisto, chega-te a um Partido, rapazito!”… Não me cheguei… por enquanto, pois comigo nunca se sabe… -, vou antes propor-vos um desafio. O primeiro a acertar no enigma que se segue - isto se eu entretanto não mudar de ideias -, ganha uma viagem a… (depois digo. Antes tenho que falar com a “Agência Abreu”. Aí vai ele: De três Zés de fama abastada - uns mais que outro, mas ainda assim, não tenham desse outro dó, que não precisa da prática do Emplastro fazer mimetismo, para ser rosto afamado -, terão que responder-me qual o que, em momentos de labor profissional solitário, só faz cocó. Tá ? Aceitam?... Ainda bem que consegui levar o texto até ao fim, é que já estava novamente a sobrepor-se-me outra ideia. Xô!
Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
Isto é um Post
Boa tarde de chuvinha!
Ora, o amigo dragão tem razão ao opinar, em comentário, que séria à brava já é a dura realidade que vivemos. Pois, que devo (e devo mesmo!) postar, intercalando com as sérias, coisitas que induzam uma melhor disposição.
Daí esta repostagem:
ISTO É UM POST
À guisa de “remake” (lembro-me do professor; lembro-me da questão: “ Isto é uma pergunta. Respondam! “… Lembro-me da resposta, só uma, em toda a turma, libertada por uma mente brilhante, tanto quanto a do professor: “ Isto é a resposta. Corrija! “.
Então: Isto é um Post. Comentem!
Carlos Jesus Gil
Ora, o amigo dragão tem razão ao opinar, em comentário, que séria à brava já é a dura realidade que vivemos. Pois, que devo (e devo mesmo!) postar, intercalando com as sérias, coisitas que induzam uma melhor disposição.
Daí esta repostagem:
ISTO É UM POST
À guisa de “remake” (lembro-me do professor; lembro-me da questão: “ Isto é uma pergunta. Respondam! “… Lembro-me da resposta, só uma, em toda a turma, libertada por uma mente brilhante, tanto quanto a do professor: “ Isto é a resposta. Corrija! “.
Então: Isto é um Post. Comentem!
Carlos Jesus Gil
Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
Era muitas vezes
ERA MUITAS VEZES
Era muitas vezes um homem que tinha filhos… e enteados. Os enteados eram mais do que os filhos; e os filhos eram mais do que os enteados, porque assim tinha que ser, que, se o não fosse, seria contra-natura.
Carlos Jesus Gil
Era muitas vezes um homem que tinha filhos… e enteados. Os enteados eram mais do que os filhos; e os filhos eram mais do que os enteados, porque assim tinha que ser, que, se o não fosse, seria contra-natura.
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
Atrás do Sol-posto
Repostagem:
ATRÁS DO SOL-POSTO
Partira ao encontro do Sol, para andar um pouco mais (pensara ele na altura, pois de muito se tratava, que o Sol é muito enorme). Partira, porque sempre lhe diziam que atrás do Sol-posto é que era!... “Atrás do Sol-posto é que era!?”, “ Sim! Se está tão longe e tão escondido, é porque… só pode ser bom, valioso; mais, o melhor, não é?...” Experimentara todas as direcções e sentidos, mas aquela, efectivamente não. Era hora!
Partira então…, e andara e andara e andara e já ele quase não era quando, finalmente, chegou. “Eis, meus átomos, o nosso rei, não, o nosso imperador... posto! Outros, noutros impérios, serão também eles, postos ou não, alvo de demanda?... Creio, convicto, que sim!”. Aí, assomado por lucidez inverosímil, adivinhava o muito muito, muito muito mais que havia ainda pr’andar… Sentado, quase desfalecido, sem forças capazes de um regresso, eis que – ainda hoje o não sabe explicar –, num repente, se vê a andar andar, andar sempre sem parar, ele, o pleno, até que - não sabe quantas luas passaram –, num júbilo sem precedentes, se vê atrás do Sol-posto… Num júbilo sem precedentes… em intensidade; em fugacidade!... Se vê atrás do Sol-posto…mas não… ainda não era lá. Reiterada condição!
… Sei-o, porque m’o contou: Nesse tempo mui onírico, fiquei também a saber que no momento em que encetara tão grande mas usada empresa, ainda não existiam barras energéticas nem água engarrafada e o usado e desgastado ditado “ não há fumo sem fogo” ainda não era dado… E eu disse-lhe: “ O que tu fizeste, ainda hoje se faz.”… Fugiu, triste, do meu sonho!
Carlos Jesus Gil
ATRÁS DO SOL-POSTO
Partira ao encontro do Sol, para andar um pouco mais (pensara ele na altura, pois de muito se tratava, que o Sol é muito enorme). Partira, porque sempre lhe diziam que atrás do Sol-posto é que era!... “Atrás do Sol-posto é que era!?”, “ Sim! Se está tão longe e tão escondido, é porque… só pode ser bom, valioso; mais, o melhor, não é?...” Experimentara todas as direcções e sentidos, mas aquela, efectivamente não. Era hora!
Partira então…, e andara e andara e andara e já ele quase não era quando, finalmente, chegou. “Eis, meus átomos, o nosso rei, não, o nosso imperador... posto! Outros, noutros impérios, serão também eles, postos ou não, alvo de demanda?... Creio, convicto, que sim!”. Aí, assomado por lucidez inverosímil, adivinhava o muito muito, muito muito mais que havia ainda pr’andar… Sentado, quase desfalecido, sem forças capazes de um regresso, eis que – ainda hoje o não sabe explicar –, num repente, se vê a andar andar, andar sempre sem parar, ele, o pleno, até que - não sabe quantas luas passaram –, num júbilo sem precedentes, se vê atrás do Sol-posto… Num júbilo sem precedentes… em intensidade; em fugacidade!... Se vê atrás do Sol-posto…mas não… ainda não era lá. Reiterada condição!
… Sei-o, porque m’o contou: Nesse tempo mui onírico, fiquei também a saber que no momento em que encetara tão grande mas usada empresa, ainda não existiam barras energéticas nem água engarrafada e o usado e desgastado ditado “ não há fumo sem fogo” ainda não era dado… E eu disse-lhe: “ O que tu fizeste, ainda hoje se faz.”… Fugiu, triste, do meu sonho!
Carlos Jesus Gil
Sábado, 10 de Janeiro de 2009
Querem descodificar?
DESAFIO
QUEREM DESCODIFICAR?
Ao telefone (sob escuta), dois comparsas em negócio escuro (pequeno extracto):
…
- Então a que horas?
- Pode ser mesmo no carro.
- Ok!
Disparem o que vos vier à real gana!
Carlos Jesus Gil
QUEREM DESCODIFICAR?
Ao telefone (sob escuta), dois comparsas em negócio escuro (pequeno extracto):
…
- Então a que horas?
- Pode ser mesmo no carro.
- Ok!
Disparem o que vos vier à real gana!
Carlos Jesus Gil
Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009
Só: Ser ou Não Ser!
SÓ: SER OU NÃO SER!
DA ANTÍTESE DA POLÍTICA
Tudo se resume ao ser e ao não ser!...
Sim, é contigo que estou a falar…
sim, contigo!
Não sei se estás a ver:
tudo se resume ao ser
e ao não ser…
ou se é
ou não se é!
Correcto!,
queres algo de mais concreto…
De mais concreto?!!
Tá,
mas olha que não dá!
Mais tangível que isto
não há!
… Procura, isso,
tens o direito!
Não vais ter é proveito.
É trabalho vão.
Achas que não?...
Então continua
a procurar.
Quiçá encontres consolação!
… Na acepção
resignar.
Carlos Jesus Gil
DA ANTÍTESE DA POLÍTICA
Tudo se resume ao ser e ao não ser!...
Sim, é contigo que estou a falar…
sim, contigo!
Não sei se estás a ver:
tudo se resume ao ser
e ao não ser…
ou se é
ou não se é!
Correcto!,
queres algo de mais concreto…
De mais concreto?!!
Tá,
mas olha que não dá!
Mais tangível que isto
não há!
… Procura, isso,
tens o direito!
Não vais ter é proveito.
É trabalho vão.
Achas que não?...
Então continua
a procurar.
Quiçá encontres consolação!
… Na acepção
resignar.
Carlos Jesus Gil
Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009
Então?... Que nem Schopenhauer?!
E a tolice continua:
TEORIA DO VÓMITO
Então?... Que nem Schopenhauer?!
Não, que não sou desses!
Vejo um futuro risonho. Prestes a chegar, o homo sapiens sapiens sapiens virá limpar o vómito. Por outras palavras: tal qual uma planta verde, utilizando a luz do Sol – a coisa maior deste cantinho onde viemos parar! -, transforma matéria orgânica putrefacta e mal cheirosa – claro, depois de, por acção de generosos microorganismos, esta ter voltado à condição de matéria mineral – em doces alimentos; em outras plantas e flores de fragrâncias indizíveis, assim o iluminado homo sapiens sapiens sapiens transformará o vómito em caviar russo de primeira escolha.
Ora!... Pessimista, eu!... Gótico?...
Não!
Aprendemos com os erros, logo o erro é necessário, de uma necessidade brutal!... Logo nós, e os que, conspurcadores como nós nos precederam, somos, fomos vitais ao futuro risonho que aguarda as próximas gerações… Ok!, as gerações daqui a uns tempos… Isto se os Maias não tiverem razão!... Ah!, e se esta segunda via do homo sapiens sapiens sapiens aprender o que não aprendeu a primeira, a do Apocalipse; a que nos relegou pr’a estes confins…; a que obrigou a uma volta à estaca zero…; a que provocou o vómito. Se aprender o que à outra escapou……………, PARAR A TEMPO, evoluiremos sem comprometer; safar-nos-emos!
Carlos Jesus Gil
TEORIA DO VÓMITO
Então?... Que nem Schopenhauer?!
Não, que não sou desses!
Vejo um futuro risonho. Prestes a chegar, o homo sapiens sapiens sapiens virá limpar o vómito. Por outras palavras: tal qual uma planta verde, utilizando a luz do Sol – a coisa maior deste cantinho onde viemos parar! -, transforma matéria orgânica putrefacta e mal cheirosa – claro, depois de, por acção de generosos microorganismos, esta ter voltado à condição de matéria mineral – em doces alimentos; em outras plantas e flores de fragrâncias indizíveis, assim o iluminado homo sapiens sapiens sapiens transformará o vómito em caviar russo de primeira escolha.
Ora!... Pessimista, eu!... Gótico?...
Não!
Aprendemos com os erros, logo o erro é necessário, de uma necessidade brutal!... Logo nós, e os que, conspurcadores como nós nos precederam, somos, fomos vitais ao futuro risonho que aguarda as próximas gerações… Ok!, as gerações daqui a uns tempos… Isto se os Maias não tiverem razão!... Ah!, e se esta segunda via do homo sapiens sapiens sapiens aprender o que não aprendeu a primeira, a do Apocalipse; a que nos relegou pr’a estes confins…; a que obrigou a uma volta à estaca zero…; a que provocou o vómito. Se aprender o que à outra escapou……………, PARAR A TEMPO, evoluiremos sem comprometer; safar-nos-emos!
Carlos Jesus Gil
Seremos o resultado do Sistema Imunitário do Mundo?
TEORIA DO VÓMITO
SEREMOS O RESULTADO DO SISTEMA IMUNITÁRIO DO MUNDO?
Ora bem, de linguagem alegórica aqui faço uso… Digo isto, forço-me a tal, por força do teor de alguns comentários ao post anterior.
Ora então, por que terei eu expelido a questão anterior e reincido na temática colocando a ora em causa?... Porque, como vós, ouço e vejo notícias… E depois, como vós, penso, reflicto, medito… E depois, como vós, com muitas delas, muitas mesmo, fico indignado.
… E a indignação levou-me a esta tolice:
Há muito muito tempo atrás, muito mesmo, o Mundo – que entendo como Universo, pois não pretendo mais um geocentrismo, desta feita tendo como referência o Cosmos. Enfim, afronto o geoegocentrismo! -, de tanto tanto ter sofrido, de tão sordidamente ter sido maltratado pela terra, vomitou-a… Foi um processo natural de autodefesa; digamos que se tratou tão simplesmente do seu sistema imunitário a funcionar. Pragmaticamente podemos afirmar: uma purga do Mundo atira a Terra para um canto. À guisa de: vai-te!, queres-te lixar?... Tudo bem, mas lixa-te sozinha!
Bem, resta informar que apesar do relatado ter-se passado há muito muito tempo, em termos relativos não foi há tanto quanto isso. É que os problemas gástricos do Mundo só terão começado com a chegada do homo sapiens sapiens.
Carlos Jesus Gil
SEREMOS O RESULTADO DO SISTEMA IMUNITÁRIO DO MUNDO?
Ora bem, de linguagem alegórica aqui faço uso… Digo isto, forço-me a tal, por força do teor de alguns comentários ao post anterior.
Ora então, por que terei eu expelido a questão anterior e reincido na temática colocando a ora em causa?... Porque, como vós, ouço e vejo notícias… E depois, como vós, penso, reflicto, medito… E depois, como vós, com muitas delas, muitas mesmo, fico indignado.
… E a indignação levou-me a esta tolice:
Há muito muito tempo atrás, muito mesmo, o Mundo – que entendo como Universo, pois não pretendo mais um geocentrismo, desta feita tendo como referência o Cosmos. Enfim, afronto o geoegocentrismo! -, de tanto tanto ter sofrido, de tão sordidamente ter sido maltratado pela terra, vomitou-a… Foi um processo natural de autodefesa; digamos que se tratou tão simplesmente do seu sistema imunitário a funcionar. Pragmaticamente podemos afirmar: uma purga do Mundo atira a Terra para um canto. À guisa de: vai-te!, queres-te lixar?... Tudo bem, mas lixa-te sozinha!
Bem, resta informar que apesar do relatado ter-se passado há muito muito tempo, em termos relativos não foi há tanto quanto isso. É que os problemas gástricos do Mundo só terão começado com a chegada do homo sapiens sapiens.
Carlos Jesus Gil
Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
Será a Terra um vómito do Mundo?
TEORIA DO VÓMITO
Damos início, hoje, à publicação de uma nova temática editorial – a uma nova etiqueta: TOLICES (Serão?)
E a tolice que me veio agora mesmo à real gana, é a seguinte:
Será a Terra um vómito do mundo?
PS Aceitamos respostas.
Carlos Jesus Gil
Damos início, hoje, à publicação de uma nova temática editorial – a uma nova etiqueta: TOLICES (Serão?)
E a tolice que me veio agora mesmo à real gana, é a seguinte:
Será a Terra um vómito do mundo?
PS Aceitamos respostas.
Carlos Jesus Gil
Sábado, 3 de Janeiro de 2009
E o Alberto e o Albino também...
E O ALBERTO E O ALBINO TAMBÉM…
XXVI
O FIM
- Alberto?, Albino?
- Sim, narrador!
- Cá estou, meu caro.
- ……………….
- Sim…, narrador?
- Então, o que é que se passa homem?
- ……………….
- Nahhh, aqui há gato!
- … Rapazes, este nosso mundo vai acabar!...
- … O quê?!!!
- Deve ser um pesadelo… Dá-me um soco, Albino! Mas… Mas vai acabar porquê?
- Ó pá, Alberto, temos andado a ser espiados.
- Isso deve ser paranóia tua.
- Não, Albino. Antes fosse!... Fui intimado para ir hoje, às duas da tarde, ao todo poderoso Conselho de Oligarcas da Agregação de Todos os Mundos. Às duas menos um quarto já lá estava. A conta gotas, eles também foram chegando, de modo que às quatro e meia da tarde lá começamos a reunião. Que foi curta, muito curta. De modo assaz sinóptico e injusto, debitaram que nós poluímos; mais, que conspurcamos o Cosmos; mais ainda, que tencionamos desordená-lo… Como remate, uma injunção: “ Não poderá, caro senhor, empreender esforço de alegação. O que a seguir iremos comunicar-lhe, é decisão irrevogável. “. E continuou o porta-voz: “ Pelo dito, e por muito mais que da nossa parte ficará conscientemente por dizer, deliberou por unanimidade este Conselho proceder, num prazo que não ultrapassará as oito horas, ao corte definitivo de energia ao vosso mundo. Resolva-se!, pode sair. “. E mais não disseram, aquelas bestas. Nós desordenamos o Cosmos?!!!... Ignorantes! Nunca o Cosmos - e tantos que com autoridade a isso já se referiram! – deixara de ser, naturoparadoxalmente, um caos. Um caos ordenado, para o qual também nós contribuímos.
Não gostam da nossa merda… Julgam, sobranceiramente, que a deles cheira melhor. Mas, em termos de merda, o que é isso de cheirar melhor? Se é merda é merda; há mau cheiro, e quanto mais mau for o cheiro, mais genuína é a merda. Poderosos ignorantes…
Moços, temos alguns minutos para fugir. Daqui a nada é o nada!
- Mas para onde é que fugimos?
- Albino, sois livres. A liberdade também arrasta consigo as suas durezas, eu sei… Temos que tomar decisões, meu amigo. Esta, a que temos em mãos, é por certo a mais premente, difícil e delicada, mas tem que ser.
- Como vamos fazer?
- Alberto, ainda tenho mais uma má notícia para vós. É que muito embora possa, cada um de nós, escolher um novo mundo, não o podemos coabitar. Não nos querem mais juntos. Dizem os déspotas que, produzindo nós individualmente merda na quantidade (enorme) que eles viram e tendo conseguido sinergias como poucos, o monte (eles disseram montanha) que em poucos meses faríamos deixaria irremediavelmente perdido, em termos ambientais, qualquer mundo. De modo que é tragicamente assim! Vamos ter que partir sozinhos… com as respectivas famílias, claro.
- Mas como vamos fazer?
- Albino, isso é o mais fácil. Juntamo-nos às nossas famílias e sonhamos… Sonhamos muito. Assim que encontrarmos um mundo que nos agrade ou que pelo menos nos não seja hostil, só temos que verificar se já lá está um de nós. Se não estiver… É fácil, portanto. Difícil a valer é o termos que abandonar esta nossa já empática comunidade… E ainda por cima sem eu ter conferido energia suficiente aos vossos familiares. Peçam, por favor, desculpas por mim a essa boa gente.
Rapazes, temos que despachar-nos. Está a acabar-se o tempo… Amigos……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………, até um dia, num lugar com outro tipo de energia.
- É pá, ainda não acredito!
- Eu estou sem palavras!
- Despachem-se amigos. Isto vai apagar…
Mundo é mundo todos os dias, mas só se nele se verificar a existência de pensamentos e instintos. Caso não…
Vivam!
Carlos Jesus Gil
XXVI
O FIM
- Alberto?, Albino?
- Sim, narrador!
- Cá estou, meu caro.
- ……………….
- Sim…, narrador?
- Então, o que é que se passa homem?
- ……………….
- Nahhh, aqui há gato!
- … Rapazes, este nosso mundo vai acabar!...
- … O quê?!!!
- Deve ser um pesadelo… Dá-me um soco, Albino! Mas… Mas vai acabar porquê?
- Ó pá, Alberto, temos andado a ser espiados.
- Isso deve ser paranóia tua.
- Não, Albino. Antes fosse!... Fui intimado para ir hoje, às duas da tarde, ao todo poderoso Conselho de Oligarcas da Agregação de Todos os Mundos. Às duas menos um quarto já lá estava. A conta gotas, eles também foram chegando, de modo que às quatro e meia da tarde lá começamos a reunião. Que foi curta, muito curta. De modo assaz sinóptico e injusto, debitaram que nós poluímos; mais, que conspurcamos o Cosmos; mais ainda, que tencionamos desordená-lo… Como remate, uma injunção: “ Não poderá, caro senhor, empreender esforço de alegação. O que a seguir iremos comunicar-lhe, é decisão irrevogável. “. E continuou o porta-voz: “ Pelo dito, e por muito mais que da nossa parte ficará conscientemente por dizer, deliberou por unanimidade este Conselho proceder, num prazo que não ultrapassará as oito horas, ao corte definitivo de energia ao vosso mundo. Resolva-se!, pode sair. “. E mais não disseram, aquelas bestas. Nós desordenamos o Cosmos?!!!... Ignorantes! Nunca o Cosmos - e tantos que com autoridade a isso já se referiram! – deixara de ser, naturoparadoxalmente, um caos. Um caos ordenado, para o qual também nós contribuímos.
Não gostam da nossa merda… Julgam, sobranceiramente, que a deles cheira melhor. Mas, em termos de merda, o que é isso de cheirar melhor? Se é merda é merda; há mau cheiro, e quanto mais mau for o cheiro, mais genuína é a merda. Poderosos ignorantes…
Moços, temos alguns minutos para fugir. Daqui a nada é o nada!
- Mas para onde é que fugimos?
- Albino, sois livres. A liberdade também arrasta consigo as suas durezas, eu sei… Temos que tomar decisões, meu amigo. Esta, a que temos em mãos, é por certo a mais premente, difícil e delicada, mas tem que ser.
- Como vamos fazer?
- Alberto, ainda tenho mais uma má notícia para vós. É que muito embora possa, cada um de nós, escolher um novo mundo, não o podemos coabitar. Não nos querem mais juntos. Dizem os déspotas que, produzindo nós individualmente merda na quantidade (enorme) que eles viram e tendo conseguido sinergias como poucos, o monte (eles disseram montanha) que em poucos meses faríamos deixaria irremediavelmente perdido, em termos ambientais, qualquer mundo. De modo que é tragicamente assim! Vamos ter que partir sozinhos… com as respectivas famílias, claro.
- Mas como vamos fazer?
- Albino, isso é o mais fácil. Juntamo-nos às nossas famílias e sonhamos… Sonhamos muito. Assim que encontrarmos um mundo que nos agrade ou que pelo menos nos não seja hostil, só temos que verificar se já lá está um de nós. Se não estiver… É fácil, portanto. Difícil a valer é o termos que abandonar esta nossa já empática comunidade… E ainda por cima sem eu ter conferido energia suficiente aos vossos familiares. Peçam, por favor, desculpas por mim a essa boa gente.
Rapazes, temos que despachar-nos. Está a acabar-se o tempo… Amigos……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………, até um dia, num lugar com outro tipo de energia.
- É pá, ainda não acredito!
- Eu estou sem palavras!
- Despachem-se amigos. Isto vai apagar…
Mundo é mundo todos os dias, mas só se nele se verificar a existência de pensamentos e instintos. Caso não…
Vivam!
Carlos Jesus Gil
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E o Alberto e o Albino também...
Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009
E o Alberto e o Albino também...
E O ALBERTO E O ALBINO TAMBÉM…
XXV
Uiiiiiiii, que ressaca!... O melhor, mesmo, é recorrer novamente à máquina do tempo:
“ TRATADO DE LISBOA “
Vinte e dois anos depois da adesão de Portugal à C.E.E. (acompanhámos a Espanha neste processo… ok., e vice-versa), é assinado em Lisboa o Trado de Lisboa (um Tratado Reformador que, segundo muitos, não em menos que 90% corresponde ao rejeitado Tratado Constitucional Europeu, mas que, no entanto, reforma efectivamente o Tratado de Roma e o Tratado de Maastricht – paredes-mestras desta União. É, assim, de facto um Tratado Reformador.
E agora?... É necessário que todos os países o ratifiquem. Mas de que forma? Por uma via absolutamente representativa, tendo como protagonista o Parlamento, ou por via participativa, pondo canetas nas mãos do povo eleitor? Qualquer destas, digamo-lo, não fere o nosso Direito. Nem o nacional nem o comunitário. Bem, vou pedir a opinião dos peritos deste nosso mundo.
- Alberto?; Albino?
- Sim!
- Cá estou. É só chamares.
- Então é o seguinte: na vossa opinião, como deveria ser ratificado em Portugal o Tratado de Lisboa?
- Posso?
- Força, Alberto!
- Ó pá, eu penso que só referendando existirá verdadeira legitimidade. Não podemos esquecer-nos de que também a promessa de referendo a um novo Tratado Europeu concorreu para a vitória do Partido Socialista nas últimas Legislativas, que portanto foi também esse pressuposto que os levou ao governo… e com a almofada que se conhece. Para além desse facto, já em 2004 a Assembleia da República legitimara a opção pelo referendo, o qual só não avançou por a questão formulada se encontrar ferida de inconstitucionalidade.
Sou pelo referendo!
- Sim, sim… As coisas, politicamente falando, são um pouco mais complexas. Aliás, um muito. Façamos o seguinte exercício de raciocínio: o Tratado foi cá assinado, vai indelevelmente ficar associado a Portugal. É pá, sejamos agora ponderados e congruentes!... Em que posição ficará o país caso o próprio opte pela rejeição do Tratado?... É que, para nós, não se trata somente de mais um atraso no processo de integração europeia. É a nossa imagem que está em causa, rapazes.
Ora, ninguém nas maiorias (a do governo e a da oposição) irá permitir tal. Combaterão até à exaustão os eurocépticos de esquerda e de direita, fazendo uso de todo e qualquer instrumento eleitoralista, mas também, e de modo exacerbado e recorrente, de chantagem moral. Profetizarão catástrofes políticas, económicas (atenção aos fundos, bom povo!) e sociais. Enfim, se referendo houver, o povo acorrerá massivamente (sou um lírico do caraças…) às urnas, para que o mesmo seja validado; o povo votará sim. Será, todavia, um sim não convicto nem convincente, só comparável a uma confissão obtida por coacção… Desejam uma ratificação nestes moldes ou preferem que sejam os nossos representantes a fazer esse trabalho no Parlamento? Eles são os nossos delegados (embora por vezes não o pareçam, reconheço)!
- Não vou responder-te. Queria tão só a vossa opinião. Já a tenho.
- Ó Albino, tu pá… Às vezes…
- Chega, chega! Não pedi um debate, pedi, como já referi reiteradamente, opiniões.
- Seja, narrador socrático! Fiquem bem.
Carlos Jesus Gil
XXV
Uiiiiiiii, que ressaca!... O melhor, mesmo, é recorrer novamente à máquina do tempo:
“ TRATADO DE LISBOA “
Vinte e dois anos depois da adesão de Portugal à C.E.E. (acompanhámos a Espanha neste processo… ok., e vice-versa), é assinado em Lisboa o Trado de Lisboa (um Tratado Reformador que, segundo muitos, não em menos que 90% corresponde ao rejeitado Tratado Constitucional Europeu, mas que, no entanto, reforma efectivamente o Tratado de Roma e o Tratado de Maastricht – paredes-mestras desta União. É, assim, de facto um Tratado Reformador.
E agora?... É necessário que todos os países o ratifiquem. Mas de que forma? Por uma via absolutamente representativa, tendo como protagonista o Parlamento, ou por via participativa, pondo canetas nas mãos do povo eleitor? Qualquer destas, digamo-lo, não fere o nosso Direito. Nem o nacional nem o comunitário. Bem, vou pedir a opinião dos peritos deste nosso mundo.
- Alberto?; Albino?
- Sim!
- Cá estou. É só chamares.
- Então é o seguinte: na vossa opinião, como deveria ser ratificado em Portugal o Tratado de Lisboa?
- Posso?
- Força, Alberto!
- Ó pá, eu penso que só referendando existirá verdadeira legitimidade. Não podemos esquecer-nos de que também a promessa de referendo a um novo Tratado Europeu concorreu para a vitória do Partido Socialista nas últimas Legislativas, que portanto foi também esse pressuposto que os levou ao governo… e com a almofada que se conhece. Para além desse facto, já em 2004 a Assembleia da República legitimara a opção pelo referendo, o qual só não avançou por a questão formulada se encontrar ferida de inconstitucionalidade.
Sou pelo referendo!
- Sim, sim… As coisas, politicamente falando, são um pouco mais complexas. Aliás, um muito. Façamos o seguinte exercício de raciocínio: o Tratado foi cá assinado, vai indelevelmente ficar associado a Portugal. É pá, sejamos agora ponderados e congruentes!... Em que posição ficará o país caso o próprio opte pela rejeição do Tratado?... É que, para nós, não se trata somente de mais um atraso no processo de integração europeia. É a nossa imagem que está em causa, rapazes.
Ora, ninguém nas maiorias (a do governo e a da oposição) irá permitir tal. Combaterão até à exaustão os eurocépticos de esquerda e de direita, fazendo uso de todo e qualquer instrumento eleitoralista, mas também, e de modo exacerbado e recorrente, de chantagem moral. Profetizarão catástrofes políticas, económicas (atenção aos fundos, bom povo!) e sociais. Enfim, se referendo houver, o povo acorrerá massivamente (sou um lírico do caraças…) às urnas, para que o mesmo seja validado; o povo votará sim. Será, todavia, um sim não convicto nem convincente, só comparável a uma confissão obtida por coacção… Desejam uma ratificação nestes moldes ou preferem que sejam os nossos representantes a fazer esse trabalho no Parlamento? Eles são os nossos delegados (embora por vezes não o pareçam, reconheço)!
- Não vou responder-te. Queria tão só a vossa opinião. Já a tenho.
- Ó Albino, tu pá… Às vezes…
- Chega, chega! Não pedi um debate, pedi, como já referi reiteradamente, opiniões.
- Seja, narrador socrático! Fiquem bem.
Carlos Jesus Gil
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E o Alberto e o Albino também...
Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008
E o Alberto e o Albino também...
E O ALBERTO E O ALBINO TAMBÉM…
XXIV
FARRA
… Foi para onde eles foram. E eu vou também, que não está para outra coisa!
Votos de um excelente 2009 para todos… os indivíduos do mundo. Sim, o nosso Primeiro incluso!
Carlos Jesus Gil
XXIV
FARRA
… Foi para onde eles foram. E eu vou também, que não está para outra coisa!
Votos de um excelente 2009 para todos… os indivíduos do mundo. Sim, o nosso Primeiro incluso!
Carlos Jesus Gil
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E o Alberto e o Albino também...
Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
E o Alberto e o Albino também...
E O ALBERTO E O ALBINO TAMBÉM…
XXIII
UMA RAPOSA NUMA CALDEIRADA
…
- Não pude, pá. Estive com os ouvidos no Parlamento; ora, vir para aqui sem os ouvidos não estava com nada, não é?
- Ah!..., hoje foi o Debate Mensal com o Primeiro-Ministro… Tens razão, é tua obrigação.
- Pois, mas é mesmo só por obrigação. É que rebento de indignação, tais são as barbaridades a que assisto em cada sessão. Aliás, mesmo fora destas. Daquelas bocas saem, não raro, excrementos muito bem embrulhados em papel de bombons.
- Mas, o que é que se debateu em concreto lá hoje?
- É pá, falou-se de Educação; de Segurança; de Desemprego… Falou-se, não se debateu; falou-se só, e de forma que muito emprego cria à falácia, mas que teima em deixar inactiva a idoneidade. Falou-se e ralhou-se.
Todos, mas todos mesmo, põem sempre o particular à frente do colectivo; todos, mas todos mesmo, à míngua de brasas, puxam as poucas existentes para as suas também poucas sardinhas… É humano, concordo! Não é, certamente, é eticamente aprovável em missões como aquelas a que escolheram dedicar-se.
Bem, mas no meio de tão grande e inquinada caldeirada, há um peixe que sobressai. Se não tivesse guelras e excluindo qualquer dos mamíferos aquáticos e não querendo ferir sem chumbo o animal, chamar-lhe-ia raposa. Uma Raposa numa Caldeirada!... O nosso Primeiro, pois está claro!
Ao espírito do supracitado dignitário, aconselharia (ao jeito de Santo Agostinho) que se alimente bem. Poderá começar, por exemplo – agora que, finda a árdua tarefa de presidir aos destinos da União Europeia, ficará com alguma disponibilidade -, pelo estudo da Estrutura da Ordem Jurídica. É bom que realize uma leitura cuidada da mesma e que apreenda tudo o que puder. Dar-lhe-á jeito (dará?) e é bom para nós, especialmente se dedicar atenção devida à sua segunda linha, aquela em que o Direito é chamado a institucionalizar limitações ao poder, a lembrar que arbitrariedades, demagogia, intenções déspotas encapotadas não são legais nem legítimas.
Aceitaria ele?
- Espero que sim, Albino. O homem é arrogante, não é burro.
-Pois, por isso mesmo. Aceitaria ele?
- Não pá. O tanas é que iria aceitar!...
- Alberto, também és um céptico do caraças… Olha, vamos mas é beber mais um copo. Ah, é verdade, e parabéns. Porto 2- Besiktas 0… Porto em primeiro lugar no grupo. É bom!
- Obrigado, narrador. Bebamos então!
Carlos Jesus Gil
XXIII
UMA RAPOSA NUMA CALDEIRADA
…
- Não pude, pá. Estive com os ouvidos no Parlamento; ora, vir para aqui sem os ouvidos não estava com nada, não é?
- Ah!..., hoje foi o Debate Mensal com o Primeiro-Ministro… Tens razão, é tua obrigação.
- Pois, mas é mesmo só por obrigação. É que rebento de indignação, tais são as barbaridades a que assisto em cada sessão. Aliás, mesmo fora destas. Daquelas bocas saem, não raro, excrementos muito bem embrulhados em papel de bombons.
- Mas, o que é que se debateu em concreto lá hoje?
- É pá, falou-se de Educação; de Segurança; de Desemprego… Falou-se, não se debateu; falou-se só, e de forma que muito emprego cria à falácia, mas que teima em deixar inactiva a idoneidade. Falou-se e ralhou-se.
Todos, mas todos mesmo, põem sempre o particular à frente do colectivo; todos, mas todos mesmo, à míngua de brasas, puxam as poucas existentes para as suas também poucas sardinhas… É humano, concordo! Não é, certamente, é eticamente aprovável em missões como aquelas a que escolheram dedicar-se.
Bem, mas no meio de tão grande e inquinada caldeirada, há um peixe que sobressai. Se não tivesse guelras e excluindo qualquer dos mamíferos aquáticos e não querendo ferir sem chumbo o animal, chamar-lhe-ia raposa. Uma Raposa numa Caldeirada!... O nosso Primeiro, pois está claro!
Ao espírito do supracitado dignitário, aconselharia (ao jeito de Santo Agostinho) que se alimente bem. Poderá começar, por exemplo – agora que, finda a árdua tarefa de presidir aos destinos da União Europeia, ficará com alguma disponibilidade -, pelo estudo da Estrutura da Ordem Jurídica. É bom que realize uma leitura cuidada da mesma e que apreenda tudo o que puder. Dar-lhe-á jeito (dará?) e é bom para nós, especialmente se dedicar atenção devida à sua segunda linha, aquela em que o Direito é chamado a institucionalizar limitações ao poder, a lembrar que arbitrariedades, demagogia, intenções déspotas encapotadas não são legais nem legítimas.
Aceitaria ele?
- Espero que sim, Albino. O homem é arrogante, não é burro.
-Pois, por isso mesmo. Aceitaria ele?
- Não pá. O tanas é que iria aceitar!...
- Alberto, também és um céptico do caraças… Olha, vamos mas é beber mais um copo. Ah, é verdade, e parabéns. Porto 2- Besiktas 0… Porto em primeiro lugar no grupo. É bom!
- Obrigado, narrador. Bebamos então!
Carlos Jesus Gil
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E o Alberto e o Albino também...
Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008
E o Alberto e o Albino também...
E O ALBERTO E O ALBINO TAMBÉM…
XXII
O ALBERTO VERSEJA
- Alberto, estás por aqui?... Alberto?
- Desculpa, narrador! Estava aqui ao telemóvel com a Lenita. Ela está a fazer noite. Mas, passa-se alguma coisa, é?
- Não, não. Era precisamente de vocês que eu que queria saber. Correu bem o fim-de-semana?
- É pá, na maior! Há muito que não nos divertíamos tanto. E olha que nem sequer saímos de casa…
- Aííí!... Isso é que foi, heim!
- Do melhor. Não há nada como umas boas doses de transpiração para expulsar qualquer vírus…Mesmo bactérias… Mesmo toxinas…
- Estou feliz por vocês. Palavra de honra.
- Obrigado, meu amigo. Olha, por acaso não te importas que eu dê vida a um poema que escrevi ainda naquela fase crítica? A Lenita não se importa, perguntei-lho há bocado.
- Força com ele!
- Então aí vai:
MULHER SEM CULPA
Não tens mãos para me afagar
nem lábios para me beijar.
Não encerras em ti a virtude de indução de lembrança,
tranquilizadora lembrança que é não menos que bonança.
Não tens…
E no entanto és mulher completa;
e sem culpa;
dedicada e abnegada;
carinhosa.
Outras há, quiçá não inteiras,
culpadas mesmo, porém…
Impingem-se-me telepaticamente;
abreviam-me o regresso;
desvanecem-me as dúvidas;
pintam-me, de cores claras, o mundo.
Muito gosto eu de ti, mulher sem culpa!
- Alberto, está fixe pá. Muito porreiro…Estavas mesmo na fossa (como dizem os nossos irmãos de além-mar); hás-de ter passado das boas!
- Vá narrador. Deixemo-nos disso agora. Fica bem que eu também já estou.
- Pronto, adeus Alberto.
Carlos Jesus Gil
XXII
O ALBERTO VERSEJA
- Alberto, estás por aqui?... Alberto?
- Desculpa, narrador! Estava aqui ao telemóvel com a Lenita. Ela está a fazer noite. Mas, passa-se alguma coisa, é?
- Não, não. Era precisamente de vocês que eu que queria saber. Correu bem o fim-de-semana?
- É pá, na maior! Há muito que não nos divertíamos tanto. E olha que nem sequer saímos de casa…
- Aííí!... Isso é que foi, heim!
- Do melhor. Não há nada como umas boas doses de transpiração para expulsar qualquer vírus…Mesmo bactérias… Mesmo toxinas…
- Estou feliz por vocês. Palavra de honra.
- Obrigado, meu amigo. Olha, por acaso não te importas que eu dê vida a um poema que escrevi ainda naquela fase crítica? A Lenita não se importa, perguntei-lho há bocado.
- Força com ele!
- Então aí vai:
MULHER SEM CULPA
Não tens mãos para me afagar
nem lábios para me beijar.
Não encerras em ti a virtude de indução de lembrança,
tranquilizadora lembrança que é não menos que bonança.
Não tens…
E no entanto és mulher completa;
e sem culpa;
dedicada e abnegada;
carinhosa.
Outras há, quiçá não inteiras,
culpadas mesmo, porém…
Impingem-se-me telepaticamente;
abreviam-me o regresso;
desvanecem-me as dúvidas;
pintam-me, de cores claras, o mundo.
Muito gosto eu de ti, mulher sem culpa!
- Alberto, está fixe pá. Muito porreiro…Estavas mesmo na fossa (como dizem os nossos irmãos de além-mar); hás-de ter passado das boas!
- Vá narrador. Deixemo-nos disso agora. Fica bem que eu também já estou.
- Pronto, adeus Alberto.
Carlos Jesus Gil
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E o Alberto e o Albino também...
Domingo, 28 de Dezembro de 2008
E o Alberto e o Albino também...
E O ALBERTO E O ALBINO TAMBÉM…
XXI
II CIMEIRA U.E.-ÁFRICA 2
…
- “ A cimeira foi verdadeiramente extraordinária… O seu resultado superou um impasse de muitos anos. “
Assim se referiu à II Cimeira U.E.-África, a qual conseguiu reunir quase todos os líderes europeus e africanos em Lisboa, o primeiro-ministro e presidente em exercício da U.E., o portuguesíssimo José Sócrates. Queres que continue?
- Deixa-te de lérias e acaba o teu trabalho, Albino!
- Continuemos: Mas qual terá sido, então, o resultado assim tão positivo capaz de pôr fim ao dito cujo impasse de muitos anos?... Por exemplo, a Human Rights Watch não encontra qualquer decisão concreta emanada da cimeira. O Partido Comunista Português, por seu turno, diz que “ foram mais as vozes que as nozes “… Terão sido as parcerias económicas ( as negociações continuarão em 2008 )? Neste campo temos que o Senegal deixa a cimeira contra os acordos de parcerias económicas ( é claro que são raras as unanimidades ); o Fórum da Sociedade Civil diz que “ acordos são exemplo negativo “. Ah!..., só se foi o facto de Mugabe ter sido forçado a ouvir das boas da boca, por exemplo, da senhora Merkel. Claro, não é despicienda a atenção prestada ao Darfur. Mas terá sido ela suficiente? Hummmm!... Bem, regozijo-me com a atracção a Lisboa de movimentos sociais activos. É bom. E como nós estamos a precisar de desenvolver essa vertente!... Umas acções de formação na área vinham mesmo a calhar.
Ora, o facto de a União Europeia desejar um novo e mais justo relacionamento com África e fazer votos para que o colonialismo seja enterrado ( mas ainda existe colonialismo europeu em África?!... Pois, se calhar… ) de vez, é excelente. Há é que ter em atenção que este enterro requer cerimónias singelas mas não triviais. Exige profundidade, em termos literais e de espírito.
Para Sócrates, homem vaidoso que tudo move para que um dia os historiadores dele falem e os alunos nas escolas respondam a questões ( se ainda existirem testes nessa altura ) a ele referentes, foi profícua ( e então com a assinatura do “ Tratado de Lisboa “… ). Portugal consolida a imagem de país hospitaleiro ( o pessoal foi bem recebido; mordomias não faltaram ); reforçou também, penso não existirem dúvidas, o seu currículo de organizador de eventos.
É sempre útil uma Assembleia desta natureza. Contudo, como dizia ontem, se almejamos efectivamente o desenvolvimento de África, não podemos olhar para o continente apenas como a terra das matérias-primas baratas e um mercado para os nossos produtos ( até porque pobres, nunca se tornarão no mercado que almejamos e precisamos ). Mas não podemos nós europeus, nem podem os americanos do Norte nem o Japão nem a China nem a Índia…
Paremos com as dádivas de peixe, ensinemos a pescar! É uma frase mais que feita, porém, para o caso não encontro melhor. Fiquemos por aqui.
- Ok, tu é que sabes. Fica bem, Albino!
- Adeus, narrador!
Carlos Jesus Gil
XXI
II CIMEIRA U.E.-ÁFRICA 2
…
- “ A cimeira foi verdadeiramente extraordinária… O seu resultado superou um impasse de muitos anos. “
Assim se referiu à II Cimeira U.E.-África, a qual conseguiu reunir quase todos os líderes europeus e africanos em Lisboa, o primeiro-ministro e presidente em exercício da U.E., o portuguesíssimo José Sócrates. Queres que continue?
- Deixa-te de lérias e acaba o teu trabalho, Albino!
- Continuemos: Mas qual terá sido, então, o resultado assim tão positivo capaz de pôr fim ao dito cujo impasse de muitos anos?... Por exemplo, a Human Rights Watch não encontra qualquer decisão concreta emanada da cimeira. O Partido Comunista Português, por seu turno, diz que “ foram mais as vozes que as nozes “… Terão sido as parcerias económicas ( as negociações continuarão em 2008 )? Neste campo temos que o Senegal deixa a cimeira contra os acordos de parcerias económicas ( é claro que são raras as unanimidades ); o Fórum da Sociedade Civil diz que “ acordos são exemplo negativo “. Ah!..., só se foi o facto de Mugabe ter sido forçado a ouvir das boas da boca, por exemplo, da senhora Merkel. Claro, não é despicienda a atenção prestada ao Darfur. Mas terá sido ela suficiente? Hummmm!... Bem, regozijo-me com a atracção a Lisboa de movimentos sociais activos. É bom. E como nós estamos a precisar de desenvolver essa vertente!... Umas acções de formação na área vinham mesmo a calhar.
Ora, o facto de a União Europeia desejar um novo e mais justo relacionamento com África e fazer votos para que o colonialismo seja enterrado ( mas ainda existe colonialismo europeu em África?!... Pois, se calhar… ) de vez, é excelente. Há é que ter em atenção que este enterro requer cerimónias singelas mas não triviais. Exige profundidade, em termos literais e de espírito.
Para Sócrates, homem vaidoso que tudo move para que um dia os historiadores dele falem e os alunos nas escolas respondam a questões ( se ainda existirem testes nessa altura ) a ele referentes, foi profícua ( e então com a assinatura do “ Tratado de Lisboa “… ). Portugal consolida a imagem de país hospitaleiro ( o pessoal foi bem recebido; mordomias não faltaram ); reforçou também, penso não existirem dúvidas, o seu currículo de organizador de eventos.
É sempre útil uma Assembleia desta natureza. Contudo, como dizia ontem, se almejamos efectivamente o desenvolvimento de África, não podemos olhar para o continente apenas como a terra das matérias-primas baratas e um mercado para os nossos produtos ( até porque pobres, nunca se tornarão no mercado que almejamos e precisamos ). Mas não podemos nós europeus, nem podem os americanos do Norte nem o Japão nem a China nem a Índia…
Paremos com as dádivas de peixe, ensinemos a pescar! É uma frase mais que feita, porém, para o caso não encontro melhor. Fiquemos por aqui.
- Ok, tu é que sabes. Fica bem, Albino!
- Adeus, narrador!
Carlos Jesus Gil
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E o Alberto e o Albino também...
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